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Reality

PF proíbe gravação do reality ‘Área Restrita’ em aeroportos e cria atrito com Receita

Decisão impede filmagens em áreas de segurança e reacende debate sobre competência para autorizar acesso a recintos alfandegados
31/01/2026 | 13:38

A Polícia Federal determinou a interrupção das gravações do programa de televisão “Aeroporto: Área Restrita” em áreas de segurança de aeroportos do país, medida que abriu divergência com a Receita Federal sobre a autoridade para liberar acessos nesses locais.

Conforme a produtora responsável pelo reality, a PF negou o credenciamento da equipe em Guarulhos (SP) e cancelou autorizações previamente concedidas para filmagens em outros terminais. A atração acompanha a rotina de agentes públicos na fiscalização de passageiros e na identificação de irregularidades.

area restrita
Cena do reality “Aeroporto: Área Restrita” mostra atuação de agentes durante fiscalização de passageiros em terminal aeroportuário Foto: Divulgação

A Receita Federal sustenta que a definição de quem pode acessar áreas alfandegadas é atribuição do próprio órgão. Já a Polícia Federal argumenta que a segurança aeroportuária está sob sua responsabilidade, o que inclui o controle de circulação em espaços classificados como restritos.

Em ofício enviado à concessionária RIOgaleão, o delegado José Paulo Martins Duval orientou que não fossem liberadas credenciais para equipes de filmagem em áreas de segurança. O documento também proíbe o registro de imagens de procedimentos operacionais, servidores e estruturas consideradas sensíveis.

Exibido desde 2017, o programa ganhou visibilidade ao mostrar ações de fiscalização e ocorrências envolvendo ilegalidades, como tráfico de drogas. Entre os servidores que aparecem na produção está o auditor da Receita Federal Mário de Marco Rodrigues de Souza, que atuou no caso das joias da Arábia Saudita durante o governo Jair Bolsonaro.

Relatos de bastidores indicam que já havia registros de tensão entre PF e Receita durante gravações em Guarulhos, e que o clima se intensificou recentemente no Galeão, inclusive com presença ostensiva de policiais armados próximos às áreas alfandegadas.

Em nota, a Polícia Federal afirmou que a restrição segue normas constitucionais e regulamentares ligadas à segurança da aviação civil. O órgão citou a Constituição Federal, o Programa Nacional de Segurança da Aviação Civil e regras da Anac para justificar a limitação de acesso, ressaltando que áreas sensíveis devem ser frequentadas apenas por profissionais com necessidade operacional.

A corporação também declarou que não participa do programa há anos e destacou que a presença contínua de equipes de filmagem em áreas operacionais pode comprometer a privacidade dos abordados e expor estratégias de combate a ilícitos.

A produtora Moonshot informou que iniciou as gravações da oitava temporada em dezembro de 2025 e que havia recebido autorização inicial para atuar nos aeroportos de Viracopos, Galeão e Pinto Martins. Segundo a empresa, o projeto conta com apoio de diferentes órgãos públicos e concessionárias.

A Moonshot afirma que o programa possui caráter educativo e informativo e ressalta que, ao longo de sete temporadas, não houve registros de incidentes que afetassem a segurança aeroportuária. A produtora diz esperar uma revisão da decisão.

Procuradas, a Receita Federal e a concessionária RIOgaleão não se manifestaram.

*Com informações da Folha de São Paulo