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Fechado há 3 meses, Aquário Natal tenta sobreviver com doações e empréstimo financeiro
Um dos principais pontos turísticos do Rio Grande do Norte, o Aquário tem como a principal fonte de renda a visitação do público; direção do equipamento busca meios para manter a alimentação diária e a saúde dos 400 animais existentes no local
Redação
22/06/2020 | 05:02

Quatrocentos animais e três tratadores. Esse é o público que tem frequentado recentemente o Aquário Natal, que fica em Extremoz, na região Metropolitana. Fechado para visitações há três meses, devido à pandemia do novo coronavírus, o local sobrevive com campanhas de arrecadação de dinheiro, doações e um empréstimo financeiro.

Um dos principais pontos turísticos do Rio Grande do Norte, o Aquário tem como principal fonte de renda a visitação do público. De acordo com o biólogo e um dos proprietários do local, Douglas Brandão, a quantia acumulada durante o o período de atividade já acabou, mas foi feito um empréstimo financeiro, para que não prejudicasse às atividades do Aquário.

“Estamos fechados há três meses. Todas a nossa renda são dos visitantes e o dinheiro que tínhamos guardado para uma situação emergencial já acabou. Tivemos que fazer um empréstimo no banco e ele irá durar mais uns dois meses, pelo menos”, contou em entrevista ao Agora RN.

Maior aquário do Nordeste, o local recebe mais de 200 mil pessoas anualmente. Com o maior público voltado para turistas e escolas, o “aquazoo” passa por dificuldades até mesmo para a retomada das atividades.

Segundo o biólogo, a possibilidade da suspensão das aulas presenciais até o final do ano e empresas operadoras de turismo agendando novos passeios apenas em janeiro de 2021, mesmo com a retomada da economia e das normalidades nas atividades do lugar, a situação financeira ainda será delicada.

Outra questão preocupante é com relação à alimentação dos animais. De acordo com Douglas Brandão, a Central Estadual de Abastecimento do RN (Ceasa) tem ajudado, com o programa Mesa Solidária, em que evitam desperdícios e destinam alimentos para o Aquário.

“Estamos nos esforçando para a manutenção dos animais. Temos recebido apoio da Ceasa, com o Mesa Solidária. Nas campanhas de arrecadação que fazemos, nós evitamos pedir comida e pedimos ajudas financeiras, pelo fato de nem sempre a comida durar para alimentar os animais”, relatou.

Para a manutenção dos funcionários, o Aquário teve que recorrer para a Medida Provisória que suspende temporariamente os contratos de trabalho dos colaboradores. Cerca de 95% dos trabalhadores do local estão sob esse regime contratual.

Diferentemente do Zoológico de Torquay, na Inglaterra, que deve sacrificar bichos caso não encontre novos lares para eles, o Aquário Natal não pretende sacrificar ou liberar seus animais. O fato de terem nascido ou sido criados em cativeiro, faz com que não tenham condições de retornar para a natureza.

“São animais de cativeiro. Nasceu em cativeiro ou foi criado lá. Não tem condições de colocá-los de volta na natureza. Eu tenho um hipopótamo aqui. Onde vou soltar um hipopótamo no Brasil?”, explicou.

A retenção nos gastos estão ajudando na manutenção do momento. O processo de tratamento e soltura que era oferecido pelo Aquário não está mais sendo efetuado.

O local encaminha estas demandas para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outros órgãos competentes. Segundo o proprietário, gastos com energia, por exemplo, caíram de R$ 17 mil, para R$ 7 mil. O custo só ainda não é inferior, por conta do espaço reservado para os pinguins.

Para a reabertura do local, Douglas afirmou que já está em contato com a prefeitura de Extremoz para avaliar a situação, mas ainda não tem data prevista para que o empreendimento retorne às atividades.

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