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Eleições 2020
Fôlego jovem
Conheça três potiguares que disputarão um cargo político pela primeira vez com a promessa de melhoria da realidade social através da força da juventude
Pedro Trindade
14/08/2020 | 21:04

O protagonismo da juventude brasileira marcou a história do país em momentos memoráveis, como nas Diretas Já, em 1984, e no Fora Collor, em 1992, quando muitos foram taxados de rebeldes. Hoje, o desejo de mudar a ordem vigente, especialmente no campo político, é um anseio social que nasce dos eleitores e torna-se propósito de jovens comuns que decidem entrar na vida pública para mudarem sua realidade.

A vontade por mudança, aliás, é o estímulo que une três pré-candidatos ao posto de vereador em municípios potiguares: Brisa Bracchi (PT), Lucas Gabriel (DEM) e Tácio Cavalcanti (MDB). Eles, que têm entre 22 e 28 anos e pretendem reoxigenar a política, disputarão um cargo político pela primeira vez nas Eleições 2020.

A renovação nas Câmaras Municipais é uma demanda almejada por quase 3/4 da população, como detalha uma pesquisa de opinião realizada pelo Instituto Travessia. O levantamento revela que 41% dos entrevistados gostariam de trocar todos os vereadores e 32% desejam substituir mais da metade dos parlamentares de seus municípios.

Se depender da graduanda em licenciatura em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Brisa Bracchi, uma nova cultura política será construída em Natal. Ela, que começou a atuar no movimento estudantil secundarista aos 15 anos, ainda quando estudava no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), destaca que a luta coletiva é capaz de transforma o meio, seja ele a escola, o trabalho ou a cidade.

“Fazer política nada mais é do que debater os nossos incômodos diários e, a partir deles, construir coletivamente caminhos e alternativas de superação. É enxergar que outro mundo é possível. Dentre as várias formas de fazer política, a política institucional também cumpre um papel importantíssimo em nossas vidas – às vezes positivo, outras não – e que por isso também é importante disputa-lá”, expõe a pré-candidata pelo PT ao posto de vereadora em Natal.

Brisa tem apenas 22 anos e também se candidata pela primeira vez. Foto: Cedida

Integrante da organização feminista Marcha Mundial das Mulheres, Brisa pontua que o jovem gosta de debater política, refletir sobre os desafios existentes e disposição para transformá-los. Para petista, não basta ser jovem na idade; tem que ousar nas práticas políticas, “sem arredar o pé do nosso lugar”.

A jovem de 22 anos, que também atua no Enegrecer e na Kizomba – ambos coletivos sociais – ressalta que Natal vive sob “uma completa maquiagem para aparentar que funciona e que está dando certo”, especialmente nos locais onde há mais fluxo de pessoas, como em pontos turísticos e nos bairros nobres que concentram a elite natalense.

Ela aponta que quando se aprofunda na verdadeira realidade de Natal é possível perceber que Natal está longe de funcionar para todos.

“São justamente essas pessoas que vivem em locais que enfrentam mais dificuldades, principalmente nas regiões periféricas, que não estão dentro dos espaços de poder. Somos nós que andamos de ônibus todos os dias, que vamos trabalhamos e precisamos do Sistema Único de Saúde (SUS) que não temos voz dentro da Câmara Municipal de Natal. Por isso, quero ser a porta-voz das vozes de quem vive a cidade sem maquiagem, nas suas maiores dificuldades”, realça.

Brisa critica, ainda, a qualidade do transporte público na capital, que ostenta a tarifa mais cara do Nordeste (R$ 4,00), mas com uma estrutura que não é fidedigna ao valor cobrado. Essa, inclusive, é uma das pautas da sua pré-candidatura, que está sendo construída em parceria com outras pessoas através do manifesto “Outra Natal é possível”.

Ela frisa que a proposta é construir um possível mandato com uma forma de atuação diferente, pautada na relação e no diálogo com as vozes oprimidas na cidade, como a questão do direito à cidade, cultura, das mulheres, dos LGBT e da juventude. “A gente pode ter um formato de atuação conduzido pela construção coletiva”, enfatiza.

Desenvolvimento

Apostando no trabalho integrado, o engenheiro civil Lucas Gabriel pretende trazer desenvolvimento ao município de Currais Novos, no Seridó potiguar. Ele, que preside a  Juventude do Democratas do RN, diz buscar idéias, propostas e atuações que deram certo em outros municípios e podem ser adequadas à realidade dos curraisnovenses.

“O vereador não é apenas um agente fiscalizador. Ele precisa propor melhorias através de leis e intervenções. Assim, busco praticar a boa política e solucionar os problemas que emergirem da população”, comenta o pré-candidato pelo DEM a vereador de Currais Novos.

Lucas tem 25 anos. Foto: Cedida

O jovem de 25 anos acredita que, apesar das dificuldades enfrentadas pelos jovens na política, a população passou a perceber que o futuro da sociedade depende da juventude, seja em qualquer segmento. Tal aceitação estímulo Lucas a buscar novas ações de melhoria na sua cidade.

“Não víamos tantos jovens em posições de destaque, inclusive na política. Cabe a nós a preparação e a dedicação para que possamos fazer a diferença. Por isso, venho trabalhando e me preparando no decorrer dos anos da minha juventude partidária para assumir com comprometimento o cargo”, declara.

Lucas levanta as bandeiras da juventude e do desenvolvimento, que juntas podem garantir a capacitação e inserção do jovem no mercado de trabalho e no empreendedorismo. O pré-candidato crê, ainda, que o incentivo ao esporte é um dos principais meios de transformação social, o qual ele pretende investir, caso eleito.  

Emprego

A criação de oportunidades para jovens, geração de emprego e renda e democratização do acesso à cultura são pautas defendidas também pelo assessor de imprensa Tácio Cavalcanti, que atuou por nove anos na Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), local onde foi estimulado, através de pedidos de profissionais da instituição, a assumir um ofício público como político.

“Estamos passando por um momento em que o sentimento de renovação é imenso. Apesar da idade, tenho uma participação política desde os 18 anos. Iniciei como estagiário na Prefeitura de Natal e pude contribuir muito na vida acadêmica, desde o ensino médio até os dias de hoje. Senti de perto os problemas diários que os natalenses enfrentam”, fala.

O pré-candidato do MDB ao cargo de vereador em Natal acredita ser necessário aproximar o poder público das pessoas, pois “político não é bolha. Ele tem por obrigação estar 24h junto da população”. Tácio destaca que chegou o momento de ocupar os espaços públicos de forma inteligente, ampliando o acesso à música, dança e audiovisual, para que haja, de fato, uma Natal boa de se viver.

“Precisamos primeiro pensar Natal de uma forma ampla. Não serei vereador de apenas um bairro ou conjunto; serei de toda Natal. Temos que fazer a cidade para as pessoas, com bons projetos de infraestrutura, mobilidade urbana, inclusão social e, principalmente, oportunidade para os natalenses no pós-pandemia. Não existe melhor programa social do que o emprego. As pessoas precisam de oportunidade e precisamos criá-las”, afirma.

Eleitor jovem

Dos 2.447.178 eleitores potiguares, 325.473 têm entre 18 e 24 anos (13,3%), resultado semelhante às médias regional e nacional de 14,29% e 12,84%, respectivamente, segundo dados atualizados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O cientista político Bruno Oliveira explica que, entretanto, o eleitor jovem não necessariamente vota em um candidato jovem, assim como os votantes de outras de idades, pois o grande fator que determina a escolha do voto é o conceito criado em torno da candidatura e o quanto o postulante demonstra ser preparado para ocupar o cargo.

“Claro que o candidato jovem terá maior facilidade com o eleitorado jovem por causa da linguagem empregada durante as campanhas eleitorais, principalmente nas redes sociais. Mas o jovem pode conquistar também a confiança dos mais velhos, desde que se posicione de maneira que atenda aos anseios do eleitorado”, destaca.

Bruno Oliveira esclarece que o nicho que o candidato compõe tem mais influência na decisão do voto do que a idade em si, já que nos mais variados segmentos sociais, como pertencer a uma região da cidade, representar uma minoria ou desenvolver alguma atividade esportiva na comunidade, há pessoas das mais variadas faixas etárias.

Ele justifica tal afirmação utilizando a campanha do então deputado estadual Sandro Pimentel (PSOL) como exemplo. Pimentel foi eleito vereador de Natal nas eleições municipais de 2016 levantando a bandeira da defesa dos animais, um segmento que estava sem representação e que foi preenchida por ele.

Essa estratégia poderia ter sido adotada por qualquer candidato, independente dos anos que viveu, reforçando que representação de um segmento conversa mais com o eleitor do que a idade.

O cientista político ressalta que na sociedade há um desinteresse e descontamento com a política, que podem ser minimizados com o surgimento de novos nomes. “O apelo por renovação na sociedade é existente, mas não basta ser jovem para atender à ele, pois é importante considerar se o candidato é jovem de novas ou velhas práticas. É preciso apresentar juventude nas ideias – e isso pode ser realizado por candidatos de todas as idades”, expressa.

Bruno Oliveira reforça que a política partidária e eleitoral deve ser tratada como ação fundamental para melhorar a democracia de qualquer país, mas reconhece que apesar da força de vontade, ser jovem na política ainda é um desafio, pois existe discriminação, que é acentuada quando se é jovem e mulher, a qual passa a ser subestimada e questionada nesse ambiente predominantemente masculino.

“Fico triste quando vejo jovens que perderam o brilho e o interesse pela política, porque é uma atividade que precisamos nos envolver se quisermos fazer a mudança nos municípios e no país. Não deve ser simples ser jovem na política, mas é um desafio que a juventude não pode abandonar. As pessoas jovens precisam acreditar e trazer essa energia nova para o ambiente político”, encerra.

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