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Futebol
Flamengo: Gerson e Muniz de saída? Por que a venda de jogadores se tornou tão importante em 2021
Clube traçou meta de arrecadar até R$ 168 milhões em transferências em 2021, mas valor deve subir
O Globo
18/05/2021 | 14:15

O Flamengo segue negociando com o Olympique de Marselha uma possível venda do meia Gerson. O clube pretende vender o jogador por valores que beirem os 35 milhões de euros (cerca de R$ 225 milhões). Enquanto isso, o jovem Rodrigo Muniz é alvo do Genk, da Bélgica, em acordo que pode passar de R$ 30 milhões. Envolvido em diversas frentes, o rubro-negro projeta alta arrecadação com transferências, fator que virou central em um cenário financeiro de precaução em 2021.

 

Em dezembro do ano passado, o Conselho de Admnistração do Flamengo aprovou o orçamento para o ano atual com metas ousadas. Inicialmente, o clube traçou como objetivos previstos para a temporada 2021, em relação a valores de premiação, alcançar as finais do Carioca, as semifinais da Libertadores e da Copa do Brasil e a segunda colocação do Campeonato Brasileiro. Também na previsão orçamentária, tinha como meta arrecadar R$ 100 milhões com bilheteria e estádio, bem como R$ 168 milhões com vendas de jogadores.

Meses depois, o panorama mudou. Se na elaboração de seu orçamento, o Flamengo previa que a restrição de público nos estádios — devido à pandemia da Covid-19 — durasse até março, a temporada chegou aos meses posteriores de abril e maio sem qualquer sinal concreto do retorno dos torcedores, com pouco mais de 9% da população brasileira totalmente vacinada contra a doença, atualmente.

Readequação de orçamento

A situação exigiu que o orçamento fosse revisitado, conforme revelou Rodrigo Tostes, vice-presidente financeiro do Flamengo, em entrevista ao ge, no fim de março, época em que o clube divulgou seu balanço financeiro. Os valores previstos para a bilheteria passaram a ser vistos como inalcançáveis e, com a natureza incerta sobre valores de premiação, as transferências viraram a principal “arma” para que o clube feche o ano numa situação financeiramente tranquila, evitando imprevistos.

— No momento em que o orçamento foi feito, a gente entendia, com o processo de vacinação que já havia começado em outros países, que algo poderia ser feito e iria voltar (o público) nos estádios a partir de abril. Infelizmente, vimos que essa não é a relidadade. Vamos ter que adaptar esse orçamento e buscar outras receitas — disse, à época.

O clube registrou queda de 20,5% na receita bruta total em seu balanço, sendo a bilheteria, operações de estádio e sócio-torcedor a linha mais afetada, com redução 48% do faturamento em relação a 2019. Na entrevista, Tostes explicou ainda que o Flamengo precisaria compensar os valores de premiação que não fossem obtidos nas metas de premiação traçadas:

— Se a gente não chegar nessas posições, tem que compensar de outra forma. Se ultrapassar, vem como um “plus” para o orçamento. Aconteceu em 2019, como todo mundo sabe, e no ano de 2020, tivemos algumas frustrações, mas que foram compensadas com outras linhas.

Meta inicial atingida

Caso as saídas de Gerson e Muniz sejam concretizadas pelos valores pretendidos, o clube ultrapassaria com tranquilidade a meta inicial de R$ 168 milhões. Até março, quando emprestou o zagueiro Natan ao Bragantino, por R$ 5 milhões (em acordo de venda futura que totalizará cerca de 27 milhões), o rubro-negro ultrapassou os 100 milhões arrecadados em negociações, bateu a meta do semestre e ficou mais perto de atingir o valor esperado. As saídas de Lincoln, Yuri Cesar e Thuler foram incluídas na conta.

 

Com uma possível entrada de valores por volta dos R$ 200 milhões nas duas negociações em andamento — 10% do valor de uma possível venda de Gerson ficaria com a Roma — , o cenário seria de maior alívio e propício para maiores investimentos por parte do Flamengo.

Vale lembrar que o rubro-negro já fez altos investimentos no atual elenco, e a necessidade de valorização de ativos como Arrascaeta — e como poderia ser o caso do próprio Gerson — é uma realidade dentro do clube, embora tratada com muita cautela. No último balanço, o rubro-negro revelou que operação total de aquisição de Gabigol custou 96 milhões de reais, e a de Pedro, 88 milhões.

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