Em meio à possibilidade de avanço das investigações e ao temor de um eventual pedido de prisão, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, manteve contato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada para tratar de sua permanência na Espanha. A conversa ocorreu após relatório da Polícia Federal apontar indícios de que a saída do país poderia caracterizar tentativa de evasão.
O caso gerou preocupação no Palácio do Planalto, especialmente após a revelação da proximidade de Lulinha com Antônio Carlos Antunes, apontado como um dos principais envolvidos no esquema de fraudes contra aposentados. Diante da repercussão, a defesa de Fábio Luís informou que ele está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Segundo interlocutores, a mudança para a Europa vinha sendo planejada desde 2023, quando Lulinha teria iniciado a busca por imóveis em Madri. A defesa afirma que, em 2024, já havia encaminhado a pré-matrícula dos filhos em escolas na Espanha e que a mudança ocorreu cerca de um ano antes da deflagração da operação sobre fraudes no INSS.
Em relatório enviado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal apontou a possibilidade de fuga. “Do ponto de vista investigativo, asseveramos que Lulinha viajou para o exterior, sem previsão de volta, o que denota possível evasão do País, considerando estar associado aos fatos associados ao principal operador das fraudes bilionárias (Careca do INSS) a milhões de aposentados do Brasil”, registra o documento.
De acordo com aliados, o próprio Lulinha decidiu telefonar ao pai para explicar as circunstâncias da mudança e da permanência no exterior. O presidente já tinha conhecimento da ida do filho para a Espanha, onde ele vive com a esposa e os filhos desde meados de 2024, mas tratava o assunto de forma reservada.
Em conversas anteriores, ainda segundo interlocutores, Lula orientou o filho a prestar esclarecimentos e apresentar defesa às autoridades.
A defesa de Fábio Luís contesta a interpretação da PF e afirma que a mudança não tem relação com a investigação. “A tese de que ele teria morar ido morar em Madri para fugir da investigação é pirotécnica, fantasiosa e indecente. Ele estabeleceu tratativas com Madri a partir de 2023, em 2024 já tinha procurado imóveis, estava com pré-matrícula praticamente encaminhada. Se há departamento de inteligência em algum órgão, não funcionou, porque não detectou esse movimento”, declarou o advogado Marco Aurélio de Carvalho.
Nos bastidores, aliados do presidente avaliam que o retorno de Lulinha ao Brasil antes de eventual convocação pela Polícia Federal poderia reduzir o desgaste político. A preocupação é que a permanência no exterior seja explorada pela oposição durante o período eleitoral.