A temporada 2026 da Fórmula 1 começa neste fim de semana com o Grande Prêmio da Austrália, disputado no Circuito de Albert Park, em Melbourne, abrindo uma nova era para a principal categoria do automobilismo mundial. O campeonato estreia um amplo pacote de mudanças técnicas e esportivas, considerado pela Fédération Internationale de l’Automobile (FIA) como o maior redesenho do regulamento em décadas, com alterações simultâneas nos carros, nos motores e na forma de disputa das corridas.
A transformação começa pelo tamanho dos monopostos. Após anos de crescimento progressivo das dimensões, os carros ficaram menores e mais leves: perderam cerca de 30 quilos, têm 10 centímetros a menos de largura e 20 centímetros a menos de distância entre eixos, o que reduz o comprimento total e promete maior agilidade nas curvas e mais possibilidades de ultrapassagem. O peso mínimo passou para 768 kg, numa tentativa de tornar as corridas mais dinâmicas e aproximar o comportamento dos carros ao de gerações anteriores da categoria.

Outra mudança importante envolve os pneus. Embora o aro continue com 18 polegadas, os pneus ficaram mais estreitos — cerca de 2,5 cm na dianteira e 3 cm na traseira — para reduzir o arrasto aerodinâmico e contribuir para o novo conceito de carros mais leves e ágeis.
A aerodinâmica também foi profundamente reformulada. O sistema de DRS, usado desde 2011 para facilitar ultrapassagens, foi abolido. Em seu lugar, a categoria adotou um sistema de aerodinâmica ativa, com asas dianteira e traseira móveis que podem alterar a configuração do carro ao longo da volta. Além disso, foi introduzido um modo de ultrapassagem, que libera energia adicional do sistema híbrido quando o piloto se aproxima de um adversário.
O conjunto de motores representa outra mudança estrutural. Os carros continuam usando motores V6 turbo híbridos de 1,6 litro, mas o equilíbrio de potência mudou radicalmente: agora há uma divisão próxima de 50% entre motor a combustão e energia elétrica, ampliando o papel do sistema híbrido. Ao mesmo tempo, a unidade MGU-H — responsável pela recuperação de energia térmica — foi eliminada, enquanto a potência do motor elétrico foi ampliada para cerca de 350 kW.
Em linha com as metas ambientais da categoria, todos os carros passam a utilizar combustível 100% sustentável, produzido a partir de fontes renováveis ou processos de captura de carbono. A expectativa da FIA é que a medida reduza significativamente as emissões de gases de efeito estufa e transforme a Fórmula 1 em um laboratório para tecnologias que poderão ser aplicadas na indústria automotiva.
As mudanças não se limitam aos carros. O campeonato também estreia ajustes esportivos e estruturais. O grid passa a contar com 11 equipes, com a entrada da Cadillac, enquanto a Audi assume a operação da antiga Sauber. Além disso, o calendário mantém 24 corridas, com novidades como a estreia do GP de Madri e alterações em algumas datas e formatos de eventos ao longo do campeonato. Com tantas mudanças, a expectativa entre equipes e pilotos é de um início de temporada marcado por incertezas técnicas e estratégicas. A corrida em Melbourne será o primeiro teste real do novo regulamento e poderá indicar quais equipes conseguiram interpretar melhor as regras — algo que historicamente costuma redefinir a hierarquia da Fórmula 1 nos primeiros anos de uma nova era tecnológica