BUSCAR
BUSCAR
Esperança
Irmãs que foram diagnosticadas com câncer de mama ao mesmo tempo dão exemplo de força e esperança
União, amor e fé ajudaram Vera e Andréia a passarem por um dos momentos mais difíceis de suas vidas. O que para alguns poderia ter sido uma coincidência muito infeliz para elas foi algo positivo poderem enfrentar essa fase juntas
Dandarah Filgueira
08/03/2021 | 09:12

Vera Lúcia, 58 anos, e Andréia Cristina, 42 anos, são a irmã mais velha e a mais nova de uma família de 10 irmãos. Apesar da diferença de idade, sempre foram muito unidas e em 2016 acabaram se conectando mais ainda por um motivo não tão feliz: as duas foram diagnosticadas com câncer de mama, coincidentemente, ambas no seio esquerdo. Foi no dia da primeira quimioterapia de Vera que Andréia recebeu a notícia de que também estava doente.

Essa série de coincidências poderia ser um baque muito forte para qualquer pessoa, difícil de suportar, mas, para Vera e Andréia, se tornou um motivo para se unirem ainda mais e fortalecerem a fé que já tinham.
As duas já tinham passado por momentos difíceis com a perda do pai e da mãe, que faleceram com cerca de dois meses de diferença. A mãe partiu no dia do aniversário de 50 anos de Vera, em 4 de maio de 2012. No ano anterior à morte dos pais, Vera perdeu o esposo, que teve um AVC.

“Meus irmãos confiam muito em mim, não queriam me ver chorando, e eu disse ‘não vou decepcioná-los’. Tem momentos de tristeza, mas na maior parte do tempo eu procuro estar com esse astral”, explica Vera, que apesar de tantas adversidades da vida, se mantém sorridente, grata e sempre preocupada com o bem-estar de todos ao seu redor.

Verinha, como é chamada carinhosamente pelos irmãos, descobriu que estava com um carcinoma no seio esquerdo em julho de 2016. Precisou fazer uma cirurgia para retirar o quadrante da mama onde se encontrava o tumor, que tinha cerca de 0,8 centímetros, além de tratamento com radioterapia e quimioterapia.

A descoberta do câncer em Vera despertou a atenção de Andréia, a caçula que, por ser muito próxima dela, acompanhava de perto o tratamento da irmã. Andréia tinha feito uma ultrassom de mama havia menos de 8 meses e nada havia sido detectado, mas depois da notícia do carcinoma da irmã, solicitou à mastologista que acompanha as duas para fazer uma mamografia.

Até hoje, Andréia se recorda da frase do resultado do seu exame, que a deixou em choque: “Anormalidade suspeita, biópsia deve ser considerada”. No dia 8 de dezembro, quando Vera foi fazer a primeira quimioterapia, Andréia recebeu o resultado da biópsia pela mesma médica, e descobriu que tinha um nódulo semelhante ao da irmã, também no seio esquerdo.

“Eu desabei, chorei muito. Passa um turbilhão na sua cabeça, o chão só falta mesmo se abrir. Mas eu fui respirando, Verinha me tranquilizando”, conta, ainda emocionada quando se lembra do momento.

Andreia precisou, então, fazer a mesma cirurgia que a irmã, e depois começar o tratamento. Foi nesse momento que ela se apegou à fé, da mesma forma que a irmã mais velha que a inspirava. “Antes de sair o primeiro resultado de qual seria meu tratamento, eu fiz três votos a Deus, de joelho no chão eu disse: Senhor, me deixa sem nenhum cabelo na cabeça, mas não tira a minha vida”, relembra, chorando, do momento em que fez os votos de abrir mão das coisas que mais gostava de fazer: tomar cerveja, pintar as unhas de cores fortes e comer churrasquinho na sexta-feira.

Os dias passaram e Andréia recebeu a notícia de que não precisaria fazer quimioterapia. Foi então que ela ficou mais fervorosa na fé que tinha herdado da avó materna, da mãe e da irmã mais velha. “Hoje eu digo a todo mundo: Deus queria uma nova Andréia. E a cada vez mais estou mais ligada, mais em sintonia com Deus, após a minha doença eu percebi que eu precisava buscar os caminhos do Senhor”, conta.

Depois, em 2018, a oncologista que acompanhava Verinha solicitou uma tomografia do tórax, em que foi identificado uma opacidade. Em seguida, ela fez um novo exame de tomografia computadorizada e foi diagnosticada uma metástase no mediastino, o espaço entre os dois pulmões, ou seja, uma progressão do câncer de mama.

Vera sofreu em busca de tratamentos que dessem certo para retirar os linfonodos que estavam no tórax, desde quimioterapias em comprimidos orais que não fizeram efeito, até medicamentos que deixaram seus membros como se tivessem sofrido queimaduras, com a pele descamando. Chegou a passar dias seguidos com diarreia e perdeu muito peso.

Em junho de 2020, Verinha precisou voltar para a quimioterapia venosa, mas como já fazia o tratamento há muito tempo, as veias ficaram ressecadas e precisou implantar um catéter. Em outubro, uma surpresa: uma parte dos linfonodos desapareceu, restaram apenas dois, algo que Vera descreve como um milagre. Porém, em um novo exame recente, foi constatada uma nova progressão dos linfonodos, mas nada que abale a fé de Vera.

“Eu agradeço a Deus porque não passou para nenhuma outra parte do corpo, ele está na mesma região, e eu acredito que vai desaparecer. O sucesso de uma pessoa que faz tratamento contra o câncer é ter muita perseverança, porque na hora que você baixar a cabeça, seu organismo também vai lá pra baixo, as defesas vão pra baixo. Pra você ter uma ideia, desde que eu comecei o tratamento, a minha imunidade nunca baixou, eu nunca digo que estou mal porque eu sei que isso me ajuda bastante”, diz.

A única filha de Vera, Amanda Jéssica, tem 28 anos, é médica e tem atuado na linha de frente da pandemia de Covid-19. Em 2020, durante o tratamento da mãe, Amanda teve depressão. Para Vera, foi o período mais difícil por saber que a filha estava sofrendo.

“Nas minhas orações eu não pedia nem que Deus me curasse, eu pedia para curar minha filha, porque a depressão pra mim é uma doença muito mais complicada do que o câncer. O câncer você sabe onde está, mas a depressão é uma doença da cabeça”, diz.

Hoje, Amanda está bem. Vera reitera que em momento algum viu motivos para reclamar de sua vida, e que se considera privilegiada por tudo aquilo que tem.

As duas irmãs ainda estão em tratamento atualmente, e estão bem. O que para alguns poderia ter sido uma coincidência muito infeliz, para elas foi algo positivo poderem enfrentar essa fase juntas. Vera explica que, se ela não tivesse saído de Macaíba para fazer o tratamento em Natal, a irmã talvez não pedisse para fazer a mamografia, e o caso dela seria descoberto mais tarde, quando já estivesse em um estágio mais avançado.

“Não digo que foi fácil, mas eu ter passado esse período ao lado dela foi melhor pra mim, porque eu já me espelhava em alguém que estava em um tratamento e que a fé dela era mais fervorosa que a minha, ela me passava essa força de fé em Deus”, afirma Andréia.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.