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Juiz pede extradição de empresário suspeito de enganar 2 mil investidores
Segundo o MPF, o esquema gerido por Anthony Armstrong, ex-presidente do Alecrim Futebol Clube, causou prejuízo de R$ 75 milhões
Redação
04/11/2020 | 05:10

O juiz federal Francisco Eduardo Guimarães Farias, da 14ª Vara Federal, solicitou a extradição do empresário inglês Anthony Armstrong, que foi preso no dia 27 de outubro deste ano pela Interpol nos Emirados Árabes Unidos. O Ex-presidente do Alecrim Futebol Clube, de Natal, Anthony estava foragido desde março. Ele é alvo de investigação do Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte sobre esquema de lavagem de dinheiro no setor imobiliário potiguar – e teria dado golpe em pelo menos 2 mil investidores.

Segundo procedimento ordinário assinado pelo magistrado, o processo de extradição foi formalizado à Secretaria de Cooperação Internacional do Ministério Público Federal para realizar a tradução para o árabe de todos os documentos necessários à formalização do procedimento extraditório.

Em seguida, com promessa de reciprocidade, deverá ocorrer um acordo entre o Ministério da Justiça do Brasil e o governo dos Emirados Árabes para que o empresário seja encaminhado ao Rio Grande do Norte. No entanto, não há prazo definido para o processo de extradição.

A prisão preventiva de Anthony Armstrong foi decretada em 28 de março. Segundo o MPF, o esquema gerido pelo empresário inglês causou prejuízo de R$ 75 milhões. A investigação aponta que, por meio da empresa chamada Grupo Ecohouse, o empresário prometia aos investidores ganhos de 20% por ano. A rentabilidade viria da construção e venda de moradias populares no Rio Grande do Norte. Ainda segundo a denúncia, apesar da promessa de bons ganhos feita aos investidores, as obras de condomínios na região Metropolitana de Natal sequer foram iniciadas. Ainda de acordo com o MPF, o grupo não tinha qualquer relação formal com a Caixa Econômica Federal, responsável pelos financiamentos do programa federal “Minha Casa Minha Vida”.

1,5 mil investidores de Singapura e outros 350 do Reino Unido foram enganados

O golpe em investidores — boa parte deles de Singapura, na Ásia — foi aplicado entre 2012 e 2014. O pedido de prisão decorre das investigações abertas com a Operação Godfather, de 2014, cujo início partiu de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). À época, o MPF apontou que cerca de 1,5 mil investidores de Singapura e outros 350 do Reino Unido foram enganados.

Ainda de acordo com o MPF, o dinheiro desviado pelo esquema era encaminhado para quatro empresas no Rio Grande do Norte. Entre as pessoas jurídicas beneficiadas estava o próprio Alecrim Futebol Clube, time de futebol que foi presidido por Anthony entre os anos de 2012 e 2014.
Ainda de acordo com o MPF, o desvio de recursos para o Alecrim FC tinha o objetivo de “criar a falsa imagem de que Anthony Armstrong era um empresário de sucesso, com atuação em vários setores”. Hoje, o Alecrim está na segunda divisão do futebol potiguar.

Ainda de acordo com o Ministério Público Federal, o inglês Anthony Armstrong praticou 214 vezes crimes de fraude contra o Sistema Financeiro Nacional.

Denúncia feita pelo MPF tem 8 envolvidos

Segundo o Ministério Público Federal, além do estrangeiro, outras sete pessoas estão envolvidas no esquema e também foram denunciados por lavagem de dinheiro através do chamado Grupo Ecohouse. Uma delas é a enteada de Anthony e principal sócia dele, Gabriela Medeiros de Oliveira.
A ação penal, de autoria do procurador da República Renan Paes Felix, inclui ainda um funcionário da Caixa Econômica Federal e cinco contadores que assinavam como “profissionais independentes” as declarações (107 ao todo) que atestavam o suposto andamento das obras. Eles nunca visitaram nem mesmo os canteiros. As declarações falsas ajudavam a ludibriar os investidores, afirma o MPF.

Operação Godfather

A denúncia contra o empresário inglês é fruto da chamada Operação Godfather, deflagrada em 2014, cujas investigações tiveram início a partir de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A nomenclatura fazia alusão ao título em inglês dos famosos livros e filmes cujo nome em português, “O Poderoso Chefão”, se tornou apelido de Anthony Armstrong no RN.

O MPF detalha que o esquema prejudicou até 1.500 investidores de Singapura e aproximadamente 350 do Reino Unido. Embora tenham passado pelas contas do Grupo Ecohouse R$ 75 milhões nos dois anos e meio, há relatos de prejuízos ainda maiores. Uma advogada que representa 400 clientes de Singapura calcula em R$ 64 milhões o prejuízo de seus representados.

Já no Reino Unido, onde Armstrong foi condenado em março de 2019 pela Suprema Corte Britânica, o prejuízo estimado no processo (em relação aos 350 investidores locais) foi de aproximadamente R$ 120 milhões. Naquele país, cada interessado investia 23 mil libras esterlinas (uma libra vale atualmente, com cotação desta terça 3, aproximadamente R$ 7,45), enquanto que em Singapura cada cota era vendida por 46 mil dólares de Singapura (cada um está cotado em R$ 4,20).

O dinheiro era captado através da Ecohouse Brasil Construções (uma das empresas do grupo e que atuava ilegalmente como instituição financeira) e desviado para gastos pessoais dos dois principais envolvidos (Anthony e a enteada dele), além de investimentos em outras empresas do grupo. Pelo menos R$ 4 milhões foram gastos com o Alecrim Futebol Clube; sem contar despesas com empresas particulares dos dois líderes do esquema, como a QRV Segurança, o restaurante Liquid Lounge e a E H Negócios Imobiliários. Essa última, de fachada.

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