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Internacional

Extrema direita é derrotada na Hungria após 16 anos de governo de Viktor Orbán

Tisza conquista maioria no Parlamento e sinaliza mudança na relação do país com a União Europeia
Por O Correio de Hoje
13/04/2026 | 16:36

O primeiro-ministro da Viktor Orbán deixará o poder na Hungria após 16 anos, depois que seu partido, o Fidesz, foi derrotado nas eleições parlamentares pelo Tisza, legenda de centro-direita liderada por Péter Magyar. O resultado representa uma inflexão política relevante no país e pode redefinir sua relação com a União Europeia.

Com 98,74% dos votos apurados, o Tisza garantiu 138 das 199 cadeiras do Parlamento, assegurando maioria ampla para governar. O Fidesz ficou com 55 assentos, enquanto o partido Mi Hazánk, de extrema-direita, obteve seis. A composição dá ao novo governo margem para aprovar reformas, reverter medidas da atual gestão e reposicionar o país no cenário europeu.

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A derrota de Urban, que é da extrema na Hungra foi comemorada pot todos os chefes de Estado da Europa - Foto: Reprodução

A vitória foi celebrada por lideranças internacionais. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que “a Hungria escolheu a Europa”, enquanto o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, destacou a expectativa de avanço na cooperação bilateral, após anos de tensões provocadas por vetos húngaros a iniciativas do bloco.

Orbán reconheceu a derrota logo após o fechamento das urnas, classificando o resultado como “doloroso” e afirmando que atuará na oposição. “Parabenizei o partido vencedor. Vamos servir à nação húngara também a partir da oposição”, declarou.

A eleição teve participação superior a 77%, nível recorde desde o fim do regime comunista no país, segundo o Escritório Nacional de Eleições. O índice elevado foi interpretado como indicativo de mobilização política e polarização em torno do futuro do país.

Magyar, que rompeu com o Fidesz em 2024 e rapidamente consolidou sua candidatura, conduziu uma campanha centrada em temas domésticos, como o enfraquecimento dos serviços públicos e denúncias de corrupção. Ao comentar o resultado, afirmou que a eleição representava uma escolha entre modelos distintos de país, com ênfase na retomada de valores democráticos e maior integração europeia.

A derrota de Orbán encerra um ciclo político marcado por forte centralização de poder, tensionamento com instituições europeias e aproximação com a Rússia, governada por Vladimir Putin. Ao longo de seus mandatos, o líder húngaro utilizou o poder de veto para bloquear decisões estratégicas da União Europeia, incluindo medidas de apoio financeiro à Ucrânia, e foi alvo de críticas por restrições à imprensa e a direitos de minorias.

O pleito também foi marcado por denúncias de irregularidades e alegações de interferência externa. Tanto governo quanto oposição indicaram que podem contestar resultados pontuais, enquanto reportagens internacionais apontaram possível tentativa de influência russa no processo eleitoral — acusações que ampliam a sensibilidade geopolítica do resultado.

A vitória do Tisza ocorre em um ambiente de forte atenção internacional, dado o papel de Orbán como referência para movimentos nacionalistas e conservadores em diferentes países, incluindo setores ligados ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Com maioria consolidada, o novo governo terá como desafio equilibrar promessas de reformas internas com a reconstrução das relações externas, em especial com a União Europeia, em um momento de redefinição das alianças políticas no continente.