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Hanseníase

OMS atrasa doação de medicamentos para hanseníase e brasileiros ficam sem tratamento

Medicamentos essenciais para o tratamento primário da hanseníase - poliquimioterapia e clofazimina - são doados ao Brasil pela Organização Mundial da Saúde (OMS)
Agora RN
26/03/2024 | 13:01

O Ministério da Saúde enfrenta uma situação de escassez de medicamentos para o tratamento da hanseníase, resultando na impossibilidade de muitos pacientes em todo o país começarem ou continuarem seu tratamento.

Um documento do ministério, obtido pela Folha de São Paulo, revela que os medicamentos essenciais para o tratamento primário da hanseníase – poliquimioterapia e clofazimina – são doações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e ainda não foram recebidos. O ministério atribuiu o atraso a problemas de produção e logística no transporte marítimo na região do Oriente Médio, com expectativa de recebimento dos produtos ainda em março.

Fachada do Ministério da Saúde na Esplanada dos Ministérios
Fachada do Ministério da Saúde na Esplanada dos Ministérios em Brasília - Foto: Divulgação

Entretanto, o próprio Ministério da Saúde reconhece no documento que, em relação à clofazimina, os quantitativos recebidos em 2023 já não eram suficientes para atender à demanda crescente devido ao aumento do consumo.

Entidades destacam que a distribuição irregular dos medicamentos já vem sendo observada desde o início da pandemia de Covid-19, e que o ministério não elaborou nenhum plano alternativo eficaz para lidar com a situação.

Como resposta à escassez, o ministério sugere o uso de medicamentos de segunda linha, como o ROM (Rifampicina + Ofloxacino + Minociclina), em dose mensal única. Embora haja respaldo científico para essa recomendação, especialistas alertam que esses medicamentos podem não ser eficazes para todos os tipos da doença e também estão em falta em algumas regiões.

Representantes de organizações como o Morhan e a Sociedade Brasileira de Hansenologia criticam a abordagem “simplista e irresponsável” do Ministério da Saúde, destacando a falta de esforços para garantir a produção ou aquisição dos medicamentos essenciais para o tratamento da hanseníase.

Além disso, apontam que há um desconhecimento por parte do ministério sobre a realidade das unidades de saúde locais, muitas das quais também não possuem os medicamentos de segunda linha.

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