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Análise
Nazismo matou adversários depois de derrota no futebol: verdade ou lenda?
Essa história circula por vários sites e contas de redes sociais que tratam da conturbada relação entre esporte e política
Uol
03/12/2020 | 17:52

Você certamente conhece algum mau perdedor. Todo mundo já ouviu falar ou se deparou ao longo da vida com alguém que não aceita, em hipótese nenhuma, ser derrotado. Quando essa pessoa ou instituição cai, ela sempre contesta as regras, acusa o adversário de jogo sujo e tenta de alguma forma se vingar dele.

Mas é difícil encontrar um pior perdedor que o nazismo. Durante a década de 1940, o sangrento regime alemão comandado por Adolf Hitler não aguentou a humilhação de sair derrotado de uma partida de futebol e simplesmente assassinou os jogadores que lhe impuseram essa derrota.

Bem, pelo menos essa é a história que circula por vários sites e contas de redes sociais que tratam da conturbada relação entre esporte e política.

Mas será que isso realmente aconteceu? Ou essa é apenas mais uma das várias lendas urbanas que tanto fazem sucesso no dia a dia do futebol, como o quadro de autismo de Lionel Messi e a transexualidade de Marco Verratti, meia do PSG?

Sim, é verdade

Por mais triste e sádica que essa história seja, ela é 100% verídica. Os nazistas realmente mataram atletas que os venceram dentro de um campo de futebol. E esse episódio ficou eternizado com o nome de “partida da morte”.

O jogo mais sangrento da história do esporte mais popular do planeta aconteceu em 9 de agosto de 1942 e foi disputado no estádio Zenit, em Kiev, hoje capital da Ucrânia, mas que na época estava sob ocupação do exército germânico.

Nesse dia, o Start, um clube amador cuja base era formada por ex-jogadores do Dínamo de Kiev que sobreviveram aos bombardeios da entrada dos nazistas na cidade, venceu por 5 a 3 o Flakelf, equipe da Luftwaffe, a aeronáutica das forças chefiadas por Hitler.

O time ucraniano já havia vencido anteriormente outras sete partidas contra agremiações ligadas aos nazistas. Mas aquele jogo era diferente: uma revanche pedida pelo Flakelf, com mais de 2 mil torcedores no estádio e integrantes da SS, a tropa de elite da Alemanha, ao redor do campo.

Antes do apito inicial, os jogadores do Start já começaram a assinar sua sentença de morte. Ao contrário do combinado, eles se recusaram a fazer a saudação nazista em direção aos altos oficiais presentes na arena.

Quando a bola começou a rolar, os gols foram saindo aos montes, um atrás do outro. O placar só não foi ainda maior porque, no último lance da partida, um atleta do Start, Oleksiy Klimenko, driblou o goleiro adversário e, com a meta vazia pela frente, preferiu chutar a bola para trás, em direção ao meio do campo.

Foi humilhação demais para os nazistas. Vale lembrar que as ideias de Hitler pregavam a “supremacia ariana”, ou seja, que os alemães eram a raça superior do planeta, mais inteligentes, fortes e atléticos do que os outros povos (por isso mereceriam dominá-los).

Tortura e execução

Dentro desse contexto, uma derrota esportiva era vista como algo inaceitável.

E os “responsáveis” por esse vexame foram punidos. Todos os jogadores do Start foram presos e torturados pela Gestapo, a polícia secreta nazista. Acusados de pertencerem a forças de resistência da União Soviética, acabaram enviados para um campo de trabalhos forçados.

Pelo menos quatro desses atletas morreram. Mykola Korotkykh não resistiu à tortura. Ivan Kuzmenko, Klimenko e o goleiro Mykola Trusevish, responsável pela montagem do time, foram executados.

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