O mercado de petróleo iniciou o segundo mês da guerra no Irã em trajetória de alta, refletindo a intensificação do conflito e seus impactos sobre a oferta global da commodity. Por volta das 22h20 deste domingo 29, o barril do tipo Brent para entrega em junho de 2026 era negociado a US$ 108,87, com valorização de 3,28%, conforme dados da plataforma Investing.com. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, até a última sexta-feira 27, os contratos futuros já acumulavam alta superior a 45%. Antes do conflito, o Brent era cotado a US$ 72,48.
No contrato com vencimento em maio, a valorização foi ainda mais expressiva, com o barril atingindo US$ 115,33 — avanço de 58% no período.

A elevação dos preços está diretamente relacionada às interrupções no fluxo de petróleo pelo estreito de Hormuz, rota estratégica por onde transita cerca de 20% da produção mundial. A redução no abastecimento global tem pressionado os mercados e ampliado as projeções de alta.
O economista-chefe global do JPMorgan, Bruce Kasman, afirmou que a manutenção do bloqueio pode agravar o cenário. “Quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, maior será a redução nos estoques de reserva, o que poderá desencadear aumentos expressivos no preço do petróleo bruto, do gás natural e de outras commodities”, disse. Ele acrescentou que, caso a restrição se prolongue por mais um mês, os preços podem se aproximar de US$ 150 por barril, com impacto direto sobre consumidores industriais de energia.
No campo militar, a tensão segue em escalada. Durante o fim de semana, rebeldes houthis do Iêmen — aliados do Irã — lançaram mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início do conflito. Ao mesmo tempo, forças israelenses intensificaram ataques em Teerã e ampliaram operações no Líbano.
Também no domingo, Mohammad Bagher Ghalibaf, um dos principais líderes militares iranianos, acusou os Estados Unidos de utilizarem iniciativas diplomáticas como estratégia para preparar ações terrestres.
De acordo com o jornal The Washington Post, citando autoridades americanas sob anonimato, o Pentágono avalia a realização de operações terrestres por semanas, com incursões de forças especiais em território iraniano, sem caracterizar uma invasão em larga escala.
O comandante da Marinha iraniana, Shahram Irani, afirmou que o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln será alvo caso entre no alcance das forças iranianas.
No Brasil, os reflexos da alta internacional já chegaram às bombas. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina atingiu R$ 6,78 por litro na semana passada, aumento de 8% em relação ao período anterior ao início da guerra — cerca de R$ 0,50 a mais por litro.
O diesel S-10 foi comercializado, em média, a R$ 7,57 por litro, com alta acumulada de 24%, o equivalente a R$ 1,48 por litro desde a semana anterior ao conflito.
Diante da pressão sobre os preços, governos estaduais devem decidir nos próximos dias sobre a adoção de um subsídio ao diesel importado. A proposta do governo de Luiz Inácio Lula da Silva prevê um benefício adicional de R$ 1,20 por litro, dividido entre União e estados — sendo R$ 0,60 custeado pelo governo federal.
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