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Priscila Matos: “A música sempre me curou, portanto, não é só profissão”
Cantora, pianista e compositora, Priscila narra ao portal Agora RN, em primeira pessoa, seu encanto pela música, por Natal e fala sobre a necessidade de viver um dia de cada vez
Felipe Salustino
09/05/2020 | 10:32

A cantora, pianista e compositora Priscila Matos (36) se derrete de amores pela música, por Natal e pelo noivo, o guitarrista Diego Bezerra (31), com quem teve que adiar o casamento, marcado para este sábado (9), por causa da pandemia do coronavírus. A cerimônia aconteceria exatamente no dia em que os dois completam um ano de relacionamento.

A baiana de nascimento e potiguar de alma, lançou, em 2019, o CD Nordeste Sangue e Coração (para ver o clipe oficial, clique AQUI), onde declara todo o seu afeto pelas singularidades da região. Priscila “apenas nasceu em Salvador”, como ela mesma revelou ao portal Agora RN. Por causa da profissão do pai, funcionário da Petrobras, a cantora mudou-se logo após o nascimento para Aracaju (SE). Aos 10 anos, veio morar em Natal, seu aconchego.

Formada em Odontologia, mas com uma paixão visceral por notas, acordes e melodias, Priscila falou ao portal sobre trabalho, isolamento, depressão – superada, obviamente, com a ajuda da Música, e sobre a necessidade atual de viver um dia de cada vez. Acompanhe:

“Nordeste Sangue e Coração”

“O nome do disco veio de uma música que eu compus no final de 2018, em meio à toda a situação política do país e a polarização em torno das eleições. Eu morei durante oito anos em São Paulo e vivi bastante essa coisa do preconceito com os nordestinos, embora tenha sido muito bem acolhida. A música “Nordeste Sangue e Coração” fala da resistência desse povo que, apesar de tudo, é doce e acolhedor. Mas o disco não traz só ritmos nordestinos. Traz também samba. E todas as composições são de artistas potiguares”.

Força feminina

“Fiz um clipe para a música “Nordeste Sangue e Coração” só com mulheres nordestinas. Todas nós somos muito guerreiras, em qualquer parte do mundo. Viver numa sociedade extremamente patriarcal, machista e se virar nos trinta, independente das nossas escolhas, não é fácil. Eu já perdi trabalho por ser mulher, porque alguém considera que só homens podem ser bons músicos. A gente tem que se provar o tempo inteiro”.

Um caso de amor com Natal

“Eu apenas nasci em Salvador (BA), mas não conheço nada por lá, porque meu pai trabalhava na Petrobras e era transferido de cidade em cidade o tempo todo. Morei parte da infância em Aracaju (SE), onde comecei a estudar Música e vim para Natal aos 10 anos. Eu me considero potiguar. Minha história de vida e meus amigos estão todos aqui, que é o meu aconchego. A minha relação com o Nordeste ficou mais intensa depois que fui para São Paulo. Senti falta desse calor – não só do clima, mas do calor humano –, das comidas (meu Deus, as comidas!!!) e das praias. E aí, passei a ver o Nordeste de outra forma. Eu me lembrava de Natal e pensava: é o meu lar”.

Música e Odontologia

“Na época do vestibular, cheguei a passar no curso técnico de Piano, mas por causa da família, acabei fazendo Odontologia. Fui para Campinas, em São Paulo, fazer Mestrado em Oxodontia, e aí, chutei o balde (risos). Saí de casa e cortei o cordão umbilical, que para mim ainda era muito forte – eu tinha 23 anos à época. Então, pensei: não é isso que eu quero. Mesmo assim, acabei ficando por lá, mas não cheguei nem a um ano de mestrado. Com seis meses eu já estava desesperada e fiquei só mais um pouquinho para ter certeza. E tudo foi muito natural, porque eu conheci muitos músicos lá. Eu juro que eu não ia atrás (risos mais uma vez), mas eram coincidências muito grandes. Ia com os primos (que moram na cidade) para a balada e quando conhecia alguém, era sempre um músico. Morei com duas amigas que são musicistas. Tentei arrumar trabalho como dentista, mas não rolou, mesmo deixando currículo em toda a parte da cidade. As pessoas sempre me chamavam para tocar e as oportunidades foram aparecendo. Era para ser. Quando voltei a Natal, fiz o técnico em Piano, aquele tão sonhado curso que eu queria ter feito aos 17 anos. Terminei e entrei no mestrado (em Música)”.

Ressignificação

“Tenho transtorno de ansiedade e por causa do isolamento, sofri algumas crises. Quando tudo começou eu fiquei muito ansiosa, preocupada com a questão financeira, com a saúde das pessoas que eu conheço e da minha família. Além dos remédios, voltei a meditar. E a música, como sempre, auxiliou na minha estabilidade. Ela significa tudo para mim e tem um papel de acolhimento, que é fundamental.  A música sempre me curou, portanto, não é só uma profissão. Graças a tudo isso, consegui me estabilizar, o que me ajudou a lidar com o isolamento. A música faz a gente se conectar com partes de nós mesmos que vão se perdendo no dia a dia, em meio ao caos de uma vida voltada cada vez mais para o trabalho”.

Redes sociais

“Minha atuação recente nas redes sociais começou por causa da quarentena. Eu sempre estive muito rodeada de pessoas, então, senti o isolamento. Quando rolou esse lance do coronavírus, pensei: já que a realidade é essa, vou fazer alguma coisa para me sentir bem. Comecei a gravar algumas músicas, com amigos próximos. Falei com Jonathas (Marques), que é do Choro da Terra e também um grande amigo meu, para gravar algumas músicas. Postei nas redes sociais e os internautas gostaram. Então, comecei a convidar pessoas com as quais eu nunca tinha tocado antes, e que sempre tive vontade, mas não conseguia por causa da correria. Chamei amigos que tocaram comigo em Campinas e também um amigo que eu conheci no Clube do Choro, em Londres, na Inglaterra. Eu vi nisso a oportunidade de fazer coisas que antes não tinha como fazer e estou adorando”.

Retorno dos fãs

“Está sendo legal. Pessoas que não me seguiam antes, começaram a me seguir (nas redes sociais). Elas puxam assunto e acabo conversando com um monte de gente que eu não conheço. Fiz uma live para o Festival Cultura em Casa e também para o Dia do Choro (comemorado em 23 de abril). Algumas lives são mais sérias, outras envolvem mais brincadeiras. E a gente toca tudo o que a galera pedir”.

Planos

“Ainda estou pensando em como vão ser as coisas. Eu ia casar hoje com o Diego, meu noivo lindo e maravilhoso. Coloque isso na entrevista (risos). Hoje também estamos fazendo um ano de relacionamento. Adiamos o casamento para outubro, embora a gente saiba que provavelmente não vai rolar por causa da pandemia. Fora isso, tento não fazer muitos planos, porque eu não sei quanto tempo essa situação vai durar. O que eu tenho feito é viver um dia de cada vez. Estou dando aula (online). Tenho um aluno no Japão, outro em São Paulo, e também dou aula para uma amiga que está na Áustria. Esse isolamento vai mudar muito a forma como as pessoas estão trabalhando e vivendo. Acredito que isso vai possibilitar, de certa forma, uma proximidade maior e, talvez, novas oportunidades de trabalho”.

Recado para os fãs

“Vivam um dia de cada vez, se cuidem, pelo amor de Deus. Não saiam de casa se vocês puderem, claro. Para quem não pode ficar em casa, precisa tomar todos os cuidados com a higiene, usar máscara e manter o distanciamento das outras pessoas. Se cuidem da melhor forma possível. Ouçam e valorizem a música potiguar”.

Acompanhe a artista pelas redes sociais e também pelo YouTube:

Facebook: @Priscilamatos

Instagram: @priscilamatosmusica

YouTube: Priscila Matos

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