Documentos da Receita Federal encaminhados à CPI do Crime Organizado do Senado indicam que o Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro, repassou R$ 40,11 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados ao longo de 2024. A banca tem como sócia Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. As informações foram reveladas a partir de dados fiscais obtidos pela comissão.
Procurado, o escritório afirmou que não confirma os valores divulgados e classificou as informações como “incorretas e vazadas ilicitamente”, ressaltando que dados fiscais são protegidos por sigilo. A banca não informou qual seria o montante efetivamente recebido. O ministro Alexandre de Moraes também foi procurado, mas não se manifestou. Viviane Barci, por sua vez, já reconheceu a existência de contrato com o banco.

Os registros constam na declaração de Imposto de Renda do Banco Master, cujo sigilo foi quebrado no âmbito da CPI. Segundo os dados, houve 11 repasses mensais de R$ 3.646.529,72 ao escritório em 2024, totalizando R$ 40.111.826,92. Sobre esses valores, o banco declarou ter recolhido R$ 2,46 milhões em tributos retidos na fonte. As informações foram divulgadas inicialmente pela Folha de S.Paulo.
O contrato entre o banco e o escritório foi firmado em 2024 e previa pagamentos mensais de R$ 3,5 milhões, podendo alcançar R$ 129 milhões ao longo de três anos, conforme noticiado pelo jornal O Globo. A parceria, no entanto, foi interrompida em novembro de 2025, quando o Banco Central determinou a liquidação da instituição e Vorcaro foi preso. A defesa do empresário não comentou o caso.
Durante sessão do Senado na terça-feira 7, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira, afirmou que a Receita enviou inicialmente dados incompletos e que a comissão precisou solicitar complementação. Segundo ele, os documentos comprovam os pagamentos e os descontos tributários relacionados. O parlamentar questionou a justificativa dos valores pagos, afirmando que não haveria contraprestação proporcional aos montantes envolvidos.
Em resposta a questionamentos anteriores, o escritório informou que prestou serviços ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, com a realização de 94 reuniões de trabalho — 79 delas presenciais — além da produção de 36 pareceres jurídicos sobre temas como compliance, regulação e direito trabalhista. A banca também afirmou ter mobilizado 15 advogados e contado com o apoio de outros três escritórios especializados. Segundo a defesa, o trabalho incluiu a implementação de um novo código de ética do banco e não envolveu atuação no STF.
Ainda na terça-feira, Vieira se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para solicitar a prorrogação da CPI, mas o pedido foi negado. Com isso, a comissão deve encerrar os trabalhos na próxima terça-feira 14, com a votação do relatório final. O relator criticou a decisão, afirmando que a não prorrogação em período eleitoral representa prejuízo às investigações.
O caso também já foi analisado pela Procuradoria-Geral da República. Em dezembro, o procurador-geral Paulo Gonet determinou o arquivamento de uma representação que questionava a atuação de Alexandre de Moraes em relação ao Banco Master. Na decisão, afirmou não haver indícios de irregularidade e destacou que não cabe à PGR interferir em contratos firmados entre particulares.