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Esportes

Pirataria de transmissões de futebol cresce com avanço tecnológico e mobiliza reação da La Liga

Entidade espanhola alerta para riscos de fraude e roubo de dados e diz que conteúdo ilegal já representa parcela relevante do consumo audiovisual em vários países
Por O Correio de Hoje
16/03/2026 | 09:10

Em meio à expansão das plataformas digitais e à facilidade de acesso a transmissões online, assistir ilegalmente a jogos de futebol tornou-se cada vez mais simples e disseminado. Em muitos casos, os usuários encontram transmissões piratas com qualidade semelhante à de serviços oficiais, disponíveis ao vivo e acessíveis em diferentes dispositivos. Diante desse cenário, a La Liga intensificou ações para combater a pirataria audiovisual, que considera uma ameaça crescente ao modelo de financiamento do futebol profissional.

A entidade, responsável pela organização da primeira e da segunda divisões do futebol espanhol, afirma que o combate à fraude ainda avança lentamente, sobretudo pela baixa percepção pública dos riscos associados a essa prática, que é considerada crime. Um dos focos da liga é ampliar a conscientização dos consumidores sobre os perigos de acessar conteúdos ilegais, que podem incluir roubo de dados pessoais, fraudes financeiras e comprometimento de dispositivos.

Bragantino
Pirataria de transmissões de futebol cresce - Foto: reprodução Youtube

No início da temporada 2025/26, a organização lançou a campanha “You Get Pirated Football, They Get You” (“Você assiste futebol pirata, eles pegam você”, em tradução livre). A iniciativa busca alertar que, ao acessar transmissões ilegais, os usuários podem se tornar alvo de redes criminosas que exploram vulnerabilidades tecnológicas.

Estudos indicam que a pirataria já representa uma parcela expressiva do consumo audiovisual em diferentes regiões. Na Espanha, pesquisa da consultoria YouGov apontou, em maio, que 33% da população consome conteúdos piratas. Entre jovens de 15 a 24 anos, o índice chega a 42%, segundo levantamento do European Union Intellectual Property Office.

Os números também são elevados na América Latina. De acordo com estudo da Ampere Analysis, 77% dos entrevistados no México afirmam recorrer à pirataria ao menos uma vez por mês. No Brasil, o percentual é de 67%.

Para a liga espanhola, o crescimento desse tipo de consumo exige respostas rápidas tanto do setor esportivo quanto de empresas de tecnologia, que, segundo a entidade, ainda não atuam com a urgência necessária para conter o problema.

Entre as medidas adotadas pela liga está o bloqueio dinâmico de endereços IP, mecanismo que permite identificar e interromper transmissões ilegais em tempo real. Com esse sistema e outras ações de monitoramento, a organização afirma ter reduzido em 60% a fraude audiovisual na Espanha em um período de um ano.

Segundo Rebeca Díaz, diretora de audiovisual da La Liga, grande parte das operações de pirataria está ligada a estruturas organizadas e financeiramente robustas.

“Os principais responsáveis são redes de crime organizado e grupos bem financiados que operam infraestruturas em escala industrial. Atualmente, a pirataria é predominantemente digital (especialmente via IPTV, streaming na web e redes peer-to-peer) e, portanto, exige ações de fiscalização ao vivo e em tempo real, incluindo bloqueio dinâmico de IP durante fins de semana e janelas de jogos, uma capacidade que ainda não está disponível no Brasil”, afirma.

A preocupação também se estende aos impactos financeiros. Um relatório da Cybersecurity Ventures estima que o custo global do cibercrime tenha alcançado cerca de 8 trilhões de dólares em 2023 (aproximadamente R$ 43 trilhões). A projeção é que esse valor chegue a 10,5 trilhões de dólares anuais até 2025.

No caso do futebol, a pirataria pode comprometer diretamente o modelo econômico das competições. Na Espanha, os direitos de transmissão representam a principal fonte de receita para cerca de 80% dos clubes profissionais.

Para a La Liga, se o combate à pirataria não ganhar prioridade global, os efeitos podem atingir toda a cadeia do esporte, desde a formação de atletas nas categorias de base até a sustentabilidade financeira de clubes tradicionais.