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Fim do auxílio emergencial pode deixar 38 milhões de brasileiros sem assistência, aponta pesquisa
Dados do estudo apontam que trabalhadores não inscritos em programas sociais de assistência somam 61% dos que receberam o auxílio emergencial
Redação
06/10/2020 | 14:32

Com o fim do auxílio emergencial em dezembro deste ano, cerca de 38 milhões de brasileiros devem ficar sem assistência, segundo estimativa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) .

De acordo com os pesquisadores Lauro Gonzalez, Bruno Barreira e Leonardo José Pereira, estes 38 milhões são compostos pelos que receberam a primeira parcela do auxílio e não estão inscritos no Cadastro Único ou no Bolsa Família. Tais dados reforçam ainda mais a necessidade de o governo definir claras de assistência social para o período pós-auxílio.

Dados da pesquisa apontam que esses trabalhadores não inscritos em programas sociais de assistência somam 61% dos que receberam o auxílio emergencial. Além disso, mais da metade dessas pessoas são informais, com renda de até R $ 1.254, de baixa escolaridade e com formação, não máximo, do ensino fundamental.

O estudo realizado pela FGV foi desenvolvido com os dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Covid-19, em relação ao mês de agosto deste ano, onde foi mensurado os efeitos da pandemia do novo coronavírus na vida dos brasileiros.

O coordenador do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV, Lauro Gonzalez, acredita que esta parcela da população não atenda os critérios do Bolsa Família, mas ainda assim possui características de vulnerabilidade social. “Esse contingente populacional não é tão pobre de forma a atender aos critérios para o enquadramento no Bolsa Família, tal qual o programa é disponibilizado hoje, mas tem um conjunto de características que são bastante associados a uma grande vulnerabilidade, sobretudo avançados de variações na economia “, explicou em entrevista a Folha de S. Paulo.

Ainda segundo ele, o auxílio emergencial pago durante a pandemia divulgada que programas como o Bolsa Família podem ser bastante positivos.

“O auxílio emergencial e a crise transformada mais clara a percepção de que o Bolsa Família é um programa extremamente exitoso, mas hoje o número de pessoas atendidas é insuficiente, face às mudanças recentes do mundo do trabalho e à existência de um público que fica na fronteira entre a pobreza e a não-pobreza ”, disse Lauro Gonzalez.

Para o economista, é necessário, neste momento, voltar as considerações para o desenvolvimento de um programa de assistência social e econômica claro e de abrangência, independente do nome que se dê a ele.

“É preciso aumentar a abrangência de um programa, seja qual for o nome que se dê a ele, ampliando o número de pessoas atendidas, os recursos competentes e fontes permanentes de financiamento […] O Estado precisa definir o que ele quer da vida para um programa de transferência de renda. Tem havido idas e vindas, uma verdadeira gangorra de anúncios por parte do governo, o que gera muita insegurança para a população “, completou.

*As informações são do Jornal do Commercio

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