BUSCAR
BUSCAR
Maranhão

Hospital universitário realiza primeiro transplante de fígado com doador vivo no Nordeste

Procedimento foi realizado em hospital público e envolveu doação de parte do fígado entre irmãos
Redação
02/02/2026 | 12:53

O Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou, pela primeira vez no Nordeste, um transplante de fígado intervivos entre pacientes adultos. O procedimento ocorreu na última quinta-feira 29 e representa um marco para a saúde pública do Maranhão e para a ampliação do acesso ao transplante hepático na região.

O paciente transplantado foi Antônio Severino da Silva, de 54 anos, diagnosticado com cirrose hepática idiopática. Com a progressiva perda da função do fígado e dores intensas, ele teve como doadora a própria irmã, Rosângela da Silva, que se voluntariou para a doação de parte do órgão. Antônio já se encontra em recuperação. “Surge uma nova esperança. Estou tranquilo e ansioso, mas creio em Deus que vai dar tudo certo. Eu só tenho a agradecer à minha irmã, ao hospital e à equipe médica, que se empenharam muito para que fosse possível esse transplante”, afirmou.

figado
Paciente transplantado foi Antônio Severino da Silva, de 54 anos. Foto: Registro da Ascom HU-UFMA/Ebserh

O HU-UFMA realiza transplantes hepáticos com doador falecido desde 2018 e está próximo de alcançar a marca de 60 procedimentos desse tipo. Com a realização do primeiro transplante intervivos, o hospital passa a oferecer uma alternativa que reduz o tempo de espera dos pacientes e amplia as possibilidades de tratamento para casos de doença hepática crônica em estágio avançado.

A cirurgia teve duração aproximada de sete horas e contou com a participação de profissionais com expertise na área, vindos do Rio de Janeiro, em conjunto com a equipe do Serviço de Transplante Hepático do HU-UFMA. O procedimento envolveu duas salas cirúrgicas, equipe multiprofissional, materiais específicos e suporte de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para o pós-operatório.

Segundo o cirurgião Orlando Torres, responsável técnico pelo Programa de Transplante Hepático do HU-UFMA, a equipe vinha se preparando há anos para esse avanço. “Nossa equipe já vem se capacitando há bastante tempo para dar esse novo passo, inclusive participando de cirurgias no Rio de Janeiro. O método do transplante hepático intervivos ocorre quando um doador vivo doa parte do seu fígado para um receptor com doença hepática crônica que necessita de um novo órgão”, explicou.

Torres destacou que a nova modalidade permitirá beneficiar um número maior de pacientes. “O transplante é a principal forma de tratamento do paciente com hepatopatia crônica no chamado estágio terminal. Pessoas com diferentes causas, como metabólica, alcoólica ou viral, por exemplo, podem ser submetidas ao transplante quando há indicação. Agora, vamos conseguir ampliar esse acesso”, afirmou.

O cirurgião Eduardo Fernandes, coordenador dos programas de transplante hepático do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e do Hospital São Lucas de Copacabana, ambos da Rede Ebserh, explicou que, em transplantes intervivos em adultos, é retirada entre 16% e 70% do fígado do doador. “É um procedimento complexo porque envolve uma pessoa viva, que não tem nenhuma doença. Por isso, é necessário um cuidado extremo para não causar nenhum problema em quem vai doar”, ressaltou.

Fernandes destacou que esse tipo de transplante ainda é pouco realizado no Brasil e avaliou o procedimento como um marco para o estado. “Isso chancela o programa de doador falecido, porque, habitualmente, os serviços que realizam transplante com doador vivo já percorreram uma trajetória de experiência com o doador falecido”, disse. Ele também ressaltou que a técnica reduz a necessidade de deslocamento de pacientes para outros estados.

Para o gerente de Atenção à Saúde do HU-UFMA, Dyego de Araújo Brito, a realização do transplante reforça o papel da instituição. “O HU-UFMA, ao longo dos anos, vem investindo na realização de transplantes de órgãos. Hoje, temos seis serviços habilitados, todos ativos. Esse novo desafio reforça o pioneirismo do hospital na realização de transplantes de órgãos no Maranhão”, afirmou.

Já o cirurgião Romerito Neiva, responsável técnico pelo Serviço de Transplantes do HU-UFMA, explicou que, no transplante intervivos, o paciente não precisa aguardar um órgão de doador falecido. “O doador é uma pessoa próxima, que se dispõe a doar parte do órgão, o que aumenta significativamente as chances de realização do transplante de forma mais rápida”, disse.

O HU-UFMA integra a Rede Ebserh desde 2013. A Ebserh é vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e administra atualmente 45 hospitais universitários federais, que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e atuam na formação de profissionais de saúde, pesquisa e inovação.