O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) usou a nota A de Mossoró na Capag, indicador do Tesouro Nacional que mede a capacidade de pagamento de estados e municípios, para se apresentar como gestor fiscalmente mais eficiente que seus adversários na disputa estadual. Em entrevista à 96 FM, o ex-prefeito afirmou que Mossoró alcançou a classificação máxima durante sua gestão, enquanto Natal e o Governo do Estado aparecem com nota C.
A comparação mira diretamente o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) e o ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT), ambos pré-candidatos ao Governo. Segundo Allyson, a situação fiscal será um dos principais temas da eleição, porque o Rio Grande do Norte teria perdido capacidade de investimento justamente por falta de organização financeira e administrativa.

“Nós entregamos uma gestão reconhecidamente de entregas, uma gestão de resultados”, afirmou Allyson. Ele disse ter assumido Mossoró com 13º salário atrasado, débito previdenciário de R$ 233 milhões, INSS em atraso, prestadores de serviço sem pagamento, cerca de R$ 90 milhões em restos a pagar e “uma cidade afundada em dívidas”. Segundo o pré-candidato, cinco anos depois, a prefeitura passou a ter nota A na Capag.
A Capag, sigla para Capacidade de Pagamento, é calculada pela Secretaria do Tesouro Nacional e leva em conta três indicadores: endividamento, poupança corrente e liquidez. Na prática, mede se um ente público tem condições de contratar operações de crédito com garantia da União. Estados e municípios com notas A ou B têm acesso mais favorável a financiamentos com aval federal; notas C ou D indicam pior situação fiscal e maior dificuldade para obter crédito nessas condições.
Allyson explorou esse ponto para estabelecer contraste entre sua administração em Mossoró, a gestão de Álvaro Dias em Natal e o governo estadual, do qual Cadu Xavier foi secretário da Fazenda. “Se você for buscar a cidade de Natal, que teve a administração de um desses pré-candidatos, Natal está com nota C na Capag”, disse. Segundo ele, a capital teria ficado com dívidas e prestadores sem receber, citando como exemplo o cantor Beto Barbosa, que teria feito apresentação e não recebido.
Na sequência, Allyson voltou a comparar Mossoró com o Governo do Estado. “Se você for olhar o Estado do Rio Grande do Norte, que o atual secretário de Finanças é também um desses pré-candidatos ao governo, o Estado do Rio Grande do Norte tem nota C na capacidade de pagamento”, afirmou. Ele acrescentou que o RN vive crise “fiscal, financeira e administrativa” e citou levantamento da XP para dizer que o problema aparece de forma “nítida” nos números recentes.
Para Allyson, a nota A de Mossoró seria a principal prova de que é possível aplicar um “choque de gestão” no Estado. O pré-candidato afirmou que sua administração adotou controle de contratos, controle de despesas e organização fiscal. “Mossoró é nota A na capacidade de pagamento. O que é isso? É a prova de que é possível fazer uma organização financeira, fiscal, choque de gestão que eu defendo muito firme”, declarou.
A fala reforça uma linha que Allyson já vinha adotando na pré-campanha: apresentar sua experiência em Mossoró como credencial para administrar o Rio Grande do Norte. Em outras entrevistas, ele já havia defendido que o Estado precisa recuperar “credibilidade” para voltar a investir, buscar financiamento e executar grandes obras. Na entrevista à 96 FM, ele procurou transformar esse discurso em comparação direta com adversários.
O argumento, porém, também enfrenta contrapontos. Na própria entrevista, Allyson foi questionado sobre relatórios do Tribunal de Contas do Estado que apontariam crescimento da dívida de Mossoró para patamar próximo de R$ 700 milhões. O pré-candidato respondeu que é necessário diferenciar dívida consolidada de dívida líquida e afirmou que deixou entre R$ 320 milhões e R$ 330 milhões em caixa, em fontes diversas, o que reduziria o peso efetivo da dívida.
Allyson também disse que parte do aumento formal da dívida decorre da inscrição de débitos antigos, especialmente previdenciários, que, segundo ele, não estavam devidamente apresentados aos órgãos de controle quando assumiu a prefeitura. “Eu encontrei R$ 233 milhões de dívida da Previdência. Boa parte dessa dívida não estava apresentada aos órgãos de controle. Nós apresentamos, parcelamos e começamos a cumprir”, afirmou.
Outro ponto abordado na entrevista foi a Operação Mederi, da Polícia Federal, que investigou suspeitas de irregularidades em contratos da saúde em Mossoró. Allyson negou ter perdido o controle da administração e disse que controle de gestão significa adotar sistemas, transparência e acompanhamento. Segundo ele, se alguém “na ponta” cometeu ato falho ou desonesto, deve pagar, seja secretário, servidor ou gestor.
“Tem que pagar, sim. Isso vale para o gestor máximo, isso vale para os secretários, isso vale para quem está lá na base”, declarou. Allyson afirmou ainda confiar nos órgãos de controle e disse que ficou tranquilo com a atuação da Polícia Federal porque sua consciência indicaria que sua gestão adotou medidas de transparência e cuidado com o dinheiro público.
Apesar dos questionamentos, o pré-candidato insistiu que a comparação entre Capag A de Mossoró e Capag C de Natal e do Estado resume o que considera ser o principal diferencial de sua pré-candidatura. Para ele, o maior gargalo do Rio Grande do Norte é financeiro, fiscal e administrativo.