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Guedes avisa que bandeira tarifária vai subir e diz que fala sobre conta de luz foi tirada de contexto
Em evento na Câmara, ministro indagou: qual é o problema agora que a energia vai ficar um pouco mais cara porque choveu menos?
O Globo
26/08/2021 | 14:49

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira que sua fala na véspera, quando questionou “qual o problema” da energia elétrica ficar mais cara por conta da crise hídrica, foi tirada de contexto.

O ministro também afirmou que a bandeira tarifária (uma sobretaxa nas contas de luz por conta da falta de chuvas) vai voltar a subir, embora essa seja formalmente uma decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

— Hoje, como sempre, as narrativas são sempre fora de contexto. É o que eu disse: “nós temos um problema”. E aí? E daí? Como é que nós vamos fazer agora? Aí na mesma hora tem uma primeira página de jornal hoje (com) “ministro desconsidera crise hídrica”. Como se eu não tivesse preocupado. Tira completamente de contexto tudo que a gente fala — disse o ministro, que criticou a imprensa e afirmou que há uma antecipação da campanha política.

Seca no lago da hidrelétrica de Furnas, em Minas Gerais, expõe pequenas enseadas, ilhotas e até compromete a navegação Foto: Joel Silva / Agência O Globo
Seca no lago da hidrelétrica de Furnas, em Minas Gerais, expõe pequenas enseadas, ilhotas e até compromete a navegação Foto: Joel Silva / Agência O Globo
O nível dos reservatórios do centro-sul do país já estão em níveis mais baixos que os que levaram à crise que levou ao racionamento de energia em 2001 Foto: Agência O Globo
O nível dos reservatórios do centro-sul do país já estão em níveis mais baixos que os que levaram à crise que levou ao racionamento de energia em 2001 Foto: Agência O Globo
Hidrelétrica de Furnas, em Minas Gerais. Especialistas do setor dizem que se não houver redução do consumo a partir de outubro podem acontecer desligamentos pontuais Foto: Joel Silva / Agência O Globo
Hidrelétrica de Furnas, em Minas Gerais. Especialistas do setor dizem que se não houver redução do consumo a partir de outubro podem acontecer desligamentos pontuais Foto: Joel Silva / Agência O Globo
Barragem da hidreletrica de Furnas, MG, chegou a 18% de sua capacidade. Brasil vive sua pior crise hídrica em nove décadas Foto: Joel Silva / Agência O Globo
Barragem da hidreletrica de Furnas, MG, chegou a 18% de sua capacidade. Brasil vive sua pior crise hídrica em nove décadas Foto: Joel Silva / Agência O Globo
O presidente Jair Bolsonaro editou um decreto que determina a redução do consumo de energia elétrica em todos os órgãos públicos federais entre 10% a 20% Foto: Joel Silva / Agência O Globo
O presidente Jair Bolsonaro editou um decreto que determina a redução do consumo de energia elétrica em todos os órgãos públicos federais entre 10% a 20% Foto: Joel Silva / Agência O Globo
Barragem está localizada no curso médio do rio Grande, no trecho denominado
Barragem está localizada no curso médio do rio Grande, no trecho denominado “Corredeiras das Furnas”, entre os municípios de São José da Barra e São João Batista do Glória, em Minas Gerais Foto: Joel Silva / Agência O Globo
Seca no lago expõe pequenas enseadas e ilhotas Foto: Joel Silva / Agência O Globo
Seca no lago expõe pequenas enseadas e ilhotas Foto: Joel Silva / Agência O Globo
Baixo nível de represas preocupa especialistas Foto: Joel Silva / Agência O Globo
Baixo nível de represas preocupa especialistas Foto: Joel Silva / Agência O Globo
Com o baixo nível da represa pequenas ilhas de terra começaram a surgir no meio da represa Foto: Joel Silva / Agência O Globo
Com o baixo nível da represa pequenas ilhas de terra começaram a surgir no meio da represa Foto: Joel Silva / Agência O Globo
O Rio Grande faz parte do sistema de águas para gerar energia na Usina Hidrelétrica de Furnas Foto: Joel Silva / Agência O Globo
O Rio Grande faz parte do sistema de águas para gerar energia na Usina Hidrelétrica de Furnas Foto: Joel Silva / Agência O Globo
País terá de usar os estoques hídricos armazenados nas usinas para tentar evitar apagão e racionamento de energia neste ano Foto: Joel Silva / Agência O Globo
País terá de usar os estoques hídricos armazenados nas usinas para tentar evitar apagão e racionamento de energia neste ano Foto: Joel Silva / Agência O Globo
Governo estuda medidas para redução do consumo de energia elétrica para evitar um apagão. Foto: Joel Silva / Agência O Globo
Governo estuda medidas para redução do consumo de energia elétrica para evitar um apagão. Foto: Joel Silva / Agência O Globo

Bandeira vermelha

Nesta quarta-feira, o ministro acrescentou que não haveria por que ter medo agora e questionou:

— Quer dizer, qual é o problema agora: que a energia vai ficar um pouco mais cara porque choveu menos?

Em audiência pública no Senado, o ministro disse que a sua fala foi tirada de contexto e aproveitou para afirmar que a bandeira tarifária vai subir. Formalmente, quem estabelece os patamares das bandeiras é a Aneel.

Hoje, a bandeira vermelha 2 representa um adicional de R$ 9,49 para cada 100 quilowatts-hora consumidores. Está em consulta pública na agência a metodologia de cálculo desse valor, o que pode resultar numa alta. Para essa alta valer em setembro, é preciso que a decisão seja tomada até a próxima semana.

— Eu falei num contexto seguinte: “olha, tem uma crise hídrica aí, faltou chuva, e daí, e agora; eu vou rezar para cair a chuva, mas e daí, eu tenho que enfrentar a crise”. Nós vamos ter que enfrentar a crise de frente. Vamos subir a bandeira, a bandeira vai subir — disse o ministro.

Guedes acrescentou:

— Vamos pedir aos governadores não subirem automaticamente, porque eles acabam faturando em cima da crise. Foi nesse sentido que eu disse “e daí, e agora, temos que enfrentar, não adianta ficar sentado chorando”. Tem que avançar e dar soluções para o problema — disse o ministro.

Crítica a governadores

Guedes aproveitou para criticar os governadores pela cobrança do ICMS sobre bandeiras. A bandeira é uma forma de cobrir os custos extras decorrentes da geração de energia por usinas termelétricas. O consumidor pagará essa conta, seja na bandeira ou no reajuste anual da sua distribuidora de energia.

— Agora nós vamos levantar a bandeira contra a crise hídrica. Você não pode permitir que o próprio estado se aproveite de uma crise para cobrar mais. Tem impostos que incidem mais sobre a bandeira. Você bota a bandeira para falar que tem uma crise e o ICMS incide sobre isso — disse o ministro.

O ministro também citou os programas anunciados pelo Ministério de Minas e Energia para incentivar a redução do consumo de energia.

— O governo está levantando as bandeiras, criando programas que premiem quem faz economia de recursos de um lado e por outro lado que estimulem a produção e mantenham a capacidade do sistema de distribuição de energia. As bandeiras vêm aí. A base disso tudo é a crise hídrica. É algo que nós não controlamos — disse Guedes.

O ministro também comentou o preço dos combustíveis. Disse que eles subiram porque sofreram impacto da subida das commodities no mercado internacional e por conta do dólar. Afirmou que o governo federal tentou ajudar baixando os impostos, mas sem mencionar que essa redução valeu apenas para o diesel e por apenas dois meses.

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