O lançamento da nova fase de Bridgerton voltou a movimentar as redes sociais e passou a ser utilizado como repertório sociocultural na preparação para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio. Professores têm relacionado cenas da produção a debates atuais sobre desigualdade, trabalho e relações de poder.
Especialista em preparação para o exame, Sérgio Lima publicou um vídeo no Instagram, no perfil @prof.sergiolima, explicando como transformar a série em argumento consistente na redação. Segundo ele, muitos estudantes consomem produções audiovisuais diariamente, mas não exploram o potencial crítico dessas narrativas. “Se o aluno enxerga apenas o romance, perde metade da potência da obra. A série mostra quem sustenta o luxo das elites e como essas hierarquias são naturalizadas”, afirma.

A nova parte da temporada amplia o foco para personagens que vivem nos bastidores das grandes casas, como criados, empregados e trabalhadores responsáveis por manter o funcionamento da aristocracia. O recorte permite discutir divisão de classes, exploração do trabalho e invisibilidade social, temas recorrentes nas propostas do exame. De acordo com o professor, quando o candidato estabelece paralelo histórico com a realidade contemporânea, demonstra repertório legítimo e maturidade argumentativa, critérios considerados na correção.
Sérgio Lima também relaciona a ficção com dados brasileiros. O país possui cerca de 6 milhões de trabalhadores domésticos, sendo aproximadamente 92% mulheres, grande parte mulheres negras. Para ele, conectar informações concretas à obra cultural fortalece a tese e diferencia o texto. “Cultura pop não é enfeite. Ela precisa funcionar como prova dentro do argumento”, reforça.
Segundo o professor, o uso da série exige contextualização breve, relação direta com o tema proposto e articulação com dados ou conceitos sociais. Apenas citar a produção, afirma, não garante pontuação.
O vídeo completo com as orientações está disponível no Instagram do professor, no perfil @prof.sergiolima.