A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira 13, uma nova fase da Operação Overclean, com mandados de busca e apreensão que incluem como alvo o deputado federal Félix Mendonça (PDT-BA). Houve busca no apartamento funcional do parlamentar em Brasília.
As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em nove endereços em municípios da Bahia, como Salvador e Mata de São João, e no Distrito Federal.

O objetivo da ação, segundo a polícia, é desarticular uma organização criminosa suspeita de desvio de recursos públicos de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro.
Em nota, o deputado disse que jamais negociou a execução de emendas parlamentares, nunca indicou empresas e não exerce qualquer função de ordenador de despesas. Destacou que seu papel se limitou à apresentação de emendas para assegurar recursos federais aos municípios que representa.
Ele ainda afirmou que está contribuindo com as investigações, disse ter recebido com surpresa a nova operação e lembrou que em junho de 2025 houve buscas com essa mesma finalidade.
“Passados mais de seis meses, sem que tenha sido encontrado qualquer elemento contra o deputado, a nova diligência causa estranhamento, especialmente diante da inexistência de fatos novos que justifiquem a medida”, afirmou.
O STF também determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas, com o objetivo de interromper a movimentação de valores de origem ilícita e preservar ativos para eventual reparação aos cofres públicas.
Segundo a PF, os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro. A ação teve apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.
O parlamentar já havia sido alvo da mesma operação em junho do ano passado. Nesse caso, a PF indicou que um grupo criminoso atuaria para liberar emendas parlamentares destinadas aos municípios baianos de Boquira, Ibipitanga e Paratinga, no período de 2021 a 2024.
As medidas teriam sido feitas mediante pagamento de vantagem indevida e com manipulação de procedimentos licitatórios. Havia indícios de que um assessor parlamentar de Mendonça seria o principal operador financeiro do esquema. Contra ele foram expedidas medidas de busca e afastamento do cargo.
Na ocasião, Mendonça disse ter ficado surpreso com a operação e negou irregularidades na destinação de suas emendas. Ele também afirmou não haver coisa errada ou ter enviado emenda para ilícitos. “Prezo muito pelo meu mandato. Estou surpreso. É algo muito ruim. Tudo vai ser investigado e esclarecido, mas já é uma mancha”, afirmou.