O Fest Bossa & Jazz não será realizado na Praia da Pipa em 2026. A decisão foi anunciada pela Juçara Figueiredo Produções, organizadora do festival, que atribuiu o cancelamento à falta de patrocínio e de apoio do poder público para viabilizar o evento. Segundo a produtora, a ausência dos recursos necessários impediu a realização da edição prevista para este ano.
Em nota, a organização informou que decidiu comunicar o cancelamento “de forma clara e transparente” ao público, parceiros e artistas. “Para que o Fest Bossa & Jazz aconteça com a qualidade e a estrutura que o público merece, é indispensável contar com o apoio financeiro e institucional de empresas patrocinadoras e do poder público. Neste ano, a ausência do patrocínio e do apoio do poder público necessários inviabilizou a realização da edição de Pipa”, afirmou.

Em 2026, o festival completa 17 anos de existência e soma 32 edições realizadas em diferentes destinos do Rio Grande do Norte, todas com acesso gratuito ao público. A organização destaca que, ao longo desse período, o evento promoveu apresentações musicais, atividades de formação cultural e ações voltadas à inclusão.
Ao AGORA RN, a produtora Juçara Figueiredo afirmou que as dificuldades para viabilizar o festival começaram ainda no fim do ano passado, durante a transição administrativa do Programa Câmara Cascudo.
“No final do ano passado já estávamos apreensivos, por conta da mudança do Programa Câmara Cascudo saindo da Fundação José Augusto pra Secult/RN, a reestruturação da Lei com mudanças super positivas, tornando-a digital, mas tudo isto leva tempo pra ser feito, refazer um decreto, definir tetos, treinar pessoas, conseguir criar um novo conselho com novos pareceristas que no final atrasou a publicação do edital e todo o processo, que normalmente era feito de um ano para o outro.”
Questionada sobre os patrocínios que deixaram de ser viabilizados, Juçara afirmou que as empresas procuradas alegaram indisponibilidade financeira. “Os patrocinadores estavam descapitalizados, pois tinham aportado em projetos de interesse do próprio poder público. A gente tentou várias reuniões para apresentar nossa proposta e só recebemos ‘não’, aí foi ficando claro para nós a inviabilidade.”
A produtora também informou que buscou apoio junto ao Governo do Estado e à Prefeitura de Tibau do Sul, mas as negociações não resultaram em recursos para a realização do festival.

“Tentamos sim dialogar tanto com o Governo quanto com a prefeitura, com bastante antecedência, pois trabalhamos planejados, afinal temos que conseguir a agenda de artistas a tempo, pois as reservas são feitas com muita antecedência. O Festival normalmente é planejado de um ano para o outro.”
Ela também relembrou que, em edições anteriores, o evento contou com patrocinadores privados e instituições parceiras. “Quanto às entidades, há anos atrás, quando o festival era realizado no formato de palco grande numa grande arena, tivemos patrocínios das multinacionais, também a participação do Sesi, Sesc e Sebrae, mas desde que o evento foi para a rua perderam o interesse, deixamos de ter o glamour dos camarotes.”
Segundo Juçara, para realizar a edição de Pipa dentro do limite previsto pela Lei Câmara Cascudo seria necessária a captação de aproximadamente R$ 600 mil. “Respeitando o teto da Lei, teríamos que realizar com o valor de aproximadamente R$ 600 mil.”
A organização informou que não chegou a estudar uma versão reduzida do festival. A alternativa considerada foi transferir a realização para o fim do ano, caso houvesse tempo para captar recursos, hipótese posteriormente descartada. “Pensamos até em realizar em outras datas no final do ano para tentar captar, mas reduzir depois de 17 anos na batalha, 32 edições realizadas no RN, não seria uma boa experiência para o nosso público.”
De acordo com a produtora, esta é a primeira vez que uma edição do Fest Bossa & Jazz deixa de acontecer no Rio Grande do Norte por falta de recursos. Ela lembra, porém, que a Praia da Pipa já ficou sem receber o evento em 2017, quando a programação foi transferida para Mossoró. “No Estado, sim, é a 1ª vez. Na Praia da Pipa, deixamos de realizar em 2017 por falta de patrocínio, mas realizamos em Mossoró.”
Sobre uma possível retomada ainda em 2026, Juçara afirmou que considera difícil conseguir os recursos necessários neste momento. “Só temos expectativa se houver recursos financeiros e apoio para realizar, mas nesta altura do ano, acho difícil conseguir algum aporte que proporcione uma edição no Estado. Agora é aguardar. Talvez em 2027, se houver uma movimentação ainda este ano por parte de prefeituras interessadas.”
Ela também citou mudanças previstas na política de incentivo à cultura. “No âmbito do Governo, estamos num ano político. Em 2027 mudará totalmente o regime fiscal no Brasil, acabando com a Lei de Incentivo ao ICMS. Aí teremos que aguardar como será a política cultural do Brasil.”
Na nota divulgada ao público, a organização afirma receber a notícia “com tristeza”, mas ressalta o legado construído pelo festival ao longo de sua trajetória. “Ao longo desses 17 anos, o Fest Bossa & Jazz levou música, formação cultural, inclusão e desenvolvimento para milhares de pessoas, consolidando-se como um dos mais importantes festivais gratuitos do gênero no Brasil.”
A produtora encerra a manifestação agradecendo ao público, artistas, parceiros e patrocinadores que participaram da história do evento e afirma que continuará trabalhando para que o Fest Bossa & Jazz volte a ser realizado nos próximos anos no Rio Grande do Norte.