BUSCAR
BUSCAR
Assistência Social
MP que substitui Bolsa Família é retrocesso para a população, aponta CRESS-RN
Governo substituiu o programa social Bolsa Família pelo Auxílio Brasil e instituiu o Programa Alimenta Brasil. 
Redação
12/08/2021 | 09:59

O governo federal publicou no Diário Oficial da União da última terça-feira 10 a Medida Provisória (MP) 1.061/2021, que substitui o programa social Bolsa Família pelo Auxílio Brasil e institui o Programa Alimenta Brasil. O Conselho Regional de Serviço Social do RN (CRESS-RN) analisou o documento e acredita que, assim como as mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC), a nova medida é um retrocesso que atinge principalmente a população.

Além disso, o Conselho considera um ataque às conquistas históricas da classe trabalhadora do País, como a Política de Assistência Social. “O Bolsa Família não é um programa de governo, mas um programa social da Assistência, que compõe o sistema de Seguridade Social”, afirmou a conselheira Ana Carolina Ros.

Com valores ainda indefinidos, o Auxílio Brasil promete três modalidades: primeira infância, famílias com jovens de até 21 anos e auxílio para a superação da extrema pobreza. “Há uma evidente fragmentação do benefício, com a criação de vários programas que irão alterar os valores recebidos e cujos critérios de aceso e duração são extremamente confusos, o que remete a uma prática comum da atual gestão federal, de escamotear informações para dificultar o acesso”, disse a assistente social.

Outra crítica do CRESS-RN é com relação à falta de transparência e participação social. “O texto da MP não foi divulgado e nem discutido com a população, com trabalhadores do SUAS”, diz. “Não estabelece os valores do benefício, as fontes de recursos e não explicita de forma objetiva os critérios de acesso”.

Segundo o Conselho, o novo programa também irá contribuir para o endividamento e exploração da população, com a opção descrita como “Microcrédito que poderá comprometer até 30% do valor do benefício recebido”. Para Ana Carolina, a cobrança de juros “beneficiará de fato os bancos e o capital financeiro”.

Para o CRESS-RN, a previsão de incentivo ao esforço individual mostra “caráter capacitista” do programa, que desconsidera as desigualdades e questões estruturais da formação sócio-histórica brasileira. Além disso, “a utilização da tecnologia da informação como meio prioritário de identificação dos beneficiários” é também excludente, desconsiderando as condições de acesso ao meio virtual.

“Embora não seja um programa que altere a desigualdade social do país, O Bolsa Família conseguiu bons resultados na redução da fome e da extrema pobreza”, analisou a conselheira. “A alteração de forma autoritária é, por si só, um enorme retrocesso, que remonta a antigas estratégias de uso da Assistência para fins eleitoreiros”.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.