O ditador venezuelano Nicolás Maduro compareceu nesta quinta-feira (26) a um tribunal federal em Nova York pela segunda vez desde sua captura, em 3 de janeiro, durante operação militar dos Estados Unidos. A audiência foi conduzida pelo juiz distrital Alvin Hellerstein, que indicou que deve decidir em breve se autorizará o financiamento, pelo governo venezuelano, das despesas legais do réu e de sua esposa, Cilia Flores.
Detidos há quase três meses no Centro Metropolitano de Detenção, no Brooklyn, Maduro, de 63 anos, e Flores, de 69, participaram da sessão com auxílio de tradução simultânea. Durante a audiência, defesa e promotoria concentraram-se na discussão sobre o custeio dos honorários advocatícios, questão que tem marcado o andamento do processo desde o início.

A defesa, liderada pelo advogado Barry Pollack, argumenta que a proibição imposta pela administração do presidente Donald Trump para que Caracas arque com os custos legais viola o direito constitucional à ampla defesa. O juiz, no entanto, afirmou que não pretende arquivar o caso em razão da disputa sobre honorários, mantendo o processo em curso enquanto avalia a questão.
Maduro responde a acusações que incluem narcoterrorismo, conspiração para tráfico de drogas e posse ilegal de armamentos. Na primeira audiência, ele se declarou “prisioneiro de guerra” e negou todas as acusações. A Procuradoria dos Estados Unidos sustenta que o ex-mandatário liderou operações ligadas ao narcotráfico internacional, embora o Departamento de Justiça tenha recuado, em janeiro, de uma alegação anterior de que ele comandaria o chamado “Cartel de los Soles”.
Durante o andamento do processo, houve mudanças na equipe de defesa. Um advogado nomeado pelo tribunal foi substituído por Pollack, e o jurista Bruce Fein chegou a integrar o caso, mas foi afastado após contestação da defesa principal. O impasse sobre representação legal e financiamento segue como um dos pontos centrais da disputa judicial.
Paralelamente, o presidente Donald Trump afirmou que novas acusações poderão ser apresentadas contra Maduro. “Ele foi processado por apenas uma fração das coisas que fez. Outras acusações serão apresentadas”, declarou a jornalistas na Casa Branca, antes de reunião de gabinete.
Do lado venezuelano, o governo solicitou à Organização das Nações Unidas a libertação imediata de Maduro, classificando sua captura como ilegal. Manifestantes favoráveis e contrários ao ex-presidente se reuniram em frente ao tribunal federal em Manhattan, evidenciando a polarização em torno do caso.
A crise política na Venezuela se aprofundou após a queda de Maduro, com a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumindo o comando do país. Sob pressão internacional, o governo interino tenta implementar reformas e reaproximar-se dos Estados Unidos, que recentemente restabeleceram relações diplomáticas com Caracas.
Enquanto isso, Maduro permanece em regime de isolamento, sem acesso à internet ou jornais, segundo relatos. Informações divulgadas por seu filho, Nicolás Maduro Guerra, indicam que o ex-presidente mantém rotina de leitura e comunicação restrita com familiares e advogados. O desfecho do processo judicial, no entanto, ainda depende de decisões pendentes da Justiça americana, que podem influenciar tanto o andamento do caso quanto o cenário diplomático entre os dois países.