Farmácias de Natal suspenderam a realização de testes de glicemia e outros exames rápidos após a entrada em vigor de novas exigências estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com o setor, as novas regras elevaram os custos e, na prática, inviabilizaram a continuidade da prestação do serviço aos clientes.
Editada em 2025, a Resolução nº 978 determina critérios mais rigorosos para a realização dos procedimentos, incluindo a obrigatoriedade de um ambiente com condições de privacidade, higiene e controle sanitário, além da padronização de processos. Entre as exigências de infraestrutura, está a necessidade de disponibilização de recepção separada, sanitário de uso público e depósito de material de limpeza.

Além do espaço adequado, a norma também exige o cumprimento de protocolos técnicos, controle de qualidade dos testes, uso de equipamentos regularizados e registro formal de cada atendimento realizado.
De acordo com o Conselho Regional de Farmácia (CRF-RN), a resolução da Anvisa passou a exigir equipamentos mais completos e dentro de critérios técnicos específicos, substituindo, na prática, o uso dos aparelhos portáteis mais simples, comuns inclusive em uso doméstico.
Esses novos dispositivos exigidos, além de realizarem o teste de glicemia, também contemplam outros exames, mas envolvem custos mais elevados, exigências de calibração periódica e uma série de requisitos técnicos.
Segundo o CRF-RN, para farmácias com baixo volume de atendimentos, o investimento acaba não sendo viável. Ainda segundo o Conselho, a Vigilância Sanitária estabeleceu um prazo de 90 dias para adequação, porém muitos estabelecimentos optaram por não se adaptar às novas regras e suspenderam os serviços.
O Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do RN (Sincofarn), que representa as farmácias potiguares, destaca que os estabelecimentos que desejarem ofertar procedimentos clínicos precisam contar com ambiente privativo, devidamente sinalizado e com condições adequadas de higiene, ventilação, iluminação e acessibilidade, além de cumprir protocolos de biossegurança, registro e rastreabilidade dos atendimentos, com atuação de profissional habilitado e capacitado.
“Diante dessas exigências, muitos estabelecimentos optaram por suspender serviços como a aferição de glicemia capilar e outros procedimentos rápidos. A decisão está relacionada, principalmente, à necessidade de adequação estrutural e aos custos envolvidos para atender integralmente às novas normas, o que nem sempre é viável para todas as farmácias, especialmente as de menor porte”, diz a nota da Sincofarn.
O Sincofarn destacou ainda que reconhece a importância desses serviços para a população e que o setor avalia alternativas para viabilizar a retomada das atividades, em conformidade com a legislação e com foco na segurança dos usuários.
Em alguns casos, as farmácias estão avaliando se irão implementar as mudanças ou descontinuar definitivamente esse tipo de serviço.
A suspensão afeta principalmente usuários que recorriam às farmácias para monitoramento rápido de glicemia, prática comum entre pessoas com diabetes ou em acompanhamento de saúde.