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Saúde

Internações por infarto crescem 30% no RN

Casos passam de 3,6 mil para 4,6 mil em um ano, com aumento entre jovens e influência de hábitos de vida
Por Helliny França, O Correio de Hoje
24/03/2026 | 17:13

O Rio Grande do Norte registrou aumento de quase 30% nas internações por infarto entre 2024 e 2025, segundo dados do Ministério da Saúde. Foram 3.681 casos no primeiro ano, contra 4.672 no ano seguinte — uma alta de aproximadamente 27%. No período de dois anos, o total chega a 8,3 mil internações no Estado.

Em 2024, o número mensal de internações se manteve relativamente estável, variando entre 234 e 348 casos. Já em 2025, houve mudança no padrão: diversos meses ultrapassaram 400 registros, com pico em setembro, quando foram contabilizadas 508 internações.

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Internações por infarto cresceram cerca de 27% no Rio Grande do Norte entre 2024 e 2025, segundo o Ministério da Saúde - Foto: Freepik

De acordo com o cardiologista Caio Guedes, as doenças cardiovasculares, como infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC), seguem como a principal causa de morte no mundo. Ele avalia que o aumento dos casos também está relacionado ao maior acesso da população a recursos médicos, o que reduz a subnotificação observada em anos anteriores.

Outro fator apontado pelo especialista é a mudança no perfil dos pacientes, com crescimento de ocorrências entre pessoas mais jovens. Segundo ele, o estilo de vida e fatores ambientais têm impacto direto nesse cenário. Entre os principais riscos estão sedentarismo, sobrepeso ou obesidade, sono inadequado, tabagismo — incluindo o uso de cigarros eletrônicos —, consumo de drogas ilícitas e uso de esteroides anabolizantes.

A regionalidade também influencia a incidência dos casos. De acordo com o cardiologista, o Rio Grande do Norte historicamente apresenta uma população mais sedentária, embora esse cenário venha mudando nos últimos anos. Ele também alerta para os hábitos alimentares, destacando que o consumo de alimentos ultraprocessados e gordurosos acelera a formação de placas de gordura nas artérias do coração.

O médico ressalta ainda que fatores genéticos associados ao estilo de vida aumentam o risco de infarto. “É preciso adotar os cuidados necessários para que isto aconteça, ou seja, realizar atividade física regularmente, ter bons hábitos alimentares, cuidado com a saúde mental e priorizar sono de qualidade”, afirmou.

Sintomas e alerta

Entre os principais sintomas de infarto estão dor no peito — que pode se manifestar como aperto, pontada ou queimação —, geralmente associada a esforço físico ou estresse emocional.

A dor também pode irradiar para braços (não apenas o esquerdo), pescoço, mandíbula e costas, além de sintomas como sudorese e náuseas, conforme o médico.

Em alguns grupos da sociedade, como diabéticos, mulheres, idosos e pessoas com doença renal, os sintomas podem ser atípicos, incluindo dor abdominal e cansaço desproporcional ao esforço físico.

Geraldo Pinho

O secretário de Saúde de Natal, Geraldo Pinho, de 44 anos, foi internado nesta segunda-feira 23 após sofrer um infarto. Ele foi submetido a um cateterismo de urgência no Hospital Rio Grande.

O secretário municipal deu entrada na unidade no início da tarde, relatando dor torácica de moderada intensidade, com irradiação.

Segundo a assessoria do hospital, “foram identificadas alterações dinâmicas no eletrocardiograma, associadas à elevação de marcadores de necrose miocárdica, motivo pelo qual foi indicada internação hospitalar imediata para investigação complementar”.

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