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Entrevista
“Ninguém aguenta”, afirma secretário sobre manter isolamento em Parnamirim
Na avaliação do secretário de Planejamento, Finanças, Desenvolvimento Econômico e Turismo de Parnamirim, Giovani Rodrigues Júnior, apesar de o ajuste fiscal ter amortecido o impacto, finanças do Município foram impactadas pela Covid-19
Redação
09/07/2020 | 22:18

O ajuste fiscal promovido pela atual gestão na primeira metade do mandato amorteceu os prejuízos financeiros causados pela pandemia do novo coronavírus na Prefeitura de Parnamirim. Apesar disso, na avaliação do secretário Giovani Rodrigues Júnior (Planejamento, Finanças, Desenvolvimento Econômico e Turismo), a situação não está fácil.

Segundo ele, a administração do prefeito Rosano Taveira teve de efetuar cortes drásticos para trazer as despesas para dentro das receitas e, assim, continuar com o controle das contas públicas que tem marcado a atual gestão.

Nesta entrevista ao Agora RN, Giovani Rodrigues Júnior fala sobre como tem sido o trabalho do Município no enfrentamento da pandemia de Covid-19 e sobre o impacto da retração econômico nas finanças locais. Ele defende a reabertura gradual das atividades econômicas, pois, segundo ele, “ninguém aguenta” a manutenção do isolamento social.

Perguntado sobre as eleições municipais, ele afirma que este não é o momento de pensar na disputa política, já que o foco é a administração pública. Ele diz também que observa com tranquilidade as recentes baixas na base de sustentação do prefeito Taveira, apesar de “estranhar” o movimento. Confira na íntegra:

AGORA RN – A arrecadação de estados e municípios despencou País afora, por causa da retração econômica provocada pela pandemia de Covid-19. Como a crise afetou a Prefeitura de Parnamirim?

GIOVANI RODRIGUES JÚNIOR – Cada município teve um impacto diferente, de acordo com o seu nível de governança e sua capacidade de se adaptar rapidamente aos novos desafios impostos. Parnamirim teve uma pequena vantagem em relação a muitos municípios. Nós fizemos um longo ajuste fiscal nos primeiros dois anos do atual mandato, e o prefeito Rosano Taveira vem fazendo uma gestão austera e equilibrada em termos de contas públicas, o que está nos ajudando a minimizar as perdas por causa da Covid. Mas, mesmo assim, não está sendo fácil.

AGORA – Que medidas o Município de Parnamirim adotou para que a crise não acarrete em atrasos nos pagamentos?

GRJ – Cortamos custos e enxugamos ainda mais o custeio, para que não precisasse cortar na área de saúde, onde, aliás, aumentamos bastante os investimentos. Para se ter uma ideia, em alguns custos, fizemos reduções de 25%, via decreto, obrigando todas as secretarias a se ajustarem à nova realidade, como o aluguel de automóveis e linhas telefônicas.

AGORA – Em junho, Parnamirim recebeu R$ 6,4 milhões como primeira parcela do socorro financeiro do Governo Federal para estados e municípios. Outras três parcelas, com valores semelhantes, serão depositadas. Como o Município vai aplicar esse recurso?

GRJ – Estamos priorizando a área de saúde, claro. Assim que a pandemia começou e quando saíram os primeiros decretos, nós já canalizamos todos os esforços para o pessoal da linha de frente, ampliando as estruturas das UPA e unidades básicas de saúde, aumentando a quantidade de leitos, inclusive de UTI, e instalando nosso hospital de campanha. Este reforço financeiro chega em boa hora, pois já estávamos no nosso limite de remanejamentos. Os recursos vão todos para isso.

AGORA – O secretário estadual de Tributação, Carlos Eduardo Xavier, disse recentemente que as finanças do Estado não suportam o isolamento social até setembro. E Parnamirim?

GRJ – Ninguém suporta. Nem o setor público nem o setor privado. Mas, ao mesmo tempo, precisamos preservar a capacidade de atendimento a quem se contamina e tem seu quadro agravado. O prefeito Taveira e a Prefeitura Municipal de Parnamirim fizeram a parte deles. E agora colhem os resultados de ter priorizado a saúde, com índices de ocupação de leitos que permitem a reabertura gradual. Tudo no seu tempo, com responsabilidade, mas com a vantagem de termos começado bem antes de muita gente. Por isso, Parnamirim hoje tem as menores taxas de ocupação de leitos em todo o RN.

AGORA – O setor produtivo de Parnamirim, principalmente o comércio do centro da cidade, desrespeitou boa parte dos decretos sobre o isolamento social. Faltou fiscalização?

GRJ – Não faltou fiscalização, mas até para fiscalizar tem de ter bom senso. Foi feito um mutirão com Guarda Municipal, Polícia Militar e agentes da vigilância, para ajudar no esforço de conscientização. Mas sabemos que lidar com o público não é uma tarefa fácil. Existem os que colaboram, mas existem os que não colaboram. É assim em toda parte. Confesso que, aqui em Parnamirim, comparando com outras cidades, foi até tranquilo. O parnamirinense é um povo consciente e sabe reconhecer o esforço da Prefeitura e do prefeito Taveira. Na sua grande maioria, ele colaborou e continua colaborando.

AGORA – Como analisa o atual cenário de pré-campanha em Parnamirim?

GRJ – Nós estamos no meio de uma pandemia muito forte, com muitos desafios em cima da mesa, e ainda não conseguimos parar para pensar em eleição. O povo também não quer saber de eleição agora, quer é tentar voltar à normalidade, trabalhar, estudar, ter lazer para só então, depois, pensar em eleição. O prefeito Taveira, nós da prefeitura, secretários, colaboradores, temos outras prioridades no momento. Na hora certa, sim, claro, iremos discutir política, mas com a certeza do dever cumprido, de ter feito o melhor que pudemos para o povo durante a crise.

AGORA – Venceu o prazo de desincompatibilização e o senhor não deixou o cargo de secretário. Desistiu de disputar cargos públicos ou apenas adiou os projetos?

GRJ – É quase a mesma resposta do item anterior. Só sobrou tempo para cuidar da gestão e atravessar essa tempestade, que, aliás, ainda não passou.

AGORA – A que o senhor atribui as recentes baixas na base de sustentação do prefeito Rosano Taveira?

GRJ – Não são baixas. São movimentos políticos naturais. Faz parte do jogo democrático. A gente respeita todas as opções políticas. A gente só acha estranho que pessoas que estiveram dentro da gestão durante mais três anos deixarem para apontar erros e fazer críticas faltando apenas seis meses para as eleições. Acho que o povo vai saber identificar este tipo de atitude.

AGORA – A pandemia pode prejudicar ou impulsionar governos. Nesse sentido, na sua opinião, como o prefeito Rosano Taveira está se saindo?

GRJ – Sou suspeito de falar, pois estou dentro da gestão, no dia a dia desta luta. Mas posso afirmar, por conhecer outras gestões locais e até nacionais, que poucos prefeitos foram tão atuantes no enfrentamento à Covid quanto o prefeito Taveira. Nós começamos a agir no mesmo dia em que saiu o primeiro decreto estadual, lá no mês de março. Não vi o prefeito descansar um só dia durante estes mais de 120 dias. Nem em feriados, nem em fins de semana. Foi e está sendo uma guerra incessante, mas, como disse, hoje Parnamirim já colhe os primeiros frutos por ter se planejamento bem e enfrentado com competência esta crise. E ainda temos muito trabalho pela frente.

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