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Representatividade
Mulher potiguar na arte
No Dia Internacional da Mulher, a jornalista Nathallya Macedo traz reflexões sobre a trajetória feminina na busca pelo reconhecimento artístico dentro de um recorte local
Nathallya Macedo
08/03/2021 | 09:31

Costumo dizer que fui artista em outras vidas. Isso porque, mesmo não possuindo talentos ou dons dignos de aplausos, a arte me fascina e faz parte da minha existência neste lugar de privilégio que ocupo. Mulheres que vieram antes de mim foram extremamente importantes para que eu pudesse ser entusiasta da cultura hoje: elas se fizeram ouvir e abriram os caminhos.

À mulher era negado o espaço fora de casa, assim como a liberdade de expressão. Foram anos de lutas e de pequenas revoluções por todas as partes para que alguns direitos fossem finalmente conquistados. Ultrapassadas, então, as fronteiras dos lares, esbarramos em outras limitações.

Precisamos validar nossas narrativas, vozes e diferentes dicções constantemente, nos múltiplos ambientes que ocupamos. É como se fosse necessário reforçar o nosso valor, além de legitimar as nossas produções, de forma bem mais frequente que os homens.

Artisticamente falando, a mulher segue enfrentando os antigos paradigmas da objetificação para chegar ao lugar de sujeito, de agente atuante. No entanto, sem citar nomes para não ser injusta, já consigo pensar em mulheres que são reconhecidas como grandes representantes da cultura no mundo, tanto na música, literatura e artes visuais, quanto no teatro, cinema e comunicação.

Há diversas personagens que perceberam as ausências, elaboraram o discurso e partiram para a prática. Observando o recorte local, enaltecemos artistas independentes que resistem e que conversam com todos os segmentos – para que a cultura seja um reflexo da identidade do nosso território e do nosso povo. Isso, claro, sob os traços distintos da experiência de cada uma.

No Rio Grande do Norte, a produção cultural feminina é efervescente. Pude comprovar essa realidade com o surgimento desta página de cultura. Entrevistei várias mulheres potiguares ao longo do último ano e conheci fotógrafas, ilustradoras, cantoras, compositoras, atrizes, escritoras, dramaturgas, tatuadoras, enfim, a lista é longa.

Todas elas têm em comum a perseverança. Mesmo durante a pandemia da Covid-19, um período tão difícil e assustador, as artistas norte-rio-grandenses criaram obras-primas e ganharam ainda mais destaque na cena cultural, fortalecendo a representatividade através da desconstrução de preconceitos e estereótipos.

Porém, ainda que mais mulheres estejam criando os próprios espaços de fala artística e, de quebra, gerando visibilidade para tantas outras, o caminho para o protagonismo permanece íngreme. “Temos consciência sobre as dificuldades do mercado, mas sabemos que precisamos nos esforçar em dobro para ter algum tipo de recompensa”, disse uma colega, certa vez, em tom de reclamação. E eu não pude discordar.

Quem sabe, no entanto, se não serão essas mulheres, mais destemidas e determinadas, que oferecerão ao mundo um novo renascimento cultural. Aguardem.

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