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Economia

Mesmo com tarifaço, Estado amplia superávit comercial em 18,7% em 2025

Exportações superam US$ 1 bilhão no ano, com destaque para óleo combustível e frutas; corrente de comércio ultrapassa US$ 1,5 bilhão
Elias Luz
09/01/2026 | 05:30

O Rio Grande do Norte encerrou 2025 com um superávit comercial de US$ 649,6 milhões, segundo dados do 15º Boletim da Balança Comercial do Estado, elaborado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec). O saldo positivo representa um crescimento de 18,7% em relação ao resultado observado em 2024 e ocorre mesmo num ano marcado pela imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos sobre a compra de produtos brasileiros, o que afetou setores potiguares como a indústria salineira e os pescados.

No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, as exportações somaram pouco mais de US$ 1 bilhão, enquanto as importações totalizaram US$ 436,7 milhões. O desempenho foi impulsionado principalmente pela pauta exportadora concentrada em commodities energéticas e produtos do agronegócio, além da manutenção de mercados estratégicos no exterior. Em relação a 2024, o que puxou o saldo para cima foi a redução nas importações.

Mesmo com tarifaço, Estado amplia superávit comercial em 18,7% em 2025
Embarcação atracada no Porto de Natal carregada de produtos potiguares - Foto: José Aldenir/Agora RN

O óleo combustível liderou as vendas externas do Estado, com US$ 495,6 milhões, seguido por melões frescos (US$ 139,4 milhões), melancias frescas (US$ 93,1 milhões), bulhão dourado em formas brutas para uso não monetário (US$ 91,2 milhões) e outros óleos combustíveis (US$ 37 milhões). Juntos, esses cinco produtos responderam por 78,8% do total exportado pelo Rio Grande do Norte em 2025, evidenciando a elevada concentração da pauta.

Do lado das importações, destacaram-se outras gasolinas, exceto para aviação, e outros trigos e misturas de trigo com centeio, ambos com US$ 56,9 milhões. Em seguida aparecem as células fotovoltaicas (US$ 33,3 milhões), o gasóleo (US$ 23,5 milhões) e outros conversores elétricos estáticos (US$ 18,3 milhões). Esses itens representaram, em conjunto, 43,2% do total importado pelo Estado no período.

Os dados também revelam a diversificação geográfica dos parceiros comerciais. O Panamá foi o principal destino das exportações potiguares, com US$ 468,4 milhões, seguido pelos Países Baixos (US$ 147,2 milhões), Canadá (US$ 100,2 milhões), Estados Unidos (US$ 91,2 milhões) e Reino Unido (US$ 67,7 milhões). Esses cinco mercados concentraram 80,5% das vendas externas do Estado.

Nas importações, a China liderou como principal país fornecedor, com US$ 134,1 milhões, seguida pelos Estados Unidos (US$ 70,3 milhões), Argentina (US$ 54,3 milhões), Rússia (US$ 29,1 milhões) e Espanha (US$ 19,2 milhões). Em conjunto, esses países responderam por 70,2% do total importado pelo Rio Grande do Norte em 2025.

A logística do comércio exterior potiguar permanece fortemente dependente do transporte marítimo. Nas exportações, esse modal respondeu por US$ 941,1 milhões, o equivalente a 86,6% do total, seguido pela via aérea, com US$ 132,7 milhões. As importações também foram majoritariamente marítimas, somando US$ 400,3 milhões, ou 91,6% do total importado, o que reforça a centralidade dos portos para a dinâmica comercial do Estado.

Fiern vê avanço estrutural no comércio exterior do RN

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) avalia que os dados do comércio exterior potiguar em 2025 revelam um desempenho positivo, ainda que marcado por desafios estruturais. O Estado registrou exportações de US$ 1,086 bilhão no ano, uma retração de 4,92% em relação a 2024. As importações, por sua vez, somaram US$ 436,7 milhões, queda mais acentuada, de 26,65%, no mesmo intervalo.

Esse movimento resultou em um crescimento de cerca de 18,7% no saldo da balança comercial, evidenciado, na leitura da Fiern, um avanço na posição externa do Rio Grande do Norte. “Apesar da redução no valor exportado, a diminuição expressiva das importações fez com que o saldo comercial crescesse, indicando um desempenho melhor em 2025 nos esforços de internacionalização dos produtos potiguares”, avalia a entidade, em nota técnica.

Na análise setorial, a Fiern destaca a forte concentração da pauta exportadora. O setor energético foi o principal motor das vendas externas, com os óleos combustíveis respondendo por mais da metade do total exportado no ano. O agronegócio também manteve relevância, especialmente com as frutas, que representaram cerca de 25% das exportações estaduais. Completam a base tradicional da pauta produtos como minérios, açúcares, sal e pescados.

Ao mesmo tempo, a federação aponta limitações que ainda restringem o potencial de crescimento do comércio exterior potiguar. Entre os principais desafios estão a baixa diversificação da pauta e a necessidade de ampliar a agregação de valor. Segundo a Fiern, o fortalecimento da indústria de transformação e o desenvolvimento de produtos com maior conteúdo tecnológico são caminhos fundamentais para ampliar a competitividade do Estado no mercado internacional.

Um dos destaques de 2025 foi o desempenho das exportações para os Estados Unidos, que cresceram 36% em valor, alcançando US$ 91,281 milhões, frente a US$ 67,130 milhões em 2024, mesmo em um contexto de maior rigor tarifário no mercado norte-americano. Para a Fiern, esse resultado reflete tanto a continuidade da pauta tradicional — baseada em produtos do agronegócio, indústria de alimentos, pesca, sal, pedras ornamentais e frutas — quanto a incorporação de novos itens de maior peso.

Nesse contexto, a entrada do fuel oil (óleo combustível) foi decisiva. Em 2025, o produto tornou-se o principal item exportado do Rio Grande do Norte para os Estados Unidos, concentrando 26,3% do total vendido ao país, o equivalente a cerca de US$ 24 milhões. “Essa inclusão foi determinante para o crescimento do fluxo exportador ao mercado norte-americano”, avalia a federação.

Com esse desempenho, o Rio Grande do Norte avançou no ranking nacional de exportações para os Estados Unidos, alcançando a 18ª posição entre os Estados brasileiros em 2025, três colocações acima do resultado de 2024, quando ocupava o 21º lugar. Para a Fiern, o avanço reforça a capacidade de inserção internacional da economia potiguar, ao mesmo tempo em que evidencia a importância de políticas voltadas à diversificação produtiva e à sofisticação da pauta exportadora.

Incentivos fiscais e novos mercados amorteceram impacto do tarifaço

As medidas adotadas pelo governo do Rio Grande do Norte para mitigar os efeitos do aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos foram decisivas para preservar o desempenho do comércio exterior potiguar em 2025. A avaliação é de Hugo Fonseca, secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico, que aponta que incentivos fiscais, antecipação de crédito e a abertura de novos mercados evitaram uma retração mais intensa das exportações, especialmente em setores mais expostos ao mercado norte-americano.

Hugo Fonseca
Hugo Fonseca, adjunto da Sedec-RN – Foto: Instagram/Reprodução

Segundo Fonseca, havia uma expectativa mais pessimista quanto aos impactos do chamado “tarifaço” americano, que entrou em vigor a partir de abril e se estende até os dias atuais. “Tínhamos um certo receio de que isso projetasse um efeito negativo sobre as exportações potiguares, sobretudo em setores como a indústria de pescado e o sal marinho, que têm forte dependência do mercado dos Estados Unidos”, afirma.

O cenário adverso, no entanto, foi amenizado por duas frentes principais de atuação do Estado. A primeira envolveu o reforço direto às empresas exportadoras, por meio de decretos que elevaram a desoneração do ICMS para até 95% e instituíram a antecipação de créditos no valor de até R$ 2 bilhões por mês. “Essas medidas permitiram que as empresas continuassem exportando, mesmo diante de taxações de até 50% impostas pelos Estados Unidos”, diz o secretário-adjunto.

A segunda frente foi a estratégia de diversificação de destinos. Com apoio do governo federal e da ApexBrasil, o Rio Grande do Norte conseguiu incluir cerca de 14 novos mercados de exportação ao longo de 2025. “A abertura desses novos destinos foi fundamental para reduzir a pressão provocada pelas tarifas e manter o fluxo contínuo das exportações”, afirma Fonseca.

O secretário-adjunto resuma o seu balanço geral: “Se não fosse o tarifaço, certamente a alta teria sido maior”, avalia.

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