A Vara da Infância e da Juventude da Capital expediu, nesta quinta-feira, 5, um mandado de busca e apreensão contra o adolescente de 17 anos apontado pela Polícia Civil como articulador de um estupro coletivo contra uma menina de 17 anos. O crime ocorreu no dia 31 de janeiro, em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Agentes iniciaram as buscas para localizar o menor, que está foragido.
A decisão judicial ocorreu após o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) alterar seu posicionamento sobre o caso. Na quarta-feira, 4, a 1ª Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude Infracional havia representado contra o adolescente por ato infracional análogo ao crime, mas não solicitou a internação provisória — medida equivalente à prisão no sistema socioeducativo. Na ocasião, quatro homens maiores de idade foram denunciados pelo estupro coletivo da adolescente de 17 anos.

Nesta quinta, 5, o MPRJ solicitou à Justiça a internação provisória do investigado. O pedido foi motivado por uma comunicação do delegado Ângelo Lages, da 12ª DP (Copacabana), sobre o surgimento de uma segunda vítima que também atribui ao menor participação em um episódio de violência sexual.
Nova vítima
A segunda vítima, que atualmente tem 14 anos, procurou a polícia para relatar um abuso ocorrido em agosto de 2023. Na época, ela tinha 14 anos. Em depoimento, a mãe da jovem afirmou que o crime foi cometido por três homens, dos quais dois já foram identificados no caso de Copacabana: o adolescente e Mattheus Martins, de 19 anos.
De acordo com o relato, a menina foi atraída para uma emboscada. “A vítima relata o mesmo modus operandi. Ela já tinha ficado com o menor, confiava nele e ele a atraiu para o imóvel, que era do Mattheus”, disse o delegado Ângelo Lages.
A vítima contou que foi até a casa do menor e, ao chegar, encontrou três pessoas no local. Ela afirmou que foi para o quarto com o adolescente enquanto os outros dois homens ficaram na sala. Durante o beijo, os outros homens bateram na porta. Segundo o documento da polícia, o menor perguntou à vítima se os amigos podiam entrar e alegou que um deles pagaria o carro de aplicativo para ela voltar para casa, com o objetivo de coagi-la a abrir a porta.
Em seguida, o adolescente teria tirado a roupa da vítima “contra sua vontade” e iniciado o abuso. O relato afirma que os outros homens abaixaram a calça e que Mattheus deu um tapa no rosto da jovem e ordenou que ela fizesse sexo oral. A vítima também afirmou que os agressores bateram em seu rosto e deram socos em suas costelas durante o estupro, que durou cerca de 1h30. Ela contou que chorou durante todo o ocorrido e que os três “riam do que faziam”.
A Polícia Civil informou que o episódio apresenta o mesmo modus operandi do caso investigado em Copacabana, incluindo a forma como as vítimas foram atraídas para o encontro. Para os investigadores, os elementos reforçaram a necessidade de uma nova análise sobre a situação do adolescente.