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Investigação
Morte de miliciano têm características semelhantes as de Marielle e Anderson, diz delegado
De acordo com o delegado, a operação Déjà vu, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Civil e o Ministério Público, tem como base a maneira de agir dos assassinos. Para o delegado, as mortes de André e Juliana têm características parecidas com as de Marielle e Anderson
Redação/ O Globo
09/09/2020 | 10:35

Segundo o delegado Antônio Ricardo Lima Nunes, titular do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHGPP), os envolvidos nas mortes da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, podem estar relacionados aos assassinatos do ex-policial André Henrique da Silva, o André Zóio, e sua namorada, Juliana Sales de Oliveira, em 14 de junho de 2014. De acordo com o delegado, as mesmas pessoas podem ter cometido os assassinatos. O ex-vereador Cristiano Girão seria o mandante do crime ocorrido na Gardênia Azul em consequência de divergências na milícia, e o PM aposentado Ronniel Lessa seria o suposto executor. O casal foi fuzilado com 40 tiros. As informações são do O Globo.

“Cumprimos (nesta quarta-feira) quatro mandados (de busca de apreensão) em endereços ligados à pessoa (Girão) no Rio e em São Paulo. Esperamos que, com essa ação de hoje, possamos encontrar dados que nos ajudem, realmente, a solucionar o caso que vitimou a vereadora Marielle e seu motorista”.

De acordo com o Antônio Ricardo, a operação Déjà vu, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Civil e o Ministério Público do Rio, tem como base a maneira de agir dos assassinos. Para o delegado, as mortes de André e Juliana têm características parecidas com as de Marielle e Anderson:

“Em relação ao casal que foi vítima desses criminosos (André e Juliana), a motivação foi por causa de uma divergência na milícia da Gardênia. Essa operação deixa claro: isso remete ao crime da vereadora Marielle. (Assim como aconteceu com André Zóio) os tiros foram concentrados, foi um veículo em movimento (onde estavam os assassinos) e até o fato de que uma pessoa inocente acabou sendo vitimada”.

O policial destacou que, além de residências na Zona Oeste, buscas foram realizadas também em um presídio no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste, onde Leandro Siqueira de Assis, o Leandro Cabeção ou Gargalhone, está preso.

“Na sua cela, foram realizadas buscas para encontrar algum material que seja de relevância para a investigação”, disse o delegado.

Ele informou que na casa de um dos alvos dos mandados de busca e apreensão na operação desta quarta, o PM Fábio Caveira, do 18º BPM (Jacarepaguá), foram apreendidos aparelhos eletrônicos que serão enviados para a perícia:

“Esse agente público também é investigado pelo duplo homicídio ocorrido em 2014. Ele não estava em casa e foram apreendidos alguns eletrônicos que serão submetidas à perícia para ver se nesses equipamentos encontramos informações relevantes que possam ajudar nas investigações”.

Eletrônicos apreendidos passarão por perícia

Segundo Antônio Ricardo, todos os eletrônicos apreeendidos passarão por uma perícia. O material será analisado por inteligência artificial.

“Nós acreditamos que essas duas pessoas (Girão e Ronnie) estão envolvidas nesse duplo homicídio e, com a apreensão dos equipamentos, esperamos solucionar o caso. Não foi por terem passado seis anos que as investigações pararam. Cada homicídio tem pena de até 12 anos de prisão”, explicou ele.

O delegado disse que as apreensões realizadas na operação Déjà vu e também depoimentos ouvidos pelos agentes geram expectativa de que o assassinato de André Zóio e Juliana sejam solucionados:

“É muito importante, e temos expectativas positivas de solucionar esse caso. Esperamos com essas apreensões e com depoimentos que forem tomados no dia de hoje que ajudem nessa construção da nossa linha de investigação. E que a gente chegue a uma conclusão positiva para solucionar esse caso”.

Antônio Ricardo afirmou ainda que Girão seria o mandante da morte do casal, e Ronnie Lessa, preso desde março de 2019, o executor do assassinato.

“Segundo as investigações, eles teriam participado como mandante e executor (do crime) que vitimou um casal em 2014 e nos pareceu uma assinatura muito peculiar. Por conta disso, temos uma convicção que tem relação com o crime da vereadora”, disse.

*Com informações do O Globo

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