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Saúde
Nova pesquisa estima pelo menos 20 mil contaminados pelo coronavírus no RN
Levantamento feito pelo Imperial College, de Londres, mostra que número de contágios pode ser até 10 vezes maior que os números oficiais no Rio Grande do Norte; taxa de testagem potiguar é de 0,2 análises de Covid-19 para cada 100 mil pessoas
Redação
11/05/2020 | 05:02

Cerca 20 mil potiguares já devem ter se infectado com o novo coronavírus, aponta estimativa divulgada na última sexta-feira (8) pelo Imperial College de Londres, uma das principais instituições de pesquisa do mundo.

A estimativa do instituto científico, que analisou números de 16 Estados brasileiros, é de que 4,2 milhões de pessoas estejam contaminadas em todo o Brasil.

Ainda de acordo com o estudo, o Rio Grande do Norte tem 0,56% da população contaminada. A margem de confiabilidade da pesquisa é de 95%. Desta forma, o número de potiguares infectados pode estar entre 14,7 mil e 23,7 mil.

Os números do Imperial College são 10 vezes maiores que o atual número de infectados no Rio Grande do Norte. Dados da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) registram 1.930 casos da doença. A disparidade pode estar relacionada com a capacidade da testagem. Até este domingo (10), apenas 7 mil pessoas foram testadas em território potiguar.

A pesquisa do instituto inglês mostra preocupação com a taxa de reprodução do contágio. Os dados mostram que a pandemia continua em aumento exponencial em todos os 16 Estados brasileiros analisados. Segundo os autores, o número de reprodução do Rio Grande do Norte é de 1,18. O número mais alto é observado no Pará, de 1,90.

O Imperial College alerta que a taxa está acima de 1 em todos esses Estados, o que indica que a epidemia ainda não está controlada. O número de reprodução – a medida da intensidade da transmissão – significa que um indivíduo pode outro indivíduo.

O Imperial College ressalta que, mesmo com o número de mortes – 10.6711 óbitos até este domingo (10) –, o Brasil ainda passa por uma fase incipiente da epidemia. Com isso, afirmam os pesquisadores, os gestores públicos têm de adotar ações mais efetivas para o controle da infecção.

“Embora a epidemia brasileira ainda seja relativamente incipiente em escala nacional, nossos resultados sugerem que ações adicionais são necessárias para limitar a propagação e impedir a sobrecarga do sistema de saúde”, escrevem os autores.

O Imperial College é um dos institutos de pesquisa mais conceituados do mundo em modelagem matemática. A instituição, ainda em março, convenceu o primeiro ministro do Reino Unido, Boris Johnson, de que o isolamento social era a única medida possível para evitar um número catastrófico de mortes no país.

Menos de 1% da população passou por testagens da Covid-19

O número de testes de coronavírus contabilizados no Rio Grande do Norte era de 7.240 até o dia 10 de maio, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap). O resultado é um índice de testagem de 0,2 a cada 100 mil habitantes. O número mostra como os gestores de saúde estão longe de identificar a real situação da Covid-19 dentro do território potiguar.

O índice de testagem potiguar está abaixo da média nacional, que é de 0,63 testes por 100 mil habitantes, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Ou seja, menos de 1% da população da população foi testada. O Estado tem 3,5 milhões de habitantes.

Do total de testes, 5.584 foram do tipo RT-PCR, através de análise genética, cuja confirmação é obtida através da detecção do RNA do coronavírus (SARS-CoV-2). Outros 1.656 foram testes rápidos. É um análise da resposta imunológica do corpo em relação ao vírus.

De acordo com a Universidade de Oxford, na Inglaterra, que a verificou a capacidade de testagem para a Covid-19 de mais de 100 país, nenhum governo conhece hoje o verdadeiro número de casos de pessoas infectadas com Covid-19. “Tudo o que sabemos é o status da infecção daqueles que foram testados. Todos aqueles que têm uma infecção confirmada em laboratório são contados como casos confirmados. Isso significa que a contagem de casos confirmados depende de quanto um país realmente testa. Sem teste, não há dados”, diz a pesquisa.

No Rio Grande do Norte, os diagnósticos para Covid-19 não são ofertados para toda a população. Segundo a nota técnica da Sesap do dia 28 de março, podem fazer a análise profissionais de saúde, pessoas com diagnóstico de síndrome gripal, idosos (igual ou superior a 60 anos), cuidadores de idosos, pessoa portadora de doença crônica e a população de rua.

A expectativa é de que o Estado recebe uma nova remessa de testes ainda nesta semana. O Ministério da Saúde começou no último dia 3 de maio a distribuição de 20 milhões de testes no país para a chamada “testagem em massa”. Serão priorizadas pessoas do grupo de risco e outras, como profissionais de Saúde e da Segurança Pública.

A metodologia de testagem, segundo ele, está sendo feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O instituto é que vai definir quem vai ser testado.

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