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Trajetória
Medalha de bronze, coração partido e suicídio: a triste história de um ídolo olímpico do Japão
Vitória de Kokichi Tsuburaya foi celebrada pelo Japão quando ele ganhou o bronze na maratona olímpica de 1964 em Tóquio. Mas o atleta morreu acreditando que havia decepcionado seu país
O Globo
19/07/2021 | 12:05

Mais de 70 mil torcedores no Estádio Olímpico Nacional — e outros milhões assistindo na televisão — rugiram enquanto Kokichi Tsuburaya corria para a pista, a uma volta de garantir a medalha de prata nos Jogos de Tóquio de 1964. Os japoneses não haviam conquistado uma medalha no atletismo e agora Tsuburaya estava prestes a fazer história.

Abebe Bikila, o etíope que conquistou a medalha de ouro em Roma em 1960 enquanto corria descalço, terminou quatro minutos antes, estabelecendo um recorde mundial. Enquanto Bikila fazia ginástica no campo interno, Tsuburaya dirigia-se para a linha de chegada parecendo exausto e dolorido.

O fazendeiro que se tornou soldado estava correndo apenas em sua quarta maratona, e seu esforço corajoso reafirmaria a crença amplamente difundida no Japão de que a perseverança e a resistência mental podem superar as deficiências de talento bruto.

Uma medalha também acrescentaria um ponto de exclamação aos Jogos de Tóquio, que estavam sendo celebrados como prova da saída do país da devastação da Segunda Guerra Mundial. O sucesso de Tsuburaya na mais árdua das corridas representou o sacrifício coletivo da nação.

A celebração foi prematura e o que estava prestes a acontecer entraria na tradição japonesa de maneiras que inspirariam e perturbariam a nação. Até hoje, a jornada de Tsuburaya rumo à fama olímpica continua sendo um modelo para crianças em idade escolar. No entanto, seu fracasso em cumprir seus altos padrões — e os do país — também são um conto de advertência.

Usado nos Jogos de Tóquio 1964, o Estádio Olímpico foi reconstruído para as Olimpíadas de 2020. Além de ser palco das cerimônias de abertura e encerramento, vai sediar partidas de futebol e o atletismo. Tem capacidade para 68 mil espectadores Foto: Divulgação
Usado nos Jogos de Tóquio 1964, o Estádio Olímpico foi reconstruído para as Olimpíadas de 2020. Além de ser palco das cerimônias de abertura e encerramento, vai sediar partidas de futebol e o atletismo. Tem capacidade para 68 mil espectadores Foto: Divulgação
O Ginásio Metropolitano de Tóquio será reaproveitado após ser usado nos Jogos de 1964. Naquela ocasião, sediou as modalidades de polo aquático e ginástica. Agora, servirá para o tênis de mesa. Sua capacidade é de 7 mil pessoas Foto: Divulgação
O Ginásio Metropolitano de Tóquio será reaproveitado após ser usado nos Jogos de 1964. Naquela ocasião, sediou as modalidades de polo aquático e ginástica. Agora, servirá para o tênis de mesa. Sua capacidade é de 7 mil pessoas Foto: Divulgação
Com capacidade para 10.200 pessoas, o Estádio Nacional Yoyogi vai abrigar o handebol e o rúgbi em cadeira de rodas. É internacionalmente reconhecido pelo design com teto suspenso. Foi construído para competições aquáticas e para o basquete nos Jogos de 1964 Foto: Divulgação
Com capacidade para 10.200 pessoas, o Estádio Nacional Yoyogi vai abrigar o handebol e o rúgbi em cadeira de rodas. É internacionalmente reconhecido pelo design com teto suspenso. Foi construído para competições aquáticas e para o basquete nos Jogos de 1964 Foto: Divulgação
Nippon Budokan é uma arena indoor conhecida como a casa das artes marciais e construída para os Jogos de 1964. Será usada para judô e karatê. Sua capacidade é de 11 mil pessoas Foto: Divulgação
Nippon Budokan é uma arena indoor conhecida como a casa das artes marciais e construída para os Jogos de 1964. Será usada para judô e karatê. Sua capacidade é de 11 mil pessoas Foto: Divulgação
O Fórum Internacional de Tóquio é um centro de exposições multifuncional composto por oito salões principais, espaços de exposição e outras instalações. A estrutura apresenta curvas acentuadas de aço e vidro, com um design externo que lembra um barco alongado. Poderá receber até 5 mil pessoas nas competições de levantamento de pesos Foto: Divulgação
O Fórum Internacional de Tóquio é um centro de exposições multifuncional composto por oito salões principais, espaços de exposição e outras instalações. A estrutura apresenta curvas acentuadas de aço e vidro, com um design externo que lembra um barco alongado. Poderá receber até 5 mil pessoas nas competições de levantamento de pesos Foto: Divulgação
Arena Kokugikan é a casa do sumô, mas vai sediar o boxe nas Olimpíadas. Seu interior é projetado em forma de tigela. A capacidade é de 7.300 pessoas Foto: Divulgação
Arena Kokugikan é a casa do sumô, mas vai sediar o boxe nas Olimpíadas. Seu interior é projetado em forma de tigela. A capacidade é de 7.300 pessoas Foto: Divulgação
O Parque Equestre sediou as competições equestres nos Jogos de 1964 de Tóquio. Atualmente, serve como o centro principal para a promoção de hipismo e competições equestres. Pode receber até 9.300 pessoas Foto: Divulgação
O Parque Equestre sediou as competições equestres nos Jogos de 1964 de Tóquio. Atualmente, serve como o centro principal para a promoção de hipismo e competições equestres. Pode receber até 9.300 pessoas Foto: Divulgação
Parque Musashinonomori será o ponto de partida para a corrida de ciclismo de estrada Foto: Divulgação
Parque Musashinonomori será o ponto de partida para a corrida de ciclismo de estrada Foto: Divulgação
Musashino Forest Sport Plaza é um espaço multiuso que vai abrigar as modalidades de badminton e pentatlo moderno. Tem capacidade para até 7.200 espectadores Foto: Divulgação
Musashino Forest Sport Plaza é um espaço multiuso que vai abrigar as modalidades de badminton e pentatlo moderno. Tem capacidade para até 7.200 espectadores Foto: Divulgação
O Estádio de Tóquio tem capacidade para 48 mil pessoas. Além do futebol, receberá o pentatlo e o rúgbi Foto: Divulgação
O Estádio de Tóquio tem capacidade para 48 mil pessoas. Além do futebol, receberá o pentatlo e o rúgbi Foto: Divulgação
A Ariake Arena, construída na parte norte do distrito de Ariake, será palco das partidas de vôlei e basquete em cadeira de rodas. Após os Jogos de Tóquio 2020, a arena se tornará um novo centro esportivo e cultural com capacidade para até 15.000 espectadores Foto: Divulgação
A Ariake Arena, construída na parte norte do distrito de Ariake, será palco das partidas de vôlei e basquete em cadeira de rodas. Após os Jogos de Tóquio 2020, a arena se tornará um novo centro esportivo e cultural com capacidade para até 15.000 espectadores Foto: Divulgação
A Ariake Gymnastics Center é uma instalação temporária localizada na parte norte do distrito de Ariake, onde serão realizadas as provas de ginástica.Tem capacidade para receber 12 mil pessoas Foto: Divulgação
A Ariake Gymnastics Center é uma instalação temporária localizada na parte norte do distrito de Ariake, onde serão realizadas as provas de ginástica.Tem capacidade para receber 12 mil pessoas Foto: Divulgação
Situado em área à beira-mar e perto da Vila dos Atletas, o Ariake Urban Sports Park vai abrigar as modalidades BMX e skate, com capacidade para até 7 mil pessoas Foto: Divulgação
Situado em área à beira-mar e perto da Vila dos Atletas, o Ariake Urban Sports Park vai abrigar as modalidades BMX e skate, com capacidade para até 7 mil pessoas Foto: Divulgação
O Ariake Tennis Park é uma das principais instalações de tênis do país, equipado com quadras cobertas e ao ar livre. Tem capacidade para 19.900 espectadores Foto: Divulgação
O Ariake Tennis Park é uma das principais instalações de tênis do país, equipado com quadras cobertas e ao ar livre. Tem capacidade para 19.900 espectadores Foto: Divulgação
O Parque Marinho de Odaíba é uma instalação temporária para abrigar as modalidades de maratona aquática e triatlo. Pode receber até 5.500 pessoas Foto: Divulgação
O Parque Marinho de Odaíba é uma instalação temporária para abrigar as modalidades de maratona aquática e triatlo. Pode receber até 5.500 pessoas Foto: Divulgação
Com vista para a icônica Ponte Arco-Íris de Tóquio, o Parque Shiokaze conta com uma instalação temporária montada para o vôlei de praia. Sua capacidade é de 12 mil pessoas Foto: Divulgação
Com vista para a icônica Ponte Arco-Íris de Tóquio, o Parque Shiokaze conta com uma instalação temporária montada para o vôlei de praia. Sua capacidade é de 12 mil pessoas Foto: Divulgação
O Aomi Urban Sports Park conta com estrutura temporária erguida perto da Vila dos Atletas. Vai receber o basquete 3x3 e a escalada esportiva. As capacidades são de 7.100 e 8.400 pessoas, respectivamente Foto: Divulgação
O Aomi Urban Sports Park conta com estrutura temporária erguida perto da Vila dos Atletas. Vai receber o basquete 3×3 e a escalada esportiva. As capacidades são de 7.100 e 8.400 pessoas, respectivamente Foto: Divulgação
Com capacidade para 15 mil espectadores, o Oi Hockey Stadium vai sediar as partidas de hóquei. Após os Jogos, deverá ser transformado em uma arena multiuso Foto: Divulgação
Com capacidade para 15 mil espectadores, o Oi Hockey Stadium vai sediar as partidas de hóquei. Após os Jogos, deverá ser transformado em uma arena multiuso Foto: Divulgação
Em terreno com vista para a Baía de Tóquio, no Sea Forest Country Course, foi construído um percurso para a modalidade de cross country equestre. Pode receber 16 mil pessoas Foto: Divulgação
Em terreno com vista para a Baía de Tóquio, no Sea Forest Country Course, foi construído um percurso para a modalidade de cross country equestre. Pode receber 16 mil pessoas Foto: Divulgação
O Sea Forest Waterway vai sediar as competições de remo e canoagem. Após os Jogos, será usado para competições internacionais. No remo, pode receber até 16 mil espectadores, enquanto na canoagem são 12.800. Foto: Divulgação
O Sea Forest Waterway vai sediar as competições de remo e canoagem. Após os Jogos, será usado para competições internacionais. No remo, pode receber até 16 mil espectadores, enquanto na canoagem são 12.800. Foto: Divulgação
O Centro de Canoagem Slalom de Kasai terá o primeiro percurso feito pelo homem no Japão. Após os Jogos, a instalação será usada para esportes aquáticos e atividades de lazer. Até 7.500 pessoas poderão assistir às provas de canoagem slalom Foto: Divulgação
O Centro de Canoagem Slalom de Kasai terá o primeiro percurso feito pelo homem no Japão. Após os Jogos, a instalação será usada para esportes aquáticos e atividades de lazer. Até 7.500 pessoas poderão assistir às provas de canoagem slalom Foto: Divulgação
O campo de tiro com arco do Yumenoshima Park foi construído na área do parque do local da Dream Island. Após os Jogos, a instalação abrigará competições de arco e flecha e será usada para outras atividades. Sua capacidade é de 5.600 pessoas Foto: Divulgação
O campo de tiro com arco do Yumenoshima Park foi construído na área do parque do local da Dream Island. Após os Jogos, a instalação abrigará competições de arco e flecha e será usada para outras atividades. Sua capacidade é de 5.600 pessoas Foto: Divulgação
Recém-construído, o Centro Aquático de Tóquio vai sediar as provas de natação, nado sincronizado e saltos ornamentais. Possui capacidade para 15 mil pessoas Foto: Divulgação
Recém-construído, o Centro Aquático de Tóquio vai sediar as provas de natação, nado sincronizado e saltos ornamentais. Possui capacidade para 15 mil pessoas Foto: Divulgação
Projetado em 1990 para servir como principal instalação para natação e outros esportes aquáticos na região, o Centro de Polo Aquático Tatsumi vai sediar o polo aquático na atual edição. Tem capacidade para 4.700 espectadores Foto: Divulgação
Projetado em 1990 para servir como principal instalação para natação e outros esportes aquáticos na região, o Centro de Polo Aquático Tatsumi vai sediar o polo aquático na atual edição. Tem capacidade para 4.700 espectadores Foto: Divulgação
Designado como local para os eventos da maratona e marcha atlética, o Parque Sapporo Odori tem aproximadamente 1,5 km de comprimento e cobre uma área de cerca de 7,8 hectares no centro da cidade de Sapporo Foto: Divulgação
Designado como local para os eventos da maratona e marcha atlética, o Parque Sapporo Odori tem aproximadamente 1,5 km de comprimento e cobre uma área de cerca de 7,8 hectares no centro da cidade de Sapporo Foto: Divulgação
O Makuhari Messe HallCentro se estende por cerca de 210 mil metros quadrados e consiste em três zonas principais. Está localizado na cidade de Chiba e abrigará as provas de luta olímpica, taekwondo e esgrima Foto: Divulgação
O Makuhari Messe HallCentro se estende por cerca de 210 mil metros quadrados e consiste em três zonas principais. Está localizado na cidade de Chiba e abrigará as provas de luta olímpica, taekwondo e esgrima Foto: Divulgação
A praia de Tsurigasaki é onde o surfe fará sua estreia em Olimpíadas. Está localizada na cidade de Ichinomiya, na costa do Pacífico da província de Chiba, e costuma atrair muitos turistas. Poderá receber 6 mil pessoas Foto: Divulgação
A praia de Tsurigasaki é onde o surfe fará sua estreia em Olimpíadas. Está localizada na cidade de Ichinomiya, na costa do Pacífico da província de Chiba, e costuma atrair muitos turistas. Poderá receber 6 mil pessoas Foto: Divulgação
A Saitama Super Arena é uma das maiores instalações multiuso do Japão, situada na cidade de Saitama. Vai receber jogos de basquete. Tem arquibancadas para 21 mil pessoas Foto: Divulgação
A Saitama Super Arena é uma das maiores instalações multiuso do Japão, situada na cidade de Saitama. Vai receber jogos de basquete. Tem arquibancadas para 21 mil pessoas Foto: Divulgação
Assim como nos Jogos de 1964, o Campo de Tiro Asaka sediará as competições de tiro. Nesta edição, contará com uma estrutura temporária para receber até 3.200 pessoas Foto: Divulgação
Assim como nos Jogos de 1964, o Campo de Tiro Asaka sediará as competições de tiro. Nesta edição, contará com uma estrutura temporária para receber até 3.200 pessoas Foto: Divulgação
O Kasumimgaseki Country Club será palco do golfe. Está localizado na cidade de Kawagoe, província de Saitama, e pode receber até 25 mil espectadores Foto: Divulgação
O Kasumimgaseki Country Club será palco do golfe. Está localizado na cidade de Kawagoe, província de Saitama, e pode receber até 25 mil espectadores Foto: Divulgação
Localizado na cidade de Fujisawa, o Enoshima Yacht Harbour foi construído para os Jogos de 1964. É o primeiro porto do Japão capaz de sediar competições de esportes aquáticos. Vai receber provas de vela. Sua capacidade é de 3.600 pessoas Foto: Divulgação
Localizado na cidade de Fujisawa, o Enoshima Yacht Harbour foi construído para os Jogos de 1964. É o primeiro porto do Japão capaz de sediar competições de esportes aquáticos. Vai receber provas de vela. Sua capacidade é de 3.600 pessoas Foto: Divulgação
Localizado na cidade de Izu, o velódromo abriga uma pista de ciclismo de madeira de 250 metros. As provas da modalidade poderão receber 3.600 pessoas Foto: Divulgação
Localizado na cidade de Izu, o velódromo abriga uma pista de ciclismo de madeira de 250 metros. As provas da modalidade poderão receber 3.600 pessoas Foto: Divulgação
Percurso off-road, o Izu MTB mede 4.100 metros de comprimento com elevações de até 150 metros. Vai sediar as competições de mountain bike. Possui capacidade para 11.500 pessoas Foto: Divulgação
Percurso off-road, o Izu MTB mede 4.100 metros de comprimento com elevações de até 150 metros. Vai sediar as competições de mountain bike. Possui capacidade para 11.500 pessoas Foto: Divulgação
O Fuji International Speedway é o circuito mais próximo da área da Grande Tóquio. Com capacidade até 22 mil espectadores, receberá as provas de ciclismo de estrada. É palco do Grande Prêmio do Japão na Fórmula 1 Foto: Divulgação
O Fuji International Speedway é o circuito mais próximo da área da Grande Tóquio. Com capacidade até 22 mil espectadores, receberá as provas de ciclismo de estrada. É palco do Grande Prêmio do Japão na Fórmula 1 Foto: Divulgação
Localizado na cidade de Fukushima, o estádio de beisebol de Azuma faz parte do Parque Esportivo Azuma, que é dividido em quatro espaços recreativos. Vai sediar o beisebol e o softbol, que foram incluídos nos Jogos de Tóquio 2020. Pode receber 14.300 espectadores Foto: Divulgação
Localizado na cidade de Fukushima, o estádio de beisebol de Azuma faz parte do Parque Esportivo Azuma, que é dividido em quatro espaços recreativos. Vai sediar o beisebol e o softbol, que foram incluídos nos Jogos de Tóquio 2020. Pode receber 14.300 espectadores Foto: Divulgação
Localizado no Parque de Yokohama, o estádio de beisebol de Yokohama é o primeiro multifuncional do Japão. Também serve como sede de um dos times de beisebol profissional do Japão. Vai abrigar o beisebol e o softball, com capacidade para 35 mil pessoas Foto: Divulgação
Localizado no Parque de Yokohama, o estádio de beisebol de Yokohama é o primeiro multifuncional do Japão. Também serve como sede de um dos times de beisebol profissional do Japão. Vai abrigar o beisebol e o softball, com capacidade para 35 mil pessoas Foto: Divulgação
O Sapporo Dome é casa de um time de futebol japonês e um time de beisebol. Está localizado na cidade de Sapporo, na ilha japonesa de Hokkaido. Tem capacidade para 41 mil torcedores Foto: Divulgação
O Sapporo Dome é casa de um time de futebol japonês e um time de beisebol. Está localizado na cidade de Sapporo, na ilha japonesa de Hokkaido. Tem capacidade para 41 mil torcedores Foto: Divulgação
Casa do famoso clube japonês Kashima Antlers, o Ibaraki Kashima Stadium tem capacidade para 40 mil torcedores. Inaugurado em 1993, já recebeu jogos da Copa das Confederações de 2001 e da Copa do Mundo de 2002 Foto: Divulgação
Casa do famoso clube japonês Kashima Antlers, o Ibaraki Kashima Stadium tem capacidade para 40 mil torcedores. Inaugurado em 1993, já recebeu jogos da Copa das Confederações de 2001 e da Copa do Mundo de 2002 Foto: Divulgação
Localizado na cidade de Saitama, o Saitama Stadium tem capacidade para 64 mil pessoas. É casa do Urawa Red Diamonds. Recebeu quatro partidas da Copa do Mundo de 2002, incluindo um jogo do Brasil Foto: Divulgação
Localizado na cidade de Saitama, o Saitama Stadium tem capacidade para 64 mil pessoas. É casa do Urawa Red Diamonds. Recebeu quatro partidas da Copa do Mundo de 2002, incluindo um jogo do Brasil Foto: Divulgação
Localizado na cidade de Yokohama, o estádio internacional de Yokohama tem capacidade para 72.327 espectadores. Foi onde o Brasil sagrou-se pentacampeão mundial em 2022, após vitória sobre a Alemanha Foto: Divulgação
Localizado na cidade de Yokohama, o estádio internacional de Yokohama tem capacidade para 72.327 espectadores. Foi onde o Brasil sagrou-se pentacampeão mundial em 2022, após vitória sobre a Alemanha Foto: Divulgação
O Miyagi Stadium está localizado na cidade de Rifu e será usado para o futebol. Sua capacidade é de 49 mil pessoas Foto: Divulgação
O Miyagi Stadium está localizado na cidade de Rifu e será usado para o futebol. Sua capacidade é de 49 mil pessoas Foto: Divulgação

‘Um erro imperdoável’

O frenesi criado por Tsuburaya ao entrar no estádio aumentou quando Basil Heatley correu para a pista apenas 40 metros atrás. O inglês rapidamente passou por Tsuburaya , terminando quatro segundos à frente dele. Tsuburaya viu sua medalha de prata virar bronze.

O silêncio atordoado se transformou em aplausos enquanto a multidão saudava a extraordinária realização de Tsuburaya. Depois que Bikila e Heatley deixaram o pódio, ele ficou sozinho tomando um banho de alegria. Ele ergueu sua medalha e fez uma reverência para os fãs em direção ao camarote onde o príncipe herdeiro e a princesa estavam sentados.

Por dentro, Tsuburaya queimava de vergonha. Se Heatley o tivesse ultrapassado no início da corrida, poucos teriam notado. Mas para um soldado que se sentia como se estivesse correndo em nome do país, deixar a medalha de prata escapar enquanto toda a nação assistia foi humilhante.

“Cometi um erro imperdoável na frente do povo japonês”, disse ele mais tarde a seu companheiro de equipe Kenji Kimihara. “Eu tenho que fazer as pazes.” Ele prometeu ganhar o ouro nas Olimpíadas da Cidade do México em 1968.

Kimihara, que cruzou a linha em oitavo lugar, não conseguiu falar com Tsuburaya no tumulto após a corrida. Mas ele viu a expressão taciturna do amigo.

— Ser ultrapassado o fez sentir que decepcionou as pessoas — disse Kimihara, agora com 80 anos. — É por isso que ele tinha uma cara tão triste.

Kimihara comandando o revezamento da tocha enquanto passava por Sukagawa, a cidade natal de Tsuburaya Foto: Hiroko Masuike / The New York Times
Kimihara comandando o revezamento da tocha enquanto passava por Sukagawa, a cidade natal de Tsuburaya Foto: Hiroko Masuike / The New York Times

Atravessando um coração partido

Tsuburaya nunca chegou à Cidade do México. Ansioso por recuperar sua honra, ele dobrou seu treinamento. Mas seu corpo foi incapaz de lidar com a carga de trabalho brutal. Em 1967, ele estava lutando contra uma hérnia de disco, e lesões nos tendões de Aquiles, que exigiram cirurgia.

Ele também estava passando por um desgosto. Tsuburaya queria se casar com sua namorada de longa data, Eiko, mas como era costume na época, ele precisava da permissão dos mais velhos para se casar. Hiro Hatano, o técnico de Tsuburaya, e o comandante de Tsuburaya apoiaram a união, mas um oficial sênior disse que Tsuburaya não poderia se casar até depois dos Jogos da Cidade do México.

Hatano protestou contra a decisão e foi afastado do cargo de técnico. Em uma época em que se esperava que as mulheres se casassem jovens, a família de Eiko temia que sua filha ficasse esperando por Tsuburaya. Sua família cancelou o noivado e Eiko se casou com outro homem.

Quando Tsuburaya voltou para sua cidade natal, Sukagawa, para o feriado de Ano Novo no início de 1968, seu pai disse a ele que sua namorada havia partido. Tsuburaya respondeu com naturalidade. Mas, após o intervalo, ele voltou para seu dormitório e, na manhã de 8 de janeiro, ele usou uma lâmina de barbear para cortar sua artéria carótida. Ele foi encontrado morto segurando sua medalha de bronze.

Em sua nota de suicídio manchada de sangue, que sua família tornou pública, Tsuburaya agradeceu a seus pais e irmãos pelo apoio e desejou o melhor a suas sobrinhas e sobrinhos.

“Meu querido pai e minha querida mãe, seu Kokichi está cansado demais para correr”, escreveu Tsuburaya. “Por favor, perdoe-o. Ele lamenta ter preocupado vocês o tempo todo. Meu querido pai e mãe, Kokichi gostaria de ter vivido ao seu lado.”

Estátua de Tsuburaya na Sukagawa High School, que ele frequentou Foto: Hiroko Masuike / The New York Times
Estátua de Tsuburaya na Sukagawa High School, que ele frequentou Foto: Hiroko Masuike / The New York Times

Tsuburaya também enviou uma carta de desculpas ao presidente do Comitê Olímpico Japonês. “Lamento não ter conseguido cumprir minha promessa”, escreveu ele. “Oro por seu sucesso nos Jogos do México.”

Ele tinha 27 anos.

‘Uma vítima das Olimpíadas’

Pela primeira vez, o povo japonês viu Tsuburaya não apenas como um herói olímpico quase mítico, mas também como um jovem de coração partido. As pressões que o levaram à morte — seu total comprometimento com a corrida, sua incapacidade de resistir à autoridade e a perda de sua noiva — foram muito reais para os japoneses comuns.

— Trabalho árduo, perseverança, humildade, responsabilidade, amizade, fidelidade: Tsuburaya conecta muitos pontos culturais — disse Roy Tomizawa, autor de “1964: O maior ano da história do Japão”. — A simplicidade e poesia do bilhete de suicídio que ele deixou é bastante comovente, embora seja muito simples e discreto. Posso ver porque tantos japoneses ficaram comovidos com sua história.

Romancistas proeminentes elogiaram a nota, adicionando um toque surreal à tragédia. Mas para a maioria dos japoneses, a morte de Tsuburaya foi um lembrete do lado negro de uma cultura hierárquica que confere vastos poderes aos anciãos, chefes e treinadores que forçam seus subordinados a fazerem coisas contra sua vontade, uma dinâmica chamada “poder hará” ou assédio.

— Acho que Tsuburaya foi uma vítima das Olimpíadas, em vez de uma história comovente — disse Minoru Matsunami, historiador do esporte da Universidade Tokai. Como em outros esportes japoneses, “os atletas tinham que ouvir seus diretores”.

A sociedade japonesa tornou-se mais tolerante desde os dias de Tsuburaya, mas os escândalos do “poder hará” ainda são comuns na vida corporativa, escolas e esportes como ginástica, judô e sumô. Dessa forma, a situação de Tsuburaya permanece familiar para os japoneses comuns.

O caminho de terra em Sukagawa onde Tsuburaya costumava treinar Foto: Hiroko Masuike / The New York Times
O caminho de terra em Sukagawa onde Tsuburaya costumava treinar Foto: Hiroko Masuike / The New York Times

Tsuburaya é celebrado por ter “coragem” de suportar as dores nos treinos, mas para Akio Hattori, que assistiu à maratona nas ruas de Tóquio ainda jovem, existe uma linha tênue entre o atleta que está determinado e o que está sendo abusado.

— Eu penso sobre as várias desvantagens, como “coragem” nos esportes japoneses e a cultura que limita a liberdade individual e a cultura da vergonha naquela época — disse Hattori.

Mesmo assim, Tsuburaya continua sendo uma inspiração. Em 2018, uma peça sobre ele chamada “Before the Light, Runners at Dawn” foi apresentada em Tóquio. Em Fukushima, os alunos aprendem sobre a vida dele. No Kokichi Tsuburaya Memorial Hall em sua cidade natal, eles recebem um panfleto chamado “Orgulho de Sukagawa” que descreve as raízes humildes e a jornada heróica de Tsuburaya.

Correndo por um amigo

Kimihara, oitavo lugar naquela maratona, soube da morte de Tsuburaya quando um repórter ligou para sua empresa para obter comentários.

“Lamento profundamente ter perdido um amigo insubstituível e importante”, disse Kimihara.

Mesmo assim, quando Kimihara viajou para a Cidade do México, ele não sentiu que estava correndo em homenagem a Tsuburaya e não esperava ganhar uma medalha. Isso mudou na linha de partida. “Achei que Tsuburaya era quem queria estar aqui, então vou correr atrás dele”, disse Kimihara.

E ele correu. Kimihara garantiu a medalha de prata que seu amigo quase ganhou em Tóquio.

— Não houve alegria pessoal — disse Kimihara. — Fiquei muito feliz por poder continuar a tradição da maratona no Japão.

Kimihara mantém outra tradição mais pessoal. Por mais de 30 anos, ele viajou para Sukagawa para a Maratona Memorial Kokichi Tsuburaya para correr e falar sobre o legado do atleta.

Ele também visita o túmulo de seu amigo. Depois de fazer uma oração, Kimihara deixa uma lata de cerveja, relembrando o dia em 1964 em que todos comemoraram sua boa sorte.

Kimihara reza e toma uma lata de cerveja em uma visita ao túmulo de Tsuburaya , seu falecido companheiro de equipe no Templo Junenji, em Sukagawa Foto: Hiroko Masuike / The New York Times
Kimihara reza e toma uma lata de cerveja em uma visita ao túmulo de Tsuburaya , seu falecido companheiro de equipe no Templo Junenji, em Sukagawa Foto: Hiroko Masuike / The New York Times
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