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Economia

Fim da escala 6×1 vai gerar aumento de 7% nos bares e restaurantes

Representantes apontam impacto na folha de pagamento e possível reajuste ao consumidor
Por O Correio de Hoje
15/04/2026 | 14:12

A possível aprovação do fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas devem ter impacto direto sobre o setor de alimentação fora de casa, considerado intensivo em mão de obra. Representantes da área avaliam que a medida pode elevar custos operacionais e pressionar preços ao consumidor, em meio à tramitação da proposta no Congresso Nacional.

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, afirma que o segmento deverá reajustar preços em cerca de 7% para compensar a necessidade de contratação de novos funcionários ou eventual redução dos dias de funcionamento. Segundo ele, a mudança exigiria recomposição de equipes para cobrir jornadas mais curtas, elevando a folha de pagamento.

Abrasel
Entidade do segmento vê risco de aumento de custos e tenta influenciar - Foto: Reprodução / Internet

De acordo com Solmucci, a estratégia do setor será tentar reduzir o apoio popular à proposta, hoje estimado em cerca de 70%, ao evidenciar os impactos econômicos da medida. “Se cair cerca de 12 pontos, para a casa dos 50%, mesmo que fique próximo de 60%, o próprio governo não vai querer votar a mudança”, disse.

O dirigente avalia que a proposta enfrenta limitações práticas, especialmente em setores que operam de forma contínua ao longo da semana. Para ele, a redução da carga horária poderia ser discutida de forma gradual, mas sem a eliminação da escala 6×1. “A redução de 44 para 40 horas semanais é viável, desde que com transição mais lenta. O problema é proibir o modelo atual”, afirmou.

Entre os principais pontos de preocupação está a necessidade de ampliar o quadro de funcionários em um ambiente de mercado de trabalho mais restrito. Segundo o representante da Abrasel, a recomposição de equipes poderia gerar aumento de até 20% na folha salarial, dependendo do modelo adotado pelos estabelecimentos.

O impacto também se estenderia a outros setores de serviços, como clínicas médicas, onde o peso da folha de pagamento é mais elevado. Nesse caso, o reajuste de preços poderia chegar a 15% ou mais, segundo estimativas do setor.

A proposta de mudança na jornada de trabalho ganhou tração política nas últimas semanas e enfrenta um prazo potencial de votação acelerada, caso seja mantido o regime de urgência. O tema divide opiniões entre setores produtivos e governo, que defende a medida como instrumento de melhoria da qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e descanso.

Para o setor de alimentação fora do lar, no entanto, o debate envolve não apenas custos, mas também a reorganização da oferta de serviços. Representantes avaliam que a eventual redução da escala pode levar à diminuição de dias de funcionamento ou à redistribuição da força de trabalho, com possíveis efeitos sobre a disponibilidade de serviços, especialmente em regiões de menor renda.