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Saneamento

Praias de João Pessoa registram descarte irregular de esgoto no início de 2026

Episódio atinge áreas turísticas como Tambaú, Manaíra e Cabo Branco em meio a alta ocupação hoteleira
Redação
09/01/2026 | 15:50

Praias de João Pessoa voltaram a registrar descarte irregular de esgoto no mar nos primeiros dias de 2026, atingindo áreas turísticas como Tambaú, Manaíra e Cabo Branco. O problema foi observado em meio ao aumento do fluxo de visitantes na capital paraibana, que registra ocupação hoteleira superior a 90%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Paraíba (ABIH-PB).

Na manhã de terça-feira 6, o servidor público Dannyel Delgado, 36 anos, encontrou o mar de Tambaú com água escura ao chegar para passar férias na cidade. Ele havia viajado do Rio Grande do Sul para três semanas de descanso em João Pessoa. “É uma tristeza a gente encontrar João Pessoa com esgoto na praia. Volto meio constrangido para o Rio Grande do Sul, de saber que não está tão legal”, afirmou em entrevista a Folha de S. Paulo. O turista disse que não entrou no mar por causa da presença de sedimentos.

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Água escura foi registrada em praias urbanas de João Pessoa nos primeiros dias de 2026 - Foto: Reprodução

O descarte irregular de esgoto nas praias da capital não é um episódio isolado. O problema ocorre há pelo menos duas décadas, mesmo com a cidade sendo conhecida por manter praias urbanas próprias para banho durante grande parte do ano.

Na última semana de dezembro, todos os pontos monitorados estavam próprios para banho, de acordo com análise de balneabilidade da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema). O resultado da medição da primeira semana de janeiro ainda não foi divulgado.

Diante do cenário registrado nesta semana, o Ministério Público da Paraíba convocou uma reunião para discutir o tema. Enquanto isso, representantes da Prefeitura de João Pessoa e do governo do estado trocaram acusações sobre as causas do lançamento irregular de esgoto no mar.

O prefeito Cícero Lucena (MDB) afirmou na terça-feira (6) que o problema decorre de falhas no sistema sanitário da cidade, cuja responsabilidade é da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), estatal vinculada ao governo estadual.

“Se há transbordo desse material em função da incapacidade da estrutura hoje implantada na cidade de João Pessoa para absorver seu crescimento, obviamente que tem que ser responsabilizada a Cagepa”, disse.

O presidente da Cagepa, Marcus Vinícius Neves, atribuiu parte do problema à gestão municipal. “Como está a limpeza das galerias pluviais? E a fiscalização das ligações clandestinas de esgoto na drenagem? Esse problema de ligação clandestina é histórico”, afirmou.

O embate ocorre em meio ao rompimento político entre o prefeito e o governador João Azevêdo (PSB). Em segundo mandato, Cícero Lucena deve disputar o governo da Paraíba neste ano. A tendência é que ele enfrente o atual vice-governador, Lucas Ribeiro (PP), indicado por Azevêdo como candidato à sucessão.

Há cinco anos, quando João Pessoa enfrentou situação semelhante, prefeito e governador eram aliados e anunciaram investimentos em tecnologia para identificar ligações clandestinas entre redes de esgoto e drenagem pluvial.

A promotora de Meio Ambiente de João Pessoa, Cláudia Cabral, afirmou que o problema envolve múltiplos fatores e exige atuação conjunta das instituições.

“Quando um ente transfere a responsabilidade ao outro, o problema ambiental continua, e quem sofre é a população, o meio ambiente marinho e a imagem da cidade”, disse. Segundo ela, empresas também realizam ligações irregulares, lançam esgoto em galerias pluviais ou fazem conexões indevidas, e os responsáveis podem responder criminalmente.

O Ministério Público elaborou um relatório técnico com diagnóstico sobre as causas do descarte irregular de esgoto, que deve ser divulgado nos próximos dias. O documento foi produzido por um engenheiro ambiental.

Dados do Instituto Trata Brasil indicam que João Pessoa possui cobertura de esgotamento sanitário em 78% dos domicílios.