A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta terça-feira 27, uma operação conjunta com o objetivo de desarticular um suposto esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos e a fraudes em procedimentos licitatórios. A ação foi batizada de Operação Mederi.
Ao todo, os agentes saíram às ruas para cumprir 35 mandados de busca e apreensão no Estado, além da adoção de medidas cautelares e patrimoniais determinadas no âmbito da investigação. Os mandados foram autorizados pelo desembargador Rogério Fialho Moreira, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5).

Entre os alvos da operação, está o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), que é pré-candidato ao Governo do Estado. Além dele, a PF e a CGU miram o vice-prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros (PSD); o prefeito de São Miguel, Leandro do Rêgo Lima (União), o prefeito de Paraú, Júnior Evaristo (PP); além da chefe de gabinete da Prefeitura de José da Penha, que é irmã do prefeito do município, Jairo Mafaldo (PT). Também foi cumprido mandado de busca na residência do irmão do prefeito de São Miguel.
Segungo a PF, as fraudes teriam ocorrido em seis municípios potiguares: José da Penha, Mossoró, São Miguel, Serra do Mel, Paraú e Tibau. Mandados foram cumpridas nessas cidades e também em Natal e Upanema – onde mora o sócio da empresa Dismed Distribuidora de Medicamentos Ltda., que seria integrante do esquema.
Segundo o último balanço divulgado pela PF às 18h, foram apreendidos ao todo: 33 celulares, 34 dispositivos eletrônicos (notebooks, HDs e tablets), 4 veículos, 117 documentos e R$ 251 mil em espécie. Parte do dinheiro apreendido foi encontrado em uma caixa de isopor na casa de Oseas Monthalggan, um dos sócios da Dismed.
Apreensão na casa do prefeito
Em Mossoró, a Polícia Federal cumpriu mandado na residência do prefeito Allyson Bezerra. Em vídeo publicado nas redes sociais, o gestor confirmou a apreensão de um telefone celular, um notebook e dois HDs pessoais. Allyson afirmou que recebeu os agentes com cordialidade e declarou que está tranquilo, em casa com a família.
“Não tenho compromisso com o erro. Acredito na Justiça e por ela lutarei todos os dias da minha vida”, afirmou. O prefeito disse ainda que vai colaborar com a investigação e defendeu que a apuração seja conduzida com rigor. “Vou enfrentar isso com fé, determinação e coragem, com a integridade de apresentar todos os fatos e documentos. Faço questão que toda a investigação seja conduzida com total rigor da lei”, declarou.
Segundo Allyson, a investigação teve início em 2023 e está relacionada ao fornecimento de medicamentos. Ele destacou que, naquele ano, editou um decreto determinando que todos os medicamentos distribuídos pela rede municipal passassem por um sistema federal de transparência, medida que, segundo ele, foi comunicada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN), ao Ministério Público do Rio Grande do Norte e a outros órgãos de controle.
Investigação e auditorias
De acordo com a Polícia Federal, a operação tem como base auditorias realizadas pela CGU. Documentos do órgão apontam falhas na execução contratual, incluindo indícios de compra de materiais que não foram entregues, fornecimento inadequado de insumos e sobrepreço nos contratos analisados.
As investigações envolvem empresas sediadas no Rio Grande do Norte, que atuavam junto a administrações municipais de diversos estados.
Durante as diligências, a Polícia Federal também apreendeu dinheiro em espécie na residência de um dos sócios de uma empresa investigada.

Os investigados poderão responder por crimes relacionados a desvios de recursos públicos e fraudes em contratações administrativas. Até o momento, não houve divulgação de denúncias formais nem de valores totais envolvidos no esquema.