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Mente sã
Isolamento social pode trazer o que há de melhor e pior em nós, diz psicóloga potiguar
Segund Beatriz De Breyne, a pandemia de coronavírus poder abrir passagem para a possibilidade de as pessoas se entregarem ao medo, à ansiedade e depressão; cuidados com a saúde mental também necessários para superar o período de isolamento
Ana Lourdes Bal
11/05/2020 | 05:00

“Para seres sociais como nós, é um desafio ficar em isolamento social. Quando cada um está confinado em seu próprio espaço, vem a tona tudo aquilo que há de melhor e pior em nós, e assim, se refletem no seio familiar”, diz Beatriz De Breyne, psicóloga de Natal. Com a pandemia e a necessidade de ficarmos todos em casa, a convivência familiar é algo mais constante, afinal, boa parte da população não está trabalhando nem estudando.

Segundo a psicóloga, em um momento delicado como este, se abre passagem para a possibilidade de se entregar ao medo, a ansiedade e a depressão, principalmente para aqueles que já vinham de processos mentais adoecedores, mas também surge a possibilidade de resiliência. “Para nos reinventar e ressignificar, e assim, repensar acerca dos sentidos e significados da nossa vida, sobre o que realmente é importante e do que realmente queremos para a nossa vida”, explica.

Beatriz De Breyne destaca a importância do atendimento psicológico on-line, tanto para os que podem pagar por isso e para os que ainda não tem recursos. “Isso pode ajudar as pessoas a elaborarem e lidarem com aquilo que as afeta, desde a ansiedade e depressão que estão muito elevados nesse momento, como também a situações de trauma que possam ocorrer daqui para o futuro”, diz.

“Certamente, essa pandemia não é a última que nos perpassará, virão outras, devido as nossas tendências a aglomerações, globalização e contatos com animais silvestres. Então é importante que nós consigamos aprender com isso e desenvolver estratégias mais eficientes para outras futuras pandemias, precisamos estar preparados”, fala Beatriz.

“Já a nível individual existe a possibilidade de as pessoas simplesmente “esquecerem” o que aconteceu e retornarem as suas vidas “normalmente” até que um próximo problema dessa ordem apareça, mas também é possível que as pessoas saiam mais conscientes, realistas e preparadas, orientadas e decididas a buscar aquilo que ressignificaram durante a crise”, continua.

O brasileiro é bastante conhecido por ser carinhoso. Correlacionado com isso, está a questão do abraço, que teve é algo que está sendo evitado durante o tempo de isolamento social, como uma forma para evitar o contágio do coronavírus. “A questão de hábito que o brasileiro tem com os abraços, talvez venham a se diminuir devido a realidade que a pandemia trouxe, todavia isso é algo de ordem cultural. Podemos aprender outras maneiras de demonstrar afeto, mas duvido que isso seja extinto, acho que logo todos estarão se abraçando novamente mesmo que com um pouco mais de receio e cuidado”, diz.

“Nesse momento é importante que cada um cuide de sua saúde física e mental, fazendo a sua parte para evitar a propagação do vírus. Estamos lidando com algo invisível a olho nu e que não temos muito conhecimento, mas contanto que cada um faça a sua parte, talvez consigamos diminuir a possibilidade de traumas e sofrimentos ainda maiores. Juntos somos mais fortes!”, encerra ela.

“O mundo se transformou em aldeia”, aponta filósofo

Já o filósofo Jocian Anthon explica que a pandemia escancarou vários aspectos pessoais por nos tornar mais próximos daqueles que convivem conosco, havendo um maior estreitamento das relações, porém, nós também exacerbamos nosso estresse emocional e a irritabilidade.

“Nós já tivemos outras pandemias. Houve uma pandemia em 1918, da gripe espanhola. Houve também no XIV com a peste bubônica, dizimou dois terços da Europa. Em 1974, aqui no Brasil, nós tivemos um surto de meningite, onde as pessoas tiveram que usar máscaras e se isolarem por alguns dias em nosso país, mas nada se compara ao atual estágio, porque nós estamos vivenciando uma pandemia online”, explica Jocian.

“A sociedade planetária. O mundo se transformou em uma aldeia e as distâncias se exauriram. Hoje, o que acontece na China, na Tailândia, no Camboja, na Argentina, no Chile, na França, no Brasil, todo o mundo sabe de um modo instantâneo”, continua.

Sobre relações humanas, ele diz que precisamos ressignificar os valores. “A pandemia trouxe a tona o problema do nosso consumismo desenfreado e a da falta de humanismo”, diz o filósofo. Ele também diz que o futuro depende muito da nossa transformação pessoal, da nossa atitude.

“Alguns analistas a mais de dez vinte anos já falavam aí, não da questão da pandemia, mas falavam de processos envolvendo problemas ambientais, como maremotos ou terremotos. Esses são quadros um pouco catastróficos, mas precisamos estar conscientes. A gente precisa ressignificar o modo como encaramos a vida. Se nós encararmos a vida ou a existência, as pessoas com maior atenção. Precisamos nos unir, na verdade. Aqui no Brasil, essa pandemia tá fazendo o que as pessoas fiquem se digladiando entre esquerda e direita. No Fla-Flu ideológico sem sentido, quando na verdade, deveríamos nos unir. O momento atual é delicado, mas que exige que nós tomemos uma atitude mais humana, mais integrativa. Precisamos nos humanizar, se a gente quiser ter um futuro digno de ser vivido aqui no planeta”, encerra.

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