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Música
Girls ON: o eletrônico na perspectiva feminina
Mulheres potiguares contam a experiência de serem DJs no mundo da música eletrônica
Ana Lourdes Bal
06/05/2020 | 06:00

Quando perguntadas pela reportagem se elas já passaram alguma situação de preconceito dentro da cena eletrônica por serem mulheres, as DJs de música eletrônica de Natal Carol Tuasco e Andressa Emma respondem que já passaram por momentos bem chatos e ainda passam atualmente. Nessa perspectiva, um grupo de mulheres criou sua própria festa: Girls ON. O objetivo delas era realizar um evento com música eletrônica com um line composto apenas por mulheres.

Carol tem 21 anos e toca desde os 16. Seu projeto, que se chama Carol Tuasco, é de tech house e techno, vertentes da música eletrônica. Já Andressa tem 24 e toca desde 2012. Ela tem dois projetos: Emma (house, tech house, deep house) e Dsuris (psytrance, progressive trance).

A música eletrônica tem uma estrutura comum, independente do seu estilo: introdução, break (ponto calmo), build up (ponto de tensão antes do drop), drop (ponto mais agressivo da música) e final. Dentro desse gênero musical, há vertentes e subvertentes, onde cada estilo é diferenciado pelas batidas por minuto (BPM), a velocidade da música.

A ideia do projeto Girls ON surgiu no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Andressa. “O TCC falava sobre mulheres artistas, sobre o valor, sobre as dificuldades, sobre as vantagens, sobre tudo. Daí eu senti a necessidade de juntar algumas mulheres pra mostrar para o público que estávamos juntas, se apoiando e que a gente quer apoiar mais mulheres. Deu muito certo”, conta a DJ. Carol Tuasco, Pri de Oliveira e, na época, o projeto Blue & Red, se juntaram para a realização desses eventos.

Carol conta que a união delas se deu com o mesmo propósito: “levar arte e música para as pessoas, fazendo com que seus trabalhos tivessem mais visibilidade”. Ela diz que a primeira edição do evento aconteceu no Seven Pub, em novembro de 2018 e haviam aproximadamente 85 pessoas. Já na mais recente, realizada no Amsterdam Pub em agosto de 2019, estavam presentes cerca de 170 pessoas.

“No cenário eletrônico, a porcentagem maior de artistas em festas e clubes é de homens. Na nossa região, dificilmente você vai ver um line com artistas tendo mulheres como maioria. Isso porque já abrimos um espaço bem grande pra mulheres”, diz a DJ Emma.

Como é ser mulher e DJ?

Andressa diz que nunca passou por nenhum preconceito “direto”. “Indireto sempre acontece, aquela coisa de ‘ah, porque ela tá no melhor horário pra tocar na festa’, como se a mulher não tivesse potencial suficiente, talento suficiente, pra estar ali naquele lugar, naquele horário”, narra.

“Outros, como o técnico de som achar que você não sabe mexer, que precisa de ajuda por ser mulher. Isso normalmente acontece, infelizmente. Já me acostumei, mas não deixo passar batido. Digo ‘ei, eu sei fazer isso aqui’, ou ‘se eu vou tocar nesse horário, eu vou conseguir, tenho talento e potencial pra fazer isso aqui’. As mulheres sempre vão sofrer em questão disso e a gente sempre vai tentar dar uma visão pra aquela pessoa”, conta.

“Quando eu comecei a tocar, eu não conhecia ninguém, nenhuma mulher DJ, sabe? Para poder compartilhar minhas experiências”, relembra. Já hoje em dia, ela conhece várias mulheres que estão crescendo na suas carreiras e que tocam muito. “Isso me traz uma felicidade muito grande.”

E a quarentena?

Com a pandemia do coronavírus, as festas e noitadas de música eletrônica pararam. Durante o período de quarentena, Carol avalia que sua carreira foi 80% prejudicada, mas os 20% restantes são salvos pela internet. “Fui convidada por um pessoal do Chile para fazer uma live e foi bem legal. Já olhando pelo lado da produção e de pesquisa de música, tenho bastante tempo livre para isso”, relata ela.

Assim como Carol, Andressa também teve a carreira prejudicada. “Mas estou me virando do jeito que dá, até pra não ficar parada. Sempre que posso, abro um vídeo ou outro, ou produzo algo novo”, conta. Ela diz que, até o momento, realizou três lives e tem outras programadas, mas ainda sem datas.

Uma forma de conhecer o trabalho delas e também de outras mulheres que tocam música eletrônica nesta quarentena são os podcasts da Girls ON. Quinzenalmente, elas trazem um set produzido por mulheres. Até o momento, elas tem treze programas. Para saber mais, acesse o Instagram @girlson.br ou a plataforma do Soundcloud (https://soundcloud.com/girls-on). Já as meninas podem ser encontradas nos perfis do Instagram @caroltuasco e @andressaemma.

Andressa Emma. Foto: Matheus Selim

Dica da repórter

Meu gênero favorito da música eletrônica é o psytrance. Por tanto, aqui seguem algumas mulheres com ótimas faixas dançantes pra você curtir nessa quarentena:

“Reality Test”

Desde os 17 anos, a israelense Nica Iliuhin (Reality Test) trabalha com produção musical. Aos 21, começou a tocar internacionalmente. É uma das maiores DJs na cena do psytrance mundial. Para ouvir: “GO!”, “Just One Night”, “TuTa”.

DJ Moon

A mexicana Diane Fernandez, também conhecida como DJ Moon. Além de comandar seu próprio projeto, ela e Mack, seu companheiro, tem o projeto Special M. Moon é conhecida por seu carisma ao tocar, suas perucas coloridas e seus fones com orelhas de gatinho. Para ouvir: “Signals”, “Déjà Vu”, “Quiero las estrelas”.

Alicid

A pernambucana Natália Azevedo tem estado em evidência nos últimos tempos. Alicid conquistou as pistas com seu prog melódico. Mas a pista realmente não para quando toca a track “Lysergic Love”. Para ouvir: “Lysergic Love” e“Resurge”.

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