A alta do petróleo no mercado internacional e os reajustes no querosene de aviação levaram companhias aéreas brasileiras a suspender mais de 2 mil voos programados para o mês de maio. Os dados foram levantados com base no sistema eletrônico da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Segundo o levantamento, o número de voos previstos inicialmente era de 2.193 por dia, conforme consulta realizada em 2 de abril. Já na última sexta-feira 17, esse total caiu para 2.128 voos diários, o que representa 2.015 voos a menos no mês e uma redução de 2,9% no fluxo total de viagens.

Os destinos mais afetados são Amazonas, com queda de 17,5% no número de voos, Pernambuco (-10,5%), Goiás (-9,3%), Pará (-9,0%) e Paraíba (-8,9%).
De acordo com executivos do setor ouvidos pela CNN, os cortes se concentram em rotas menos rentáveis e ainda não atingem de forma expressiva ligações mais movimentadas, como São Paulo-Rio de Janeiro e São Paulo-Brasília. No entanto, há avaliação de que o movimento pode se ampliar conforme o impacto dos custos.
O setor atribui a redução ao aumento de despesas após o reajuste de 54% no querosene de aviação aplicado pela Petrobras no dia 1º de abril. A estatal atualiza o valor do combustível no primeiro dia útil de cada mês.
Há ainda expectativa de novo aumento. Segundo a apuração da CNN, as distribuidoras de combustíveis foram informadas sobre a possibilidade de reajuste em 1º de maio. A estimativa preliminar indica alta em torno de 20%, dependendo das variações nos últimos dias de abril.
A redução na malha aérea representa a retirada de cerca de 10 mil assentos diários na aviação doméstica e de 12 aeronaves de médio porte, como Boeing 737, Airbus A320 ou Embraer 195.
Procurada, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou que os impactos do aumento do querosene são “gravíssimos” e que a entidade “mantém diálogo constante” com o governo em busca de alternativas para reduzir os efeitos sobre os passageiros.
Segundo a associação, as companhias “continuam trabalhando para efetivar” as medidas anunciadas pelo governo no início de abril, que incluem a redução de PIS/Cofins sobre o combustível, o adiamento de tarifas de navegação aérea e financiamento pelo Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC).
As empresas, no entanto, apontam que as medidas são insuficientes para compensar o aumento de custos. Também houve reação negativa ao anúncio de juros no parcelamento do reajuste do combustível. Inicialmente, a Petrobras informou taxa de 1,6% ao mês, depois ajustada para 1,23%.
Nos bastidores, companhias aéreas defendem a retomada da alíquota zero do Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves e a revisão do aumento das alíquotas de IOF aplicado no ano passado.