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Enfrentamento
Gigantes da tecnologia se unem contra terrorismo de grupos de extrema direita e supremacistas brancos
Empresas como Facebook e Microsoft vão ampliar tipos de conteúdo extremista compartilhado em base de dados originalmente criada para compilar material de organizações radicais islâmicas
O Globo
27/07/2021 | 15:14

Uma organização de contraterrorismo formada por algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, incluindo Facebook e Microsoft, está significativamente expandindo os tipos de conteúdo extremista compartilhados entre empresas em um crucial banco de dados. O objetivo é reprimir material de supremacistas brancos e milícias de extrema direita, disse o grupo à agência de notícias Reuters.

Até agora, o banco de dados do Fórum Global da Internet para Combate ao Terrorismo (GIFCT, na sigla em inglês) se concentrou em vídeos e imagens de grupos terroristas em uma lista das Nações Unidas, abrangendo, portanto, principalmente em conteúdo de organizações extremistas islâmicas, como o Estado Islâmico, a Al Qaeda e o Talibã.

Nos próximos meses, o grupo adicionará manifestos de agressores — muitas vezes compartilhados por simpatizantes depois de atos de violência de supremacistas brancos — e outras publicações e links rastreados pela iniciativa da ONU “Tecnologia Contra o Terrorismo”. Ela usará listas do grupo de compartilhamento de inteligência Five Eyes (ou Cinco Olhos, a aliança entre as inteligências da Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos), adicionando URLs e PDFs de mais grupos, incluindo os Proud Boys, Three Percenters e neonazistas.

As empresas, que incluem o Twitter e o YouTube, compartilham “hashes”, representações numéricas únicas de conteúdo original que foram removidas de seus serviços. Outras plataformas usam isso para identificar o mesmo conteúdo em seus próprios sites a fim de revisá-lo ou removê-lo. Embora o projeto ajude a combater o conteúdo extremista em plataformas convencionais, os grupos ainda conseguem postar retórica e imagens violentas em muitos outros sites e partes da Internet. À Reuters, o diretor executivo do GIFCT, Nicholas Rasmussen, disse que o grupo de tecnologia quer combater uma gama mais ampla de ameaças.

— Qualquer pessoa que analise o cenário de terrorismo ou extremismo tem que entender que há outras partes que demandam atenção agora — disse Rasmussen, citando as ameaças de extremismo violento de extrema direita ou atos de ódio motivados pelo racismo.

As plataformas de tecnologia há muito são criticadas por não policiarem o conteúdo extremista violento, embora também enfrentem preocupações sobre censura. A questão do extremismo doméstico, incluindo a supremacia branca e grupos de milícia, passou a ter urgência novamente após a invasão de 6 de janeiro contra o Capitólio dos EUA.

Quatorze empresas podem acessar o banco de dados GIFCT, incluindo o Reddit; o Snap, que é proprietário do Snapchat; o Instagram, que pertence ao Facebook; a Verizon Media; o LinkedIn da Microsoft; e o serviço de compartilhamento de arquivos Dropbox

O GIFCT, que agora é uma organização independente, foi criado em 2017 sob pressão dos governos dos EUA e da Europa após uma série de ataques violentos em Paris e Bruxelas. Seu banco de dados contém principalmente impressões digitais de vídeos e imagens relacionadas a grupos listados como alvo de sanções pelo Conselho de Segurança da ONU e alguns poucos ataques transmitidos ao vivo, como o realizado contra uma mesquita em Christchurch, Nova Zelândia, em 2019.

O GIFCT enfrentou críticas e preocupações de alguns grupos de direitos humanos e digitais em relação à censura.

— Um exagero nas práticas nessa área o leva na direção de violar os direitos de alguém na Internet no que concerne à liberdade de expressão — disse Rasmussen.

O grupo deseja continuar a ampliar seu banco de dados para incluir hashes de arquivos de áudio ou certos símbolos e para aumentar o número de integrantes. Recentemente, ele adicionou a gigante de aluguel de residências Airbnb e a empresa de marketing por e-mail Mailchimp como membros.

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