As exportações de ouro extraído no Rio Grande do Norte registraram crescimento de 138,4% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo levantamento técnico do Observatório da Indústria Mais RN. As vendas externas do mineral alcançaram US$ 91,3 milhões no período, equivalente a 8,4% de tudo o que o Estado exportou, consolidando o ouro como o principal item da pauta potiguar no segmento de metais e pedras preciosas.
O estudo aponta uma mudança relevante no padrão das operações. Em 2024, as exportações ocorreram de forma pontual, concentradas exclusivamente no mês de fevereiro, com destino aos Estados Unidos, em uma operação classificada como “entrega em mãos”. Já em 2025, as saídas passaram a ocorrer de forma contínua entre julho e dezembro, indicando maior regularidade e sinalizando uma possível retomada ou consolidação da produção vinculada ao Estado.

“Quando olhamos para a dinâmica das operações, em 2024 o ouro aparece apenas de maneira pontual. Em 2025, esse comportamento muda, com exportações recorrentes no segundo semestre”, destaca o relatório do Observatório Mais RN.
Outro dado relevante é o destino das vendas externas. De acordo com o levantamento, 100% do ouro exportado pelo Rio Grande do Norte em 2025 teve como destino o Canadá, reforçando a concentração geográfica das operações internacionais do mineral.
O estudo também aponta que dez empresas sediadas no Estado possuem Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) associado à extração de ouro, conforme registros da Receita Federal, o que sinaliza a existência de capacidade empresarial formalmente instalada. O Observatório, no entanto, faz a ressalva de que o cadastro não garante, necessariamente, atividade produtiva efetiva, podendo incluir empresas inativas ou estruturas administrativas sem produção local.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não Metálicos do Rio Grande do Norte (Sindiminerais-RN), Mário Tavares, o desempenho é um indicativo positivo para o setor. “Esse resultado é muito positivo. Estamos vibrando com isso”, afirma.
Os dados do levantamento mostram ainda que cerca de 97% do ouro extraído no Estado é destinado ao uso industrial. Entre 2022 e 2025, 16 empresas estão em fase de autorização ou requerimento de pesquisa para ouro ou minério de ouro, totalizando 21 processos em tramitação na Agência Nacional de Mineração (ANM). Os números sugerem um ambiente de expansão — ou, ao menos, de expectativa de avanço — da atividade mineral ligada ao ouro no Rio Grande do Norte.
Mário Tavares projeta um cenário ainda mais favorável para 2026. Segundo ele, a principal mineradora do setor iniciou a produção em meados de 2025 e ainda passa por um processo de ajuste operacional. “Há o processo de startup, de organização e calibração das máquinas. Para 2026, podemos ter a expectativa de uma produção que dobre em relação a 2025”, diz.
Com 12 meses completos de operação previstos para o próximo ano, a tendência é de aumento da extração e, consequentemente, das exportações. “Certamente deverá ser no mínimo o dobro. É muito importante para o Estado. E, além do ouro, há diversas empresas pesquisando terras raras, scheelita e tantalita. Se for confirmada a viabilidade, o setor deverá crescer ainda mais”, conclui o presidente do Sindiminerais-RN.
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