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No RN

Lula cita caso de Juliana Soares e defende penas mais duras para agressores de mulheres

Declarações foram feitas nesta quarta-feira 2, durante a inauguração do Túnel Major Sales, estrutura que compõe o Ramal Apodi
Redação
02/07/2026 | 13:41

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o endurecimento das penas para autores de violência contra a mulher e citou o caso de Juliana Soares, que foi agredida com 61 socos pelo namorado dentro de um elevador em Natal, como exemplo da necessidade de fortalecer o combate ao feminicídio e à violência doméstica. As declarações foram feitas nesta quarta-feira 2, durante a inauguração do Túnel Major Sales, estrutura que compõe o Ramal Apodi.

Ao abordar o tema, Lula afirmou que o país enfrenta um cenário preocupante de violência contra as mulheres e direcionou um recado aos homens. Segundo o presidente, muitos episódios de agressão são motivados pelo ciúme, comportamento que ele classificou como uma demonstração de insegurança e falta de caráter. “O homem que bate na mulher porque é ciumento precisa saber que o ciúme é uma doença. O ciúme é falta de caráter. É não confiar na pessoa que você vive”, afirmou.

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o endurecimento das penas para autores de violência contra a mulher. Foto: Reprodução

O presidente disse que o governo federal tem ampliado as ações de enfrentamento à violência de gênero por meio do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios e defendeu punições mais rigorosas para quem agride mulheres. “Nós estamos fazendo o pacto contra a violência contra a mulher, o pacto contra o feminicídio. E nós vamos endurecer. O cidadão que bate na mulher vai ter que ser punido”, declarou.

Lula também defendeu o aumento das penas para autores de feminicídio e afirmou que crimes dessa natureza não podem ser tratados com tolerância. Ao citar episódios extremos de violência, disse que “não é possível o cidadão trancar a mulher e o filho dentro de casa e tocar fogo na casa” nem “pegar a mulher e dar 66 socos na cara dela”.

Durante o discurso, o presidente questionou por que os agressores costumam direcionar a violência às mulheres, em vez de confrontarem pessoas que poderiam reagir. “Por que o cara não vai ser bravo com outro cara de quem ele tem medo? Por que ele vai ser bravo com a mulher?”, perguntou.

Lula também afirmou que o respeito às mulheres deve ser um compromisso de todos os homens, lembrando que todos nasceram de uma mulher. “É importante que todo homem saiba: nós só existimos porque nascemos de uma mulher. Então, se elas colocaram nós no mundo, nós vamos aprender a respeitá-las. Igual você respeita a sua mãe, igual você respeita a sua irmã. É preciso respeitar. Nada de violência”, disse.

Segundo o presidente, o enfrentamento à violência contra a mulher é uma prioridade do governo federal e envolve também outros Poderes. “A gente vai, efetivamente, levar muito a sério. Já está o governo responsável por isso, está o Supremo Tribunal Federal, está o Senado e a Câmara”, afirmou.

Juliana foi agredida pelo então namorado dentro do elevador de um condomínio em Natal. As imagens da violência repercutiram nacionalmente.

O caso

O crime aconteceu no dia 26 de julho de 2025, em um condomínio no bairro Ponta Negra, na Zona Sul de Natal. As agressões sofridas por Juliana Soares foram registradas por uma câmera de segurança localizada dentro do elevador. O acusado desferiu 61 socos na vítima e chegou a atingi-la mesmo após ela ter caído no chão.

A mulher saiu do elevador com o rosto ensanguentado e foi levada ao Hospital Walfredo Gurgel, onde foram constatadas múltiplas fraturas no rosto e no maxilar. Ela passou por cirurgia e recebeu alta hospitalar em 4 de agosto.

Após a prisão, Igor Cabral foi transferido para a Cadeia Pública de Ceará-Mirim. De acordo com a Polícia Civil, antes da agressão o casal teria discutido na área de lazer do residencial durante um churrasco com os amigos, momento em que o acusado jogou o celular da vítima na piscina.

Em 7 de agosto, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Norte, tornando Igor Cabral réu por tentativa de feminicídio. A defesa de Igor Cabral afirmou que pediu liberdade provisória, a realização de exames psicológicos e toxicológicos, além da mudança da acusação de tentativa de feminicídio para lesão corporal.