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Relato
Família refém de autor de chacina relembra terror em 2009: “Olhar de maldade”
Crime seguiu as mesmas características do ocorrido na semana passada no Incra 9. Família foi colocada nua dentro de um banheiro
Metrópoles
17/06/2021 | 08:04

A família feita refém por Lázaro Barbosa, 32 anos, durante um assalto ocorrido em 2009, ainda tem vivos na memória os momentos de terror.

O caso ocorreu em uma chácara no Córrego das Corujas, região de Ceilândia, distante cerca de 10 quilômetros do local onde a família Vidal foi assassinada.

Segundo a mãe da família, que prefere não se identificar por medo, atualmente eles não moram mais no local: “Disseram que ele passou por ali atrás da gente. Eu acho que ele quer se vingar, pois a gente fez a denúncia. Ainda bem que não moramos mais lá”.

“A gente fica preocupado, passamos por esse mesmo terror. Saber que uma família foi toda morta é uma coisa que deixa a gente arrasado. Não sei como deixaram esse homem fugir”, lamenta.

De acordo com ela, Lázaro e o irmão Deusdete, na época, estavam capinando um terreno vizinho. “Eles passaram três semanas trabalhando para um conhecido nosso. Sabiam muito bem como era toda aquela área. Até que num sábado de muita chuva eles foram ao nosso armazém”, relata.

Os dois passaram o dia inteiro no local e gastaram cerca de R$ 70. Conversaram, jogaram sinuca e foram embora. “De madrugada, voltaram encapuzados. Na hora, não dava para saber que eram os mesmos, mas pelo olhar de muita maldade eu até desconfiei”, comenta a mulher.

Munidos com uma espingarda, eles arrombaram a porta da sala, renderam os presentes, mandaram que eles tirassem a roupa e trancaram todos no banheiro. “A gente foi espancado e eles ainda acharam um facão antigo nosso e passaram a ameaçar. Eles queriam dinheiro, mas tinham sido os únicos clientes do dia. Não tinha nada para dar. Com raiva, passaram a dizer que iam matar todos nós”, lembra.

Ao ver que não teriam uma quantia grande para levar, os irmãos pegaram a sobrinha da dona do estabelecimento e a levaram para o fundo da chácara. “Estupraram ela. Eles tentaram fugir de carro, mas ele quebrou no meio do caminho. A gente ainda estava trancado no banheiro quando eles voltaram. Tentaram arrombar a porta. Ainda bem que não conseguiram. Acho que se tivessem entrado, tinham nos matado”, diz.

Só na manhã seguinte, quando tudo já estava mais calmo, a família conseguiu sair do banheiro. Pediram socorro aos vizinhos e imediatamente foram para a delegacia. “Foi a mesma coisa desta vez agora. Colocaram a polícia toda atrás dele no mato, mas não acharam. O que a menina que foi estuprada me disse é que teve uma hora que o helicóptero passou bem pertinho deles, que estavam escondidos numa moita. O Lázaro tapou a boca dela e ninguém viu nada”, destaca.

Chacina

Lázaro é suspeito de matar Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15. Ele ainda sequestrou Cleonice Marques de Andrade, 43 anos, esposa de Cláudio e mãe das outras vítimas. O crime ocorreu na madrugada do dia 8/6, no Incra 9, em Ceilândia.

O corpo dela foi encontrado no sábado, em um matagal. O cadáver estava sem roupa e com um corte nas nádegas, em uma zona de mata perto da BR-070.

A morte de Cleonice reflete a crueldade de Lázaro. O criminoso, autor da chacina que ainda tirou a vida do marido e dos dois filhos da mulher, permanece foragido há seis dias. Caçado por uma coalização de forças policiais, o maníaco matou a mulher com um tiro na cabeça.

O Metrópoles também conversou com a jovem que foi estuprada na época. Ela tinha 19 anos. Lembra que foi levada para a beira do córrego, momento em que os irmãos tiraram o capuz que usavam. “Toda hora diziam que iam me matar. Eu sabia o rosto deles, então eu tinha certeza de que ia morrer mesmo”, relatou.

Apesar dos momentos de terror, ela ainda tentou convencer Lázaro, que estava mais calmo, a desistir da violência e do estupro. “Eu recitei um salmo para ele, falei de Deus. Perguntei por qual motivo iam fazer isso, mas não tinha motivo. Só falava que tinha que fazer”, contou.

A mulher lembrou que ficou horas sendo subjugada pelos irmãos até o dia amanhecer: “Comecei a ouvir barulho de cachorros, vozes ao longe e um helicóptero passava perto. Achei que eles iam me matar, porque vi o rosto deles. Mandaram eu dar uns passos para frente e, quando virei, já não estavam mais lá”.

Foragido

Um forte aparato policial segue mobilizado na mata à procura do criminoso, que está foragido há nove dias.

Na madrugada dessa quarta-feira 16, Lázaro foi visto em uma fazenda a 8 km de Edilândia (GO). Ele teria arrombado a porta, preparado comida e ido embora. Uma camisa dele foi encontrada no local.

“Ele entrou lá para fazer comida. Ainda quebrou a porta, mas não tinha ninguém. Ele pegou o que quis, a casa estava abastecida de comida. Dá a entender que ele estava muito tranquilo. Agora, está cheio de polícia. Helicóptero pousando lá em casa”, afirmou uma das vítimas, que preferiu não se identificar.

Na tarde de terça 15, Lázaro baleou de raspão um policial durante troca de tiros. O autor da chacina no Distrito Federal também fez três reféns em Edilândia. Na fuga, o criminoso passou por uma chácara e escondeu reféns sob folhas para que não fossem vistos pelas buscas aéreas da polícia. Eles foram encontrados com vida. As vítimas são pai, mãe e filha, de 48, 40 e 15 anos, respectivamente.

Também na terça, Lázaro foi flagrado por câmeras de segurança. “Ele estava com uma jaqueta, bermuda, uma blusa e uma botina. Estava com uma mochila nas costas, mas não vi qualquer machucado. Não havia nada aparente. Ele dormiu na cama que eu descanso e não ficou marca de sangue. Só suja de terra. Se estava armado, a arma estava dentro da mochila”, disse o chacareiro Rosinaldo Pereira de Moraes, 55 anos.

Desde a noite de segunda 14, após Lázaro trocar tiros com um caseiro em Edilândia, havia a suspeita de que o homicida poderia estar ferido.

Desde que matou a família Vidal, Lázaro vem entrando e saindo de propriedades, fazendo novas vítimas. Ainda no Incra 9, em Ceilândia, ele invadiu outros dois locais. Obrigou os chacareiros a cozinharem para ele e a, até, fumarem maconha com ele. Sempre agressivo, chegou a roubar um carro e incendiá-lo, próximo a Cocalzinho.

No sábado 12, ele invadiu a fazenda da família de um soldado do 8⁰ BPM, próximo à Lagoa Samuel. Ele fez o caseiro refém, quebrou tudo, bebeu e fumou maconha. Também obrigou o funcionário a consumir a droga.

Segundo a corporação, o soldado chegou à propriedade no início da noite, foi até a cancela e, provavelmente, ao abri-la, o homem fugiu, levando o caseiro como refém.

O criminoso seguiu para a fazenda ao lado, a cerca de 700m, e baleou três homens. Havia no local uma mulher e uma criança. Testemunhas informaram que o suspeito da chacina colocaria fogo na casa e não o fez por causa das vítimas.

Possíveis disfarces

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio do Laboratório de Representação Facial Humana, divulgou imagens de possíveis de disfarces de Lázaro Barbosa de Sousa, 32 anos.

A medida tem como objetivo apresentar possíveis aparências do foragido a fim de facilitar o seu reconhecimento, caso tenha feito alterações estéticas ou esteja usando algum acessório, como boné, máscara e óculos.

A PCDF solicita o apoio da população para localizar o homem. As informações podem ser feitas pelo Disque Denúncia, no telefone 197. A ligação é anônima.

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