O fim da patente da semaglutida, princípio ativo do medicamento Ozempic, abre caminho para mudanças importantes no acesso ao tratamento no Brasil. A expectativa é de que, com a quebra da exclusividade, novos fabricantes passem a produzir versões mais acessíveis do fármaco, ampliando a oferta no mercado.
Desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, o medicamento ganhou notoriedade inicialmente no tratamento do diabetes tipo 2, mas passou a ser amplamente utilizado também no controle de peso, o que impulsionou sua demanda global. No Brasil, o alto custo sempre foi um dos principais entraves para o uso contínuo por pacientes.

Com o encerramento da patente, empresas interessadas poderão solicitar registro de versões similares junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, especialistas alertam que esse processo não é imediato, já que envolve etapas rigorosas de avaliação de eficácia, segurança e qualidade.
Além disso, há diferenças técnicas entre medicamentos biológicos e os chamados biossimilares, o que pode impactar o tempo necessário para a entrada de concorrentes no mercado. A produção desses fármacos exige alta complexidade tecnológica, o que também influencia os custos.
Mesmo com a possibilidade de ampliação da oferta, não há garantia de queda imediata nos preços. Historicamente, a entrada de genéricos e similares tende a reduzir os valores ao longo do tempo, mas fatores como escala de produção e concorrência efetiva são determinantes para esse movimento.
O cenário, no entanto, é visto como positivo por especialistas, que apontam a possibilidade de democratização do acesso ao tratamento, especialmente para pacientes que utilizam a semaglutida tanto no controle glicêmico quanto na obesidade.