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Mostra Café Filho reforça interação do Memorial Legislativo com a sociedade

Exposição histórica sobre Café Filho atrai mais de 600 visitantes e fortalece os laços entre a Assembleia e a comunidade
Redação
31/10/2024 | 07:52

Com um verdadeiro recorde de público, a mostra “Do Sindicato ao Catete: 70 anos de Café Filho na presidência da República” foi um verdadeiro sucesso em todos os sentidos. Além de levar o maior número de visitantes à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte para que conhecessem uma parte da história do único potiguar que chegou à presidência da República, a exposição contribuiu para o Memorial do Legislativo Potiguar (MLP) reforçar a interação que vem fortalecendo com a sociedade potiguar, principalmente com as escolas.

O maior número de visitantes foi de alunos e professores das escolas públicas. A mostra foi realizada de 14 a 25 deste mês, no Salão Nobre Iberê Ferreira de Souza. A exposição histórica marcou também a doação oficial ao parlamento do RN de um acervo com cerca de 350 peças do ex-presidente, que foram entregues por familiares de Café Filho e que faziam parte do seu acervo particular.

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Doação de 350 peças familiares traz um novo olhar sobre a vida e legado do ex-presidente potiguar Café Filho, um ícone da política brasileira, através de um acervo de objetos de valor inestimável. Foto: Cedida

Na solenidade de abertura, que contou com a presença de familiares do homenageado, a neta mais velha, Ana Paula Torres Café, enalteceu a iniciativa da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Segundo ela, o país ressalta pouco a memória de Café Filho.

Ana Paula disse que o Museu da República, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, dá destaque somente à história de Getúlio Vargas, que foi sucedido por Café Filho no comando da nação após o seu suicídio. “Estou muito emocionada por estarem resgatando a memória de meu avô. Sabemos do trabalho dele em Natal e no Brasil. Poder ter esse movimento dos políticos do Rio Grande do Norte, de resgatar a história de uma pessoa que fez tanto, é muito importante para nós e para o país”, disse Ana Paula Torres Café. “Para mim, enquanto neta, o mais importante é a forma ética e correta com que ele chegou à presidência da República e seu legado”, completou.

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Assembleia celebra história de Café Filho e reforça interação com a sociedade. Foto: Cedida

A exposição foi uma realização do Núcleo Café Filho, que faz parte do próprio Memorial do Legislativo Potiguar e cuja nomenclatura também homenageia o estadista. Além da doação familiar, outras peças que compuseram a mostra foram gentilmente cedidas pelo Museu Café Filho, da Fundação José Augusto e também pelo chefe do Núcleo Café Filho, Alexandre Gurgel, colecionador.

“Agradecemos demais à família de Café Filho por esta doação e à gentileza de Gilson Matias, presidente da Fundação José Augusto, pela gentileza em nos ceder peças para a mostra que será formada por todos esses acervos”, afirmou Alexandre Gurgel, chefe do Núcleo.

Um documentário produzido pela TV Assembleia foi veiculado na abertura, expondo a trajetória do natalense João Fernandes Campos Café Filho, que teve uma vitoriosa e destacada carreira política no país. Atuando na defesa da classe trabalhadora, o potiguar, que também foi goleiro do Alecrim Futebol Clube, foi deputado federal por dois mandatos. No primeiro, contudo, precisou ficar exilado na Argentina entre o fim de 1937 e maio de 1938 devido a ameaças de prisão que sofria devido às denúncias de um possível golpe. Posteriormente, em 1945, foi eleito para seu segundo mandato e participou da elaboração da constituição em 1946.

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Exposição do único potiguar a presidir o Brasil recebeu mais de 600 visitantes. Foto: Cedida

Sua atuação destacada o levou ao posto de candidato a vice-presidente na composição com Getúlio Vargas, de quem já havia sido adversário político. Na eleição, onde os votos de presidente e vice eram desvinculados, Café Filho foi eleito com mais de 200 mil votos de vantagem sobre os adversários.

No exercício do mandato, ele teve grandes conquistas e, no fim do mandato, precisou se afastar para tratar problemas de saúde. Mesmo após o tratamento, não retornou ao Poder e há relatos de que um tanque de guerra ficou em frente ao seu apartamento, em Copacabana, para evitar que ele saísse do imóvel, onde permaneceu por mais de 70 dias.

Após deixar o cargo, Café Filho permaneceu no Rio de Janeiro, onde foi nomeado em 1961 para o Tribunal de Contas da Guanabara, até sua aposentadoria. Ele faleceu em fevereiro de 1970.

No último dia da mostra, o evento ficou marcado pela visita de um grupo de mais de 100 alunos e 10 professores da Escola Presidente Café Filho, do bairro Nova Descoberta, de Natal. A exposição recebeu mais de 600 visitantes.

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Mostra traz a importância do legado de Café Filho para as futuras gerações. Foto: Cedida

“Para nós foi uma enorme satisfação, porque a Assembleia Legislativa começa a colher frutos desse trabalho, trazendo à Casa alunos e professores, que inclusive têm dito que as visitas estão se tornando uma atividade de extensão fora da sala de aula e ficamos muito felizes com isso”, afirma Alexandre Gurgel, chefe do núcleo.

Núcleo

A mostra Café Filho foi a terceira realizada pelo Núcleo Café Filho em 2024. A primeira, “Auta para Todos”, homenageando a macaibense Auta de Souza, utilizou, de forma pioneira, a inteligência artificial, dando vida e voz à escritora. Através de cinco banners com QR CODE, os visitantes podiam ouvir e visualizar a poetisa declamando cinco dos seus poemas.

O evento reuniu, pela primeira vez na história do Rio Grande do Norte, manuscritos originais das raríssimas obras da poetisa Auta de Souza: Dhalias (que concebeu o Horto), o próprio Horto e o Livro do Coração (ainda inédito na sua concepção original).

Em junho, o Núcleo Café Filho homenageou e destacou a importância da obra do maior escultor popular potiguar, Joaquim Manoel de Oliveira, o grande Xico Santeiro (1898- 1966), que foi determinante para a evolução da nossa arte popular. “Além do imaginário: a arte popular potiguar, antes e depois de Xico Santeiro” reuniu obras não só do homenageado, mas de 31 artistas.

Xico Santeiro apprendeu a profissão de escultor com o pai e começou esculpindo imagens religiosas em madeira para igrejas, capelas e oratórios domésticos e depois expandiu o repertório para temas regionais. Na tradição secular dos ‘santeiros’ ou ‘imaginários’, se tornou, nas décadas de 1950 e 1960, um dos primeiros artistas populares a ter seu talento reconhecido e sua obra valorizada, tanto no Rio Grande do Norte como no Brasil, criando uma escola que marca até hoje a cultura vernacular norte-rio-grandense.