Uma perícia particular contratada pela família de PC Siqueira concluiu que o influenciador foi assassinado por estrangulamento e não morreu por suicídio, como apontaram os laudos oficiais divulgados anteriormente. O caso, registrado em dezembro de 2023, segue sob investigação da Polícia Civil de São Paulo.
Paulo Cezar Goulart Siqueira, um dos pioneiros da produção de conteúdo digital no Brasil, foi encontrado morto aos 37 anos no apartamento onde morava, na Zona Sul da capital paulista. Em 2025, exames do Instituto Médico Legal e do Instituto de Criminalística concluíram que ele tirou a própria vida por enforcamento com uma cinta de catraca laranja.

O novo parecer técnico, elaborado em março de 2026 pelo perito Francisco João Aparício La Regina, ex-integrante da Polícia Técnico-Científica, afirma que as marcas encontradas no pescoço do influenciador são compatíveis com um fio fino, semelhante a fones de ouvido encontrados no imóvel, e incompatíveis com a cinta apontada no laudo oficial. Segundo a análise, a morte teria ocorrido por asfixia provocada por estrangulamento. O documento, no entanto, não aponta quem teria cometido o suposto crime.
Diante da divergência entre as versões, o Ministério Público determinou que o fio de fones de ouvido seja encaminhado aos órgãos periciais oficiais para uma nova avaliação. Como a morte ocorreu há mais de dois anos, não será possível exumar o corpo. Os exames complementares deverão ser feitos a partir de fotografias e registros técnicos produzidos à época.
No fim de 2025, a Justiça determinou a continuidade das investigações após pedido do Ministério Público. O inquérito havia sido concluído inicialmente como suicídio, mas promotores apontaram dúvidas nos laudos e contradições em depoimentos colhidos durante a apuração. Com isso, a polícia passou a considerar outras hipóteses, entre elas homicídio com simulação de suicídio, instigação ao suicídio e omissão de socorro.
A então ex-namorada de PC Siqueira, Maria Luiza Lopes Watanabe, foi ouvida como testemunha e relatou que presenciou o momento em que ele teria se enforcado, sem conseguir impedir. Segundo seu depoimento, ela saiu do apartamento pedindo ajuda. Uma vizinha afirmou que encontrou o influenciador pendurado pela cinta e cortou o objeto na tentativa de socorrê-lo.
PC Siqueira ganhou projeção nacional no início da era dos influenciadores digitais com vídeos publicados no YouTube, especialmente no canal “Maspoxavida”. Ele também apresentou programas na MTV Brasil e participou de projetos em outras plataformas. Nos últimos anos, sua trajetória pública foi marcada por polêmicas e investigações, sempre negadas por ele.
O caso segue em aberto e aguarda os resultados das novas análises periciais solicitadas pelas autoridades.
A defesa de Maria Luiza divulgou a seguinte nota na íntegra:
“A defesa acompanha a investigação com tranquilidade e confia no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos. Ressalta, ainda, que o inquérito tramita sob sigilo, razão pela qual manifestações públicas devem ser feitas com cautela.
A posição da defesa é clara no sentido de que não há elementos técnicos ou probatórios que sustentem a atribuição de responsabilidade à Sra. Maria Luiza pelos fatos investigados. Nesse sentido, importa destacar que, até o momento, não há qualquer acusação formal ou imputação concreta contra a Sra. Maria Luiza, no âmbito de investigação que, inclusive, conta com laudos oficiais apontando morte por enforcamento.
Destaque-se que estes laudos oficiais são elaborados pelos órgãos do Estado, sendo exames realizados com critérios técnicos, imparcialidade e controle institucional.
Já eventuais pareceres particulares, ainda que possam ser juntados aos autos, são produzidos por profissionais contratados por uma das partes, razão pela qual não possuem o mesmo grau de imparcialidade da perícia oficial.
Observa-se, por fim, que parte das acusações se apoia em relatos indiretos e versões que apresentam divergências entre si, sem respaldo nos elementos constantes dos autos, o que já vem sendo esclarecido pela defesa ao longo da investigação.”