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Depoimento

Presidente da Conafer é preso durante depoimento à CPMI do INSS após acusação de fraude

Carlos Roberto Ferreira Lopes negou envolvimento em esquema de fraudes bilionárias, mas foi detido após mentir à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito
Redação
30/09/2025 | 09:43

O presidente da Conafer (Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), Carlos Roberto Ferreira Lopes, foi detido em flagrante na madrugada desta terça-feira 30 durante seu depoimento à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O senador Carlos Viana (Podemos-MG), que preside a comissão, afirmou que Lopes mentiu durante a oitiva, contrariando seu compromisso de falar a verdade.

A CNN apurou que Lopes foi liberado após o pagamento de uma fiança. Durante a sessão, ele negou qualquer envolvimento no esquema de fraudes bilionárias descobertas após uma operação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) em abril deste ano.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, e Carlos Roberto Ferreira Lopes Carlos Moura/Agência Senado
Presidente da CPMI, senador Carlos Viana, e Carlos Roberto Ferreira Lopes. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Lopes declarou que não tinha conhecimento sobre as operações de pessoas e empresas ligadas à Conafer. “A Conafer e este presidente são contra qualquer tipo de corrupção, fraude ou práticas que envolvam subtração de valores ou representatividade”, afirmou logo no início de seu depoimento. A Conafer é uma das entidades mais investigadas no caso, tendo registrado um aumento significativo nos descontos sobre aposentadorias e pensões do INSS entre 2019 e 2024. O valor saltou de R$ 400 mil para R$ 277 milhões.

O relatório da PF que originou a operação aponta que aposentados e pensionistas da Conafer tiveram descontos maiores do que os registrados nos documentos de autorização. Isso sugere que, além de possíveis descontos indevidos, a cobrança feita pela instituição estava bem acima do que deveria ser.

Lopes também negou qualquer movimentação financeira incompatível com seu patrimônio. Ele refutou as alegações do relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que afirmou que Lopes teria movimentado R$ 1,76 milhão em dois meses, embora seu patrimônio declarado fosse de apenas R$ 60 mil.

Em outro momento da oitiva, Gaspar questionou o presidente da Conafer sobre a prática de “ressuscitar” pessoas falecidas para assinatura de adesões de descontos associativos. “Em 2024, a Conafer foi obrigada pela CGU a mandar 100 fichas para conferência das regularidades das adesões. O senhor enviou a ficha de Maria Rodrigues, que faleceu há cinco anos, mas que apareceu assinando. Isso se repetiu mais de 300 vezes”, disse Gaspar. “Gilberto morreu há 20 anos, mas também assinou. Isso é um padrão da Conafer?”, questionou.

Lopes respondeu, de forma provocativa: “É padrão do INSS ter falecido recebendo benefício? Se o falecido estava recebendo benefício, então, sim.”