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Entrevista
Fernando Fernandes: “Natal deve voltar aos tempos de esplendor”
Secretário de Turismo de Natal acredita que só com planejamento e integração regional, quem já foi rei voltará a ser majestade e fala do que a prefeitura está fazendo para conseguir isso em plena pandemia
Redação
24/07/2021 | 08:59

Quem conhece Fernando Fernandes, secretário de Turismo, de Natal, sabe que ele é pau pra toda a obra. Dono de um pragmatismo que o destacou como empresário dos melhores, ele é, ao mesmo tempo, um conciliador de agendas e solucionador de crises. Não é à toa que o prefeito Álvaro Dias preferiu vê-lo no turismo, num momento em que o RN enfrenta a continuação de uma pandemia que atropela o mundo desde o primeiro semestre do ano passado.

Sair dessa situação requer uma interlocução com diferentes setores, um grande cabedal de informações e experiências adquiridas ao longo dos anos e pragmatismo suficiente para perseguir objetivos aparentemente inalcançáveis. E tudo isso define Fernando Fernandes.

Tanto que ao destacá-lo para a Secretaria Municipal de Turismo, o prefeito escolheu o nome mais hábil para conduzir conversas com parte do empresariado que compõe a vasta cadeia de mais de 55 negócios do turismo, do maior hoteleiro, ao empresário, ao vendedor ambulante.

“A missão que me incumbiu o prefeito foi aumentar a todo o custo as parcerias do setor com a iniciativa privada, já que são notórias as limitações do poder público numa área economicamente tão estratégica como o turismo”, admite Fernandes.

Logo de início, ele se sentou não só com entidades representativas de turismo, como ABIH, Abrasel, Convention Bureau, mas também procurou o presidente da Fiern, Amaro Sales; da Fecomércio, Marcelo Queiroz, que também preside o Conselho Deliberativo do Sebrae-RN, e da Federação da Agricultura, José Vieira.

Objetivos há e muitos, afirma ele: transformar a gestão do turismo em Natal algo mais profissional, sepultando o tempo das improvisações em que ações eram realizadas de afogadilho, buscando resultados incertos.

Nesse ponto, Fernandes não esconde a esperança de trazer de volta a Natal o prestígio que já teve no passado, perdido em algum momento da história recente. Mas como ele mesmo diz: “Quem foi rei um dia, nunca perde a majestade. Natal continua sendo um grande destino brasileiro”.

Mas há condicionantes a serem seguidas, alerta: “É necessário mais do que nunca uma ação integrada, de planejamento, que explore todos os recursos à disposição nas redes sociais, jogando luz sobre nossas potencialidades regionais como a gastronomia, quebrando com aquele antigo conceito que só nos definia como um destino de sol e mar”.

Em meio à crise sanitária, destacam-se as demonstrações de coragem

Olhando hoje, depois do tsunami que foi e é a pandemia do novo coronavírus, Fernando Fernandes só tem elogios para a reação da sociedade potiguar, a despeito dos problemas que vem enfrentando com a pandemia. “Das pessoas nas ruas usando máscaras em sua grande maioria às medidas biosanitárias implantadas pela hotelaria, bares e restaurantes, a ideia que fica é de uma união muito grande para que pudéssemos preservar a nossa casa, o destino”, afirma.

Nesse ponto, ele destaca alguns atores, como o Sistema S no apoio aos segmentos mais vulneráveis do turismo, como barraqueiros, bugueiros, donos de quiosques de praia e vendedores ambulantes. “Foi montado um programa de biossegurança para os pequenos empresários de Ponta Negra à Redinha com uma meta de mil pessoas, mas que no final atendeu 1.300 pessoas”, ele lembra.

Durante o auge da pandemia, no ano passado, quando o coronavírus ainda era um mistério para a maioria das pessoas, Fernandes cita como positivas todas as ações desempenhadas pela gestão, que tratou de lidar com a crise com toda a seriedade possível, a partir do acolhimento da população do ponto de vista hospitalar e na atenção primária. “E isso foi uma sinalização de que aqui há um grau elevado de responsabilidade com o destino”, ele acentua.

Ao mesmo tempo, avalia o secretário de Turismo de Natal, a prefeitura teve o cuidado de dosar suas ações para não prejudicar ainda mais as atividades econômicas.

“Essa dosagem extremamente delicada demandou ouvir não apenas o nosso comitê científico como também o setor produtivo”, lembra. Entre as respostas de impacto econômico, Fernandes cita o parcelamento e prorrogação de prazos de recolhimento de tributos e, mais recentemente, um programa de refinanciamento de dívidas (Refis) com grande impacto sobre as atividades econômicas locais.

“Todos os débitos tributários municipais foram envolvidos. Pode não ser tudo o que os empresários reivindicam, mas mostrou que um bom diálogo entre a prefeitura e o setor produtivo existe”, afirma.

Trata-se de uma regulagem fina, segundo ele, já que sem os tributos não seria possível ao município manter estruturas caras como saúde, educação e segurança, primordiais para a vida da comunidade.

Turismo, perguntem a quem quiser: Fernando Fernandes não economiza nem sola de sapato e nem saliva. Ele já atravessou a rua para conversar com a secretária estadual de Turismo, Aninha Costa, seguindo a máxima de um conhecido empresário potiguar, Antônio Gentil, que costumava aconselhá-lo: “Fernando, aprenda sempre a fazer mais com menos”. E foi com essa inspiração que Fernandes buscou juntar iniciativa privada, poder estadual e poder municipal num conjunto de ações de interesse mútuo.

Sobre metas de futuro para o turismo de Natal, essa ação tem nome: integração. Depois de fechar junto à Secretaria Municipal de Turismo de Fortaleza o projeto “Rota do Sol Nordeste – Turismo Integrado Natal/Fortaleza” com o objetivo de promover e fortalecer o turismo regional entre as duas capitais, incluindo ainda as praias de Pipa (RN) e Canoa Quebrada (CE) no roteiro, a ideia agora é estender essa cooperação junto às demais capitais do Nordeste.

“São tempos difíceis, de passagens aéreas caras e restrições por força da pandemia, então é preciso fortalecer o turismo regional com ações integradas e não isoladas, pensando não só em recuperar os prejuízos com a pandemia, como as perdas que já vinham antes dela, em 2019“, explica.

Observador atento da vida na cidade, Fernando Fernandes diz que há uma pulsação muito grande dos empreendimentos em torno do retorno do turismo. Só lamenta que o setor de eventos seja o último a retornar, o que do contrário já teria garantido o sustento de muitos negócios.

Sobre o Plano Diretor de Natal e o desenvolvimento do turismo na cidade, Fernando Fernandes não tem dúvida: é um processo que encontra no prefeito Álvaro Dias um ponto de confluência. “Embora tenha nascido em Caicó, o prefeito mora em Natal há 50 anos, é cidadão natalense, e estudou muito a possibilidade de integrar a cidade por meio de obras que resgatem a cidade para a população, o que a tornará muito mais atraente aos visitantes”, resume.

Exemplos desse trabalho há muitos, diz Fernando. “A requalificação da Avenida Rio Branco, no centro, já começou com acessibilidade, ciclovia, fazendo ressurgir um pouco do bairro em seu esplendor de antigamente”, diz.

Nesse contexto, a recuperação do Espaço Rui Pereira e o tradicional Beco da Lama são estímulos importantes para se promover a boemia de Natal no contexto de uma cidade que tem muito a oferece.

Mas, para isso – antecipa – a fiação de postes na área do Beco da Lama será toda subterrânea e a iluminação em led tornará o local à noite mais aprazível para o empreendedor e o visitante. Não é só: boa parte do bairro histórico da Ribeira está na mira dessa requalificação que é um sonho antigo de outras administrações de Natal.

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