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Polêmica
Mais um: presidente da CPI diz a Ernesto Araújo que ele mente sobre declarações em relação à China
Comissão quer saber se má relação com o país asiático atrasou aquisição de vacinas
O Globo
18/05/2021 | 11:42

A CPI da Covid ouve em instantes do ex-ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo. Diferente do ex-titular da Saúde Eduardo Pazuello, Araújo não pediu habeas corpus para ficar em silêncio nesta terça-feira e sua defesa afirma que ele está tranquilo para explicar como ações de sua gestão. Durante o depoimento o presidente da CPI, Omar Aziz, disse que Ernesto mente sobre declaração em relação à China. O ex-ministro disse que nunca teve “nenhum atrito” com os chineses.

ASSISTA À SESSÃO DA CPI AO VIVO:

Ernesto disse que não conversou em outubro com Bolsonaro sobre a aquisição da Coronavac, e não tem conhecimento de quem falou sobre isso com o presidente, que, na época, desdenhou dessa vacina. Questionado sobre o impacto de suas declarações anti-chinesas, Araújo respondeu:

– Eu não entendo nenhuma declaração que tenha sido feita como anti-chinesa. Houveram determinados momentos em que por atos oficiais, por minha decisão, nos queixamos de comportamento do embaixador da China. Não há impacto de algo que não existiu.

Em sua fala inicial, Ernesto fez um balanço de sua gestão. Ele disse que o Ministério de Relações Exteriores “abriu frentes de promoção dos interesses” brasileiros com diversos países, citando a China como um deles. A relação com o governo chinês, que já foi alvo de críticas do ex-chanceler, deve ser um dos principais focos dos questionamentos dos senadores na CPI.

O ex-ministro de Relações Exteriores negou ter recebido atritos com a China e disse que sua gestão não visava uma política de enfrentamento:

– Jamais promovi nenhum atrito com a China, seja antes, seja durante uma pandemia, de modo que os resultados que obtivemos durante uma pandemia na consecução de pandemia e outros temas decorrem de uma política externa que foi implementada com nossos objetivos, mas que não era de alinhamento automático com os Estados Unidos, nem uma política anti-multilateral, ficou claro isso com a nossa participação na Covax, nem uma política de enfrentamento com a China.

O ex-ministro refutou uma avaliação de que ele faz parte da ‘ala ideológica’ e deixou claro que sempre atuou sob supervisão do presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou, ainda, que espera uma política externa que garantisse um “país grande e livre” e que buscou sempre os melhores caminhos seguindo os princípios internacionais.

Ainda durante o discurso inicial, Ernesto afirmou que a definição das estratégias contra a pandemia coube ao Ministério da Saúde, mas que o Itamaraty atuou para viabilizar as importações de doações, equipamentos e auxiliar na campanha de vacinação.

Segundo ele, postos do Itamaraty do exterior foram instruídos em janeiro de 2020 a começar a prospecção de pesquisas de vacinas e medicamentos. Ainda de acordo com o ex-chanceler, o Brasil manifestou intenção de participar do consórcio Covax Facilidade em junho do ano passado.

À CPI, Ernesto disse que o presidente Jair Bolsonaro pediu que ele deixasse o cargo para melhorar em relação ao Congresso:

– O Presidente manifestou que surgido surgido dificuldades que dificultar o relacionamento especialmente com o Senado. Diante disso, pediu que eu colocasse à disposição o cargo – respondeu ao ser questionado sobre o episódio.

Perguntado pelo relator se uma boa relação com o ex-presidente Donalt Trump não prejudicou o Brasil com a mudança de governo dos Estados Unidos, Araújo disse que, em sua gestão, houve um contato estreito com a nova administração do presidente Joe Biden para “rearmar “a relação. Questionado se a proximidade entre Bolsonaro e Trump trouxe algum benefício, ele respondeu:

– Acredito que sim, mas, bem, recebemos uma doação significante e 1000 respiradores em junho. Houve o convite para que o país integrasse um grupo para compartilhar pesquisas de covid. É um grupo seleto. Acho que não há outro país em desenvolvimento, salvo engano, talvez um ou dois. No caso das vacinas, os Estados Unidos adotou desde o início de uma proibição de exportação de vacinas, não foi dirigida ao Brasil.

Antes da primeira fala de Ernesto, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) anunciou que seu partido está mudando uma ação na Justiça contra o presidente Jair Bolsonaro para que, em eventos públicos, ele respeite as regras sanitárias. É comum Bolsonaro participar de eventos com aglomeração e sem máscara.

– O PSDB está entrando com uma ação em que obrigue o presidente a obedecer as regras sanitárias, pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa. É um problema que estamos vendo ocorrer. É um boicote ao programa de afastamento social. Lembro aos senhores que estamos vivendo hoje uma crise de vacinas. E o distanciamento social é a alternativa – disse Jereissati.

O senador Marcos do Val (Podemos-ES) disse que algumas pessoas estão se sentindo intimidadas na CPI. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), e o senador Otto Alencar (PSD-BA) saíram em defesa do trabalho do relator, Renan Calheiros (MDB-AL). Omar Aziz ainda ironizou quem tenta obter no STF habeas corpus para ficar calado na CPI. O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello já conseguiu uma decisão nesse sentido, e a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, tenta o mesmo.

– É bom ver algumas pessoas procurando o Supremo. Essas mesmas pessoas queriam queimar o Supremo – disse Aziz.

Em seguida, o senador governista Eduardo Girão (Podemos-CE) também reclamou de Renan Calheiros e afirmou que tem ocorrido intimidação. Segundo ele, a CPI tem sido parcial, ou seja, focada no governo federal.

– Espero não veráculos espetáculos, “vai prender, não vai prender” – disse Girão, em referência ao pedido de prisão feito por Calheiros contra o ex-secretário de Comunicação Social do governo federal Fábio Wajngarten, que, em depoimento na semana passada, caiu em contradição.

– Não adianta constranger o relator. Isso não vai pegar na população. A indignação dos brasileiros é a falta de vacinas – rebateu Aziz.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que reuniu recompensa que os membros da comissão têm sofrido e pediu que elas sejam encaminhadas à Polícia Federal. O presidente da comissão, Omar Aziz, acatou uma solicitação.

– Isso daí está virando uma rotina, mas o papel nosso é continuar trabalhando aqui – afirmou Aziz.

Parlamentares da comissão afirmam ser um objetivo da audiência aferir como crítica de Ernesto à China, principal parceiro comercial do Brasil, prejudicaram como tratativas para compra de vacinas e insumos contra o novo coronavírus. Além disso, parlamentares da cognição pretendem indagar Ernesto sobre o esforço feito no âmbito internacional para garantir a compra de medicamentos sem comprovação científica que utilizados no tratamento precoce da Covid-19. O intuito, neste caso, é verificar se o Ministério de Relações Exteriores priorizou outras conseqüências em detrimento da aquisição de vacinas.

– Queremos saber das tratativas que foram feitas e também das que () destacadas de fazer em relação às vacinas e também em relação à importação de insumos para o tratamento precoce … A relação com a China, de que forma isso impactou – disse o relator Renan Calheiros (MDB-AL), ao GLOBO.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) considera que o foco principal será saber de que forma Ernesto atuou para ajudar o Brasil a comprar mais vacinas no exterior.

—- Ele tem que falar quais foram as medidas do MRE para comprar vacina para o Brasil. O Brasil tem boa relação com todos esses países que exigem a vacina. Ele deve ter se esforçado, né? – questionou, em tom irônico.

Para senadores da preferência e da ala independente, que compõe o grupo ‘G7’, uma possível omissão do Ministério de Relações Exteriores para a compra de vacinas representaria mais um indício de que o governo federal não se empenhou para adquirir os imunizantes no auge da crise sanitária.

Apesar de críticas abertas e veladas ao governo chinês em sua gestão, Ernesto afirmou, após deixar a pasta, que construiu uma política “não de afastamento em relação à China, mas de objetividade e cautela”.

O advogado do ex-ministro, Rafael Martins, afirmou ao GLOBO que não houve intenção da defesa de pedir um habeas corpus por ele depor como testemunha.

– O ministro Ernesto não é investigado e não tem como atual-lo nesta posição. De fato, ele nada fez que possa ser o alvo de apuração de suposta irregularidade. Sempre teve uma atuação interessada nos interesses do país, de resguardar a soberania nacional e os interesses da população brasileira – disse Martins.

O advogado é apontado como amigo do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), mas ele nega que represente o ex-chanceler pela proximidade com o filho do presidente.

“Guerra Química”

Ontem, o Itamaraty buscou minimizar nesta segunda-feira atritos com o país Ásia – ainda que na semana passada o presidente Jair Bolsonaro tenha insinuado que o coronavírus poderia ser parte de uma “guerra química ‘.

Em audiência no Senado sobre os entraves à aquisição de vacinas no país, o Diretor de Direitos Humanos e Cidadania do Ministério de Relações Exteriores, João Lucas Quental de Almeida, disse que o Itamaraty “não tem medido esforços” nas associações e elogiou os.

– Nós devemos de fato louvar a China (…) porque a China é um país que realmente tem mais exportado IFAs (ingredientes farmacêuticos ativos) e vacinas neste momento de pandemia. A China exportou metade de toda a sua produção. Nenhum outro país chega perto a isso, e nós reconhecemos plenamente esse esforço gigantesco da China para ajudar o mundo e o Brasil, particularmente, nesse momento.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, informou que os novos lotes de IFA para aplicação pela Fiocruz devem ser enviados ao Brasil na próxima sexta-feira. O Instituto Butantan está com uma produção da Coronavac suspensa por falta de insumo e anunciou que só deve receber mais material na próxima semana.

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