O Congresso Nacional promulgou nesta terça-feira 17 o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, concluindo a etapa de ratificação pelo Brasil após mais de duas décadas de negociações. A formalização ocorreu em sessão solene, com a assinatura do decreto pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que classificou o tratado como um instrumento de promoção da paz e da prosperidade em um cenário global de tensões comerciais e conflitos.
Em discurso, Alcolumbre afirmou que o comércio internacional reduz riscos de conflitos ao ampliar a interdependência entre países. “O comércio é a chave da paz mundial. Países que negociam entre si têm mais a perder com a guerra do que ganhar com ela. O comércio cria nações amigas, nações parceiras”, disse, ao destacar que o acordo reforça cadeias produtivas e relações econômicas entre os blocos.

O tratado estabelece a criação de uma zona de livre comércio que reúne cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto estimado em R$ 113 trilhões. Pelos termos, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia zerará tarifas sobre 95% dos produtos do bloco sul-americano em até 12 anos.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, avaliou que o acordo deve gerar efeitos positivos em variáveis macroeconômicas, como crescimento do PIB, aumento das exportações, geração de empregos e atração de investimentos. Segundo ele, o tratado também amplia a resiliência da economia brasileira diante de choques externos e diversifica mercados.
Já o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou o acordo como um “marco histórico” em meio à fragmentação da ordem internacional. Ele destacou que a União Europeia é a segunda maior parceira comercial do Brasil, com corrente de comércio superior a US$ 100 bilhões em 2025.
Apesar da conclusão da etapa brasileira, o acordo ainda enfrenta trâmites na Europa. O Parlamento Europeu solicitou análise jurídica ao Tribunal de Justiça do bloco, mas a Comissão Europeia indicou que o tratado poderá ser aplicado provisoriamente a partir de maio. No Brasil, o governo já regulamentou mecanismos de salvaguarda para proteger setores produtivos nacionais diante de possíveis impactos decorrentes da abertura comercial.
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